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Pronto pra Próxima


de “Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão”, de João Bosco

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Ela incendiou meus dias mornos e normais,
Muito embora às vezes meio tonta…

Mas qualquer mulher não faz as coisas que ela fez;
Mais prazer não dá do que me dava toda vez.
Negra, linda, leve, nova, vejam vocês,
Com nitidez:
Eis minha ex.

Diante do eclipse desse amor,
Ante seu anti-resplendor,
A noite vem reacender
Memórias do calor e do clarão
De cada instante de explosão
Irradiante de prazer.

Me tirando o sono e roubando a minha paz,
O desassossego toma conta.

Portanto o que me importa é pôr um ponto
Enfim nas contas desse amor,
Em cada contra, em cada pró,
E me dispor pro próximo e estar pronto
E ir ao encontro do que for:
O que já era já é pó.

Quero agora uma nova ela,
Pro meu dia irradiar
E meu coração sorrir;
Uma nova ela, nova estrela,
Pr’eu seguir e me guiar,
Me guiar e me seguir.

Sábio Rio (Ol´ Man River)


de “Nego”, de Carlos Rennó

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Preto dá duro no Mississippi,
Duro pro branco poder brincar,
Puxando barco, não descansando,
Até o Juízo Final chegar.

Baixe o olhar,
Não diga não,
Não deixe puto
O seu patrão.
Curve o corpo,
É seu dever,
E puxe a corda
Até morrer.

Quero deixá longe o Mississippi,
Quero deixá meu sinhô pra lá,
E vê o rio que é velho e sábio,
Rio Jordão que inda vô cruzar.

Sábio rio,
O rio sábio,
Que sabe tudo
Mas fica mudo,
Só vai rolando,
Vai só rolando, ao léu.

Num planta nada,
Nem algodão,
Quem planta não é
Lembrado, não.
O sábio rio
Vai só rolando, ao léu.

Nós aqui
No suador,
Corpo já morto
De esforço e dor –
Puxe o barco!
Pegue o peso!
Beba um pouco mais
E você vai preso…

Já tô cheio,
Sofrer me frustra,
Viver me cansa,
Morrer me assusta;
Mas, sábio, o rio
Vai só rolando, ao léu.

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Colored folks work on de Mississippi,
Colored folks work while de white folks play,
Pullin´ dem boats from de dawn to sunset,
Gittin´ no rest till de Judgement Day.

Don’ look up
An´ don´ look down –
You don´ dast make
De white boss frown.
Bend your knees
An´ bow your head,
An´ pull dat rope
Until yo´ dead.

Let me go ´way from de Mississippi,
Let me go ´way from de white man boss;
Show me dat stream called de river Jordan,
Dat´s de ol´ stream dat I long to cross.

Ol´ Man River,
Dat Ol´ Man River,
He mus´ know sumpin´
But don´ say nuthin´,
He jes´ keeps rollin´,
He keeps on rollin´ along.

He don´ plant taters,
He don´ plant cotton,
An´ dem dat plants´em
Is soon forgotten,
But Ol´ Man River,
He jes´ keeps rollin´ along.

You an´ me,
We sweat an´ strain,
Body all achin´
An´ racked wid pain –
Tote dat barge!
Lif´ dat bale!
Git a little drunk,
An´ you land in jail…

Ah gits weary
An´ sick of tryin´;
Ah´m tired of livin´
An´ skeered of dyin’,
But Ol´Man River,
He jes´ keeps rollin´ along.

Música de Jerome Kern e letra de Oscar Hammerstein II, 1927

Pintura


de “Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão”, de João Bosco

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Céu azul, azul, azul;
Cor-de-rosa pôr-do-sol;
Véu da aurora boreal;
Mar de estrelas lá no céu;
Luz de fogos na amplidão;
Lua-prata qual CD;
Preto eclipse do esplendor;
Arco-íris multicor:

Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
De seus olhos, seu olhar,
Suas pernas, seu andar,
Sua cara, coração,
Sua boca e um não-sei-quê,
De sua pele, sua cor –
Do seu corpo, meu amor…

Verdes pampas lá do Sul;
Costa Branca igual lençol;
Na vazante, o Pantanal;
Barcelona, Parque Guell;
Monte Fuji no Japão;
Garopaba em SC;
Amazônia, selva em flor;
Mar azul de Salvador:

Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
Nem da graça nem da cor
Do seu corpo, meu amor…