Banhado (São José do Banhado)

Eu guardo em mim a imagem
Que tanto tem me tocado,
Da encantada paisagem,
Em São José, do banhado,
Banhada de tal lindeza
Tão simples quão singular,
Que em toda a sua largueza
Atravessa esse lugar.

Do alto de uma esplanada
O vale plano se vê,
Pleno de tudo e de nada,
De verde a se perder.
Ao longe azulam montanhas,
E à tarde lá vem se pôr
O sol dourado que banha
O banhado de outra cor.

Ó banhado,
Quando alado,
Te contemplo,
Vejo o tempo
Em suspenso
E, imenso,
O espaço, a imensidão.

E em noite sem horizonte
Nem linha do rio ao fundo,
Nem trilho do trem, nem monte,
Só bruma e breu profundo,
É como se o invisível
Não fosse senão um mar,
Como se fosse possível
Outra coisa no lugar.

E é doce o meu naufrágio
Nesse mar verde-capim,
E eu sinto como um presságio
A infinitude, o sem-fim.
E esse imenso banhado,
Que re-luz de manhãsin
E me tem iluminado,
Ninguém vai tirar de mim.

Ó banhado,
Quando alado,
Te contemplo,
Vejo o tempo
Em suspenso
E, imenso,
O espaço, a imensidão.

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