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Ronda 2


de “Cidade Oculta”, de Arrigo Barnabé

Na noite alta
Na noite alta os ratos rondam,
E no asfalto
E no asfalto os carros roncam.

Bares e clubes luzem.
Bares e clubes luzem. Sinais.
Gangues de punks lúmpens
Gangues de punks lúmpens demais.
E prostitutas passam
E prostitutas passam ao léu.
E viaturas surgem
E viaturas surgem no breu.

Quando nas casas
Quando nas casas os justos dormem,
Quando não matam,
Quando não matam, os brutos morrem.

Os seus olhos
Os seus olhos filtram letras,
Luminosos,
Luminosos, faroletes
Luminosos, faroletes e holofotes;
Nos seus olhos
Nos seus olhos se reflete
Todo o lume
Todo o lume do negrume
Todo o lume do negrume dessa noite.

Cena de bangue-bangue.
Cena de bangue-bangue. Faróis.
Tiras, bandidos, anti-
Tiras, bandidos, anti- -heróis.
Tiros e gritos: cante
Tiros e gritos: cante mortal.
Cena de sangue, lance
Cena de sangue, lance normal.

E pelas ruas,
E pelas ruas, peruas rugem;
Se abrem alas
Se abrem alas e as balas zunem.

De repente
De repente você treme,
E a sirene
E a sirene passa entre
E a sirene passa entre automóveis;
Em suspense
Em suspense você pensa:
O que pode
O que pode com o ódio
O que pode com o ódio desses homens?

Mirante


de “Luar – Canções de Arrigo Barnabé”, de Tuca Fernandes

2004__Tuca_Fernandes_Luar_Cancoes_de_Arrigo_Barnabe_1024


de “Tubarões Voadores”, de Arrigo Barnabé

2000_Arrigo_Barnabe_Tubaroes_voadores_1024

Que eco e em que século?
Qual onda de som, qual sonda?
E que sinal de sim afinal
Fará chegar a mensagem do homem ao Cosmos
De não querer
Ser só um ser
A sós?

Daqui desse grande grão de
Areia azul, mirante,
Poeira do estouro estelar,
Veja agora aquilo que era a milhares
De anos-luz
E Vênus-luz
Brilhar. (*)

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Variante:
(*) Lilás.

A Europa Curvou-se Ante o Brasil


de “Tubarões Voadores”, de Arrigo Barnabé

2000_Arrigo_Barnabe_Tubaroes_voadores_1024

Ao ver o pássaro passar
No céu voar
Já era o sonho
O aéreo plano
De um menino a empinar
Pipa no ar

Queria ser o inventor
Do avião
Entre um par de asas
Mandaria brasa
Sabe quem era o sonhador?
Santos Dumont

Com sua pose e seu chapéu
Em pleno céu
No 14 Bis
Tal e qual um giz
O quadro azul do ar riscou
E se arriscou

Sobre a história e o chão
Num vôo bom
Foi a glória ao homem
Nas alturas móveis
A nossa mãe da invenção
Santos Dumont!

Não viva todo mundo, não!
Viva Dumont!
Que esteve à margem
Mas teve coragem
A nossa mãe da invenção
Santos Dumont!