Outra Defesa da Caatinga

Uma perda tá no ar da caatinga,
E quem sente, dessa perda se ressente.
Sente o rio e a nascente que nem pinga,
O mandacaru, o carcará e a gente.

Tá no olho em que rebrilha a pedra enorme,
Que reflete o sol, o sol mais inclemente.
Tá na voz que clama contra, inconforme,
Com o que torna o clima cada vez mais quente.

Caatinga, caatinga,
Por mais destruída, por mais degradada,
Que a humana ação danada
Não a extinga,
Não a extinga, não.

Da visão da terra desertificando
À de nós da terra desertando, ui!
O desmatamento que vai aumentando
E a diversidade que só diminui…

Muito triste ver seu uso até o fim,
Tanto abuso, tanta perda, tanto dano.
Revoltante ver a caatinga assim,
Esquecida e relegada a sexto plano.

Caatinga, caatinga,
Por mais destruída, por mais degradada,
Que a humana ação danada não a extinga,
Não a extinga, não.

O semiárido se convertendo em árido
Nos converte à luta pela ação vital
Da restauração e a lei que o ampare
Do poder devastador do capital.

Meu clamor é por que a água nunca míngüe
No subsolo do lençol da caatinga;
Que, por toda a fauna-flora que a distingue,
Finalmente o poder público a distinga.

Caatinga, caatinga,
Por mais destruída, por mais degradada,
Que a humana ação danada
Não a extinga,
Não a extinga, não.