Ficou pra trás,
E nada traz
De volta mais
Aquilo, ó!
No tempo jaz,
E tempo faz
Que virou gás
Ou virou pó.

Se já não há,
Por que será,
Em mim, que ‘tá,
E dói que só?
Aonde eu vá,
Aquilo lá
Saudade dá
E dá um nó.

Saudade, quando mais se adensa,
E traz a presença
Do que não está,
E que ressurge para nós
Do tempo, dos seus cafundós;

O tempo, com sua matéria
Dura, seu mistério
Puro, sem parar,
Resumindo a nada,
Reduzindo a pó
Pedra, vida, estrada,
Com a sua mó –

A sua máquina,
Que o mundo mói
E fundo rói,
Sem pena, nem dó,
Quem pena, tão só.

Saudade dói
Do que vivi,
Do que morreu
E virou pó;
Do que se foi,
Do que eu vi,
Do que fui eu,
Da minha vó.