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Rio Moderno


de “Tempo de Menino”, de Pedro Luís
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O Rio, cidade que é sede
Dos jogos do amor, excede
Em convites que são mais de mil
E vão do mais óbvio e vil
Ao mais tênue, mais sutil,
E fazem do Rio o Rio.
E quem teme ou não topa o que é bom
Do Leme até o Leblon
E em Copa do réveillon,
Dos ninhos de amor de Drummond? (*)
Do Sambódromo do semi-nu,
De um carnaval com glamour,
A um discreto Grajaú,
Sempre se rompe um tabu.
A beleza da força que há
Na natureza invulgar
Desse lugar singular
Convida-nos a amar.

O Rio, cidade com sede
De fogo de amor, concede
Liberdade para azaração:
Points, mato de montão
Para caça e pegação;
Praia, praça, calçadão.
Ipanema de cada sereia-
Gata sarada na areia,
De tanta bandeira gay a
Fazer olhar quem vagueia.
O ao redor da Rodrigo de Freitas,
Onde tu, amigo, espreitas
Perfis e pernas perfeitas,
Sonhando com quem te deitas.
E quem quer ficar só, por azar?
Lá na Lapa em cada bar,
Ao som do samba no ar,
Sorte de quem azarar!

O Rio, cidade que é sede
Dos jogos do amor, se excede
Na cachorra do morro que excita
O baile em que ela exorbita
No sexo que se explicita
No funk que ela exercita.
Mas o Cristo afinal Redentor
Vem abençoar o suor
De um par adorando o pôr
Agora no Arpoador.
A visão da baía que é duca
Causa a vertigem maluca
E eu quase morro da Urca
Ao pico do Pão de Açúcar.
Uma louca sugesta no ar,
De festa a se preparar,
De êxtase par e par,
Convida-nos a trepar. (**)

___ _________________________

Variantes:

(*)Do Posto 6, de Drummond?
(**) Convida-nos a ficar.

Tá?


de “Peixes Pássaros Pessoas”, de Mariana Aydar
2009_Mariana_Aydar_Peixes_Passaros_Pessoas_1024


de “Tempo de Menino”, de Pedro Luis
2011_Pedro_Luis_Tempo_de_menino_1024

Pra bom entendedor meia palavra bas-
Eu vou denunciar a sua ação nefas-
Você amarga o mar, desflora a flores-
Por onde você passa, o ar você empes-
Não tem medida a sua sanha imediatis-
Não tem limite o seu sonho consumis-
Você deixou na mata uma ferida expos-
Você descora as cores dos corais na cos-
Você aquece a terra e enriquece à cus-
Do roubo do futuro e da beleza augus-
Mas de que vale tal riqueza, grande bos-
Parece que de neto seu você não gos-
Você decreta morte à vida ainda em vis-
Você declara guerra à paz por mais benquis-
Não há em toda a fauna um animal tão bes-
Mas já tem gente vendo que você não pres-
Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor meia palavra bas-

Tá?

Repúdio


de “Ponto Enredo”, de Pedro Luis

São tantos que lotavam um estádio
Os presos espremidos nesse prédio.
São bestas-feras, vocifera o rádio,
De quem não vê saída nem remédio.

Um homem pode ali morrer de tédio;
Viver ali já é um genocídio.
A calma de repente só precede o
Momento de revolta no presídio.

Então em tiros, gritos de homicídio
E lágrimas de sangue, explode o ódio;
E a cena má invade a vida, o vídeo.

Que pena, que sistema, que episódio!
Que horror, que dor… que triste, que tripúdio!
Que dó… mas ó: nos resta esse repúdio!