Aí você surgiu na minha frente,
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão.
Senti no ar a força diferente
De um momento eterno desde então.
E aqui dentro de mim você demora;
Já tornou-se parte mesmo do meu ser.
E agora, em qualquer parte, a qualquer hora,
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.
O amor une os amantes em um ímã,
E num enigma claro se traduz;
Extremos se atraem, se aproximam
E se completam como sombra e luz.
E assim viemos, nos assimilando,
Nos assemelhando, a nos absorver.
E agora, não tem onde, não tem quando:
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.
de “Respeitem meus Cabelos Brancos”, de Chico César
Era uma luz, um clarão Era uma luz, um clarãoum insight num blecaute. Éramos nós sem ação, Éramos nós sem ação,como quem vai a nocaute. Era uma revelação Era uma revelaçãoe era também um segredo; Era sem explicação, Era sem explicação,sem palavras e sem medo.
Era uma contemplação Era uma contemplaçãocomo com lente que aumenta; Era o espaço em expansão Era o espaço em expansãoe o tempo em câmara lenta. Era uma tal comunhão Era uma tal comunhãocom o um e tudo à solta; Era uma outra visão Era uma outra visãodas coisas à nossa volta.
E as coisas eram as coisas: E as coisas eram as coisas:a folha, a flor e o grão, O sol no azul e depois as O sol no azul e depois asestrelas no preto vão. E as coisas eram as coisas E as coisas eram as coisascom intensificação, Que as coisas eram as coisas Que as coisas eram as coisasporém em ampliação.
Era como se as víssemos, Era como se as víssemos,entrando nelas então, Com sentidos agudíssimos Com sentidos agudíssimosdesvelando seu desvão, Indo por entre, por dentro, Indo por entre, por dentro,aprendendo a apreensão De tudo bem dês do centro, De tudo bem dês do centro,do fundo, do coração.
Era qual uma lição Era qual uma liçãodel viejo brujo don Juan; Uma complexa questão Uma complexa questãosem nexo qual um koan; Um signo sem tradução Um signo sem traduçãono plano léxico-semântico; Enigma, contradição Enigma, contradiçãono nível de um campo quântico.
Era qual uma visão Era qual uma visãode um milagre microscópico, Do infinito num botão, Do infinito num botão,e em ritmo caleidoscópico Ciclos de aniquilação Ciclos de aniquilaçãoe criação sucessiva, Átomos em mutação, Átomos em mutação,cósmica dança de Shiva.
E as coisas ao nosso ver E as coisas ao nosso verdavam no fundo a impressão De ser de ser e não-ser De ser de ser e não-sera sua composição; Como a onda tão etérea Como a onda tão etéreae a partícula não tão Num ponto tal da matéria Num ponto tal da matériatanto ‘tão quanto não ‘tão.
Até que ponto resistem Até que ponto resistema lógica e a razão, Já que nas coisas existem Já que nas coisas existemcoisas que existem e não? O que dizer do indizível, O que dizer do indizível,se é preciso precisão, Pra quem crê no que é incrível Pra quem crê no que é incrívelnão devanear em vão?
Era uma vez num verão, Era uma vez num verão,num dia claro de luz, Há muito tempo, um tempão, Há muito tempo, um tempão,ao som das ondas azuis.
E as coisas aquela vez E as coisas aquela vezeram qual foram e são, Só que tínhamos os pés Só que tínhamos os pésum tanto fora do chão.
Passa da uma, tudo emudeceu. A lua é um CD de luz no céu E aqui o meu apê é um deserto. Agora cada um está na sua. Você sumiu, você que é de lua, E eu a queria tanto aqui por perto.
Meu bem, meu doce bem, minha senhora, Eu poderia declarar agora Meu grande amor, minha paixão ardente. Em minha mente insone, só seu nome Ecoa, só não soa o telefone; E a sua ausência se faz mais presente.
Passa das duas na cidade nua; Ao longe carros rugem para a lua E alguma coisa fica mais distante. Eu sinto a sua falta no meu quarto; Será que você volta antes das quatro? É tudo que eu queria nesse instante.
Aí você surgiu na minha frente, E eu vi o espaço e o tempo em suspensão. Senti no ar a força diferente De um momento eterno desde então.
E aqui dentro de mim você demora; Já tornou-se parte mesmo do meu ser. E agora, em qualquer parte, a qualquer hora, Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós, E uma só pessoa somos nós, Unos num canto, numa voz.
O amor une os amantes em um ímã, E num enigma claro se traduz; Extremos se atraem, se aproximam E se completam como sombra e luz.
E assim viemos, nos assimilando, Nos assemelhando, a nos absorver. E agora, não tem onde, não tem quando: Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós, E uma só pessoa somos nós, Unos num canto, numa voz.
Aí você surgiu na minha frente,
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão.
Senti no ar a força diferente
De um momento eterno desde então.
E aqui dentro de mim você demora;
Já tornou-se parte mesmo do meu ser.
E agora, em qualquer parte, a qualquer hora,
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.
O amor une os amantes em um ímã,
E num enigma claro se traduz;
Extremos se atraem, se aproximam
E se completam como sombra e luz.
E assim viemos, nos assimilando,
Nos assemelhando, a nos absorver.
E agora, não tem onde, não tem quando:
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.
E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.
No sub-imundo mundo sub-humano Aos montes, sob as pontes, sob o sol Sem ar, sem horizonte, no infortúnio Sem luz no fim do túnel, sem farol Sem-terra se transformam em sem-teto Pivetes logo se tornam pixotes Meninas, mini-xotas, mini-putas, de pequeninas tetas nos decotes
Quem vai pagar a conta? Quem vai lavar a cruz? O último a sair do breu, acende a luz
No topo da pirâmide, tirânica Estúpida, tapada minoria Cultiva viva como a uma flor A vespa vesga da mesquinharia Na civilização eis a barbárie É a penúria que se pronuncia Com sua boca oca, sua cárie Ou sua raiva e sua revelia
Quem vai pagar a conta? Quem vai lavar a cruz? O último a sair do breu, acende a luz
O que prometeu não cumpriu O fogo apagou, a luz extinguiu
Não faz cu-doce, doçura
Não me diga que tá mal
Com ressaca de pileque
Ou cólica menstrual
Baby, cê não imagina
Como tá duro o meu pau
Tá furando a minha calça
O porra-louca total
Eu tô num puta pique
Me diga que tá legal
Eu quero sugar seu mel
Eu quero lamber seu sal
Quero ser bem recebido
Como se eu fosse o tal
De braços e pernas abertas
Cerca de 90 graus
Pára tudo e se prepara
Prum memorável oral
Numa tarde de trepadas
E carinhos no final
Eu tô num puta pique
Me diga que tá legal
Eu quero sugar seu mel
Eu quero lamber seu sal
Meu doce, minha delícia
Minha ceia de Natal
Meu jantar e meu manjar
Carne do meu Carnaval
Quero chegar pela frente
Ou então por trás e – crau!
Te prometo mil lambidas
Então, gatinha, que tal?
Estou no alto de um monte da Mantiqueira em Mairiporã
Almoçando arroz integral, alga, agrião, nabo, abóbora e doce de maçã
O que é fácil hoje será difícil amanhã
A morte é o fruto da vida, disse Omar Khayyam
Estou no alto de um monte da Mantiqueira em Mairiporã
Tudo está relativamente bem
Canta um sabiá, a voz ecoa, voa, volta, vai e vem
Saúde vale mais que ouro, euro, dólar, uon, yuan, yen
Pra ter saúde tem que ficar doente, porém
Tudo está relativamente bem
Uma revolução se processa dentro de mim
Sei que a doença, a fome, a miséria e a guerra nunca terão fim
Nada é inteiramente yang, nem inteiramente yin
Tenho que dizer muitos nãos para dizer um sim
Uma revolução se processa dentro de mim
Meu mestre me falou que o bom é mau e o mau é bom
E que foi o maior orgasmo o da mulher do samurai em “Rashomon”
Uma palavra só detona mais que um megaton
O que não pode um mantra, um mantra com seu som?
Meu mestre me falou que o bom é mau e o mau é bom
Estou à beira do mar, lugar comum
Me refazendo todo, fazendo jejum
Sei que não há só deus, há deusa, e deus não há só um
E o um dá dois, o dois dá três, o três dá tudo e tudo ad-infinitum
Estou à beira do mar, lugar comum
Estou no alto de um monte da Mantiqueira em Mairiporã
Rebenta na Febem: rebelião. Um vem com um refém e um facão. A mãe aflita grita logo: “Não!” E gruda as mãos na grade do portão. Aqui no caos total do cu do mundo cão, Tal a pobreza, tal a podridão, Que assim nosso destino e direção São um enigma, uma interrogação.
Ecos do “ão”.
E se nos cabe apenas decepção, Colapso, lapso, rapto, corrupção? E mais desgraça, mais degradação? Concentração, má distribuição? Então a nossa contribuição Não é senão canção, consolação? Não haverá então mais solução? Não, não, não, não, não.
Ecos do “ão”, Ecos do “ão”.
Pra transcender a densa dimensão Da mágoa imensa, e tão-somente então Passar além da dor, da condição De inferno-e-céu, nossa contradição, Nós temos que fazer com precisão Entre projeto e sonho a distinção, Para sonhar enfim sem ilusão O sonho luminoso da razão.
Ecos do “ão”.
E se nos cabe só humilhação, Impossibilidade de ascensão, Um sentimento de desilusão E fantasias de compensação? E é só ruína tudo em construção? E a vasta selva, só devastação? Não haverá então mais salvação? Não, não, não, não, não.
Ecos do “ão”, Ecos do “ão”.
Porque não somos só intuição, Nem só pé de chinelo, pé no chão. Nós temos violência e perversão, Mas temos o talento e a invenção, Desejos de beleza em profusão E ideias na cabeçacoração; A singeleza e a sofisticação, O axé e a bossa, o tchã e o tomjoão. (*)
Ecos do “ão”.
Mas se nós temos planos, e eles são De nos tornarmos plenos cidadãos, (**) Por que não pô-los logo em ação? Tal seja agora a inauguração Da nova nossa civilização, Tão singular igual o nosso “ão”. E sejam belos, livres, luminosos, Os nossos sonhos de nação.
Ecos do “ão”, Ecos do “ão”.
—————————————————————- Variantes:
(*) O choro, a bossa, o samba e o violão. (**) O fim da fome e da difamação,
de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó
Era uma vez uma figura
Que era só beleza pura;
Ares divinais,
Olhares imorais…
Tarada pelos marinheiros,
Pescadores, baleeiros,
No rio Reno os atrai;
Seu nome, Lorelai.
Ela causa um auê,
E assim é que eu quero ser.
Eu quero ser como a moça que canta
Pra todo barco que vem e que vai;
Dá conta do recado e como encanta:
A Lorelai.
Com um estilo de amar diferente,
Com muito “ei”, muito “ui”, muito “ai”;
Garanto ser tão louca e tão quente
Quanto a Lorelai.
Sou sensual – ah, ah;
Eu não posso mais me reprimir.
Sensacional – ah, ah;
A minha marca em teu pescoço eu posso imprimir.
Quando alguém pede, ela bate, ela chuta;
Com ela todo rapaz se distrai.
Eu quero ser igual àquela puta –
A Lorelai.
______________________________________________
Back in the days of knights in armor There once lived a lovely charmer; Swimming in the Rhine Her figure was divine.
She had a yen for all the sailors: Fishermen and gobs and whalers. She had a most immoral eye; They called her Lorelei. She created quite a stir – And I want to be like her.
I want to be like that gal on the river, Who sang her songs to the ships passing by; She had the goods and how she could deliver: The Lorelei!
She used to love in a strange kind of fashion, With lots of hey, ho-de-ho, hi-de-hi! And I can guarantee I´m full of passion Like the Lorelei.
I´m treacherous – ja, ja! Oh, I just can´t hold myself in check. I´m lecherous – ja, ja! I want to bite my initials on a sailor´s neck.
Each affair had a kick and a wallop, For what they craved she could always supply. I want to be just like that other trollop – The Lorelei.
Música de George Gershwin e letra de Ira Gershwin, 1933
Got a little rhythm, a rhythm, a rhythm That pit-a-pats through my brain; So darn persistent, The day isn´t distant When it’´ll drive me insane.
Comes in the morning Without any warning, And hangs around me all day. I´ll have to sneak up to it Someday, and speak up to it. I hope it listens when I say:
Fascinating Rhythm, You´ve got me on the go! Fascinating Rhythm, I´m all a-quiver.
What a mess you´re making! The neighbors want to know Why I´m always shaking Just like a fliver.
Each morning I get up with the sun – Start a-hopping, Never stopping – To find at night no work has been done.
I know that Once it didn´t matter – But now you´re doing wrong; When you start to patter I’m so unhappy.
Won´t you take a day off? Decide to run along Somewhere far away off – And make it snappy!
Oh, how I long to be the man I used to be! Fascinating Rhythm, Oh, won’t you stop picking on me?
Música de George Gershwin e letra de Ira Gershwin, 1924
de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó
Eu fiz só pra você
Uma canção que é
Tão bonitinha;
A técnica aprendi
Nas músicas que ouvi
Lá na telinha.
As rimas todas das canções eu estudei;
E eis a coisinha linda que eu criei:
Blablablá, canção;
Blablablá, luar;
Blablablá, paixão;
Blablablá, no ar.
Tralalalá, tralalalalá, seu olhar em mim;
Tralalalá, tralalalalá, tudo, tudo enfim.
Blablablá, o céu;
Blablablá, a flor;
Blablablá, o mel;
Blablablá, o amor.
Tralalalá, tralalalalá, casa de sapê;
Blablablablablá, eu e você.
I´ve written you a song, A beautiful routine; (I hope you like it.) My technique can´t be wrong: I learned it from the screen. (I hope you like it.) I studied all the rhymes that all the lovers sing; Then just for you I wrote this little thing.
de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó
Eu era estranho na cidade,
Sem ninguém que eu pudesse rever.
Pensei com auto-piedade:
“Que fazer? Que fazer? Que fazer?”
O panorama era deprê.
Mas passeando naquela garoa, ali,
Meu dia de sorte maior então vivi.
Num dia de garoa fria,
Sampa me deu melancolia.
O céu tão cinza causou alarme,
Mesmo o Masp perdeu seu charme.
“Isso vai longe”, pensava eu,
Quando um milagre aconteceu.
Pois de repente eu vi você –
E em São Paulo da garoa o sol brilhava
Pra valer!
_________________________________
I was a stranger in the city. Out of town were the people I knew. I had that felling of self-pity: “What to do? What to do? What to do?” The outlook was decidedly blue. But as I walked through the foggy streets alone, It turned out to be the luckiest day I’ve known.
A foggy day in London Town Had me low and had me down. I viewed the morning with alarm. The British Museum had lost its charm.
How long, I wondered, could this thing last? But the age of miracles hadn’t passed, For, suddenly, I saw you there – And through foggy London Town the sun was shining Ev’rywhere.
Música de George Gershwin e letra de Ira Gershwin, 1937
Os cidadãos, no Japão, fazem,
Lá na China um bilhão fazem,
Façamos, vamos amar.
Os espanhóis, os lapões fazem,
Lituanos e letões fazem,
Façamos, vamos amar.
Os alemães, em Berlim, fazem,
E também lá em Bonn;
Em Bombaim, fazem:
Os hindus acham bom.
Nisseis, nikkeis e sanseis fazem;
Lá em San Francisco muitos gays fazem;
Façamos, vamos amar.
Os rouxinóis, nos saraus, fazem,
Picantes picapaus fazem, (*)
Façamos, vamos amar.
Uirapurus, no Pará, fazem,
Tico-ticos no fubá fazem, (**)
Façamos, vamos amar.
Chinfrins galinhas a fim fazem,
E jamais dizem não;
Corujas – sim – fazem,
Sábias como elas são.
Muitos perus, todos nus, fazem,
Gaviões, pavões e urubus fazem, (***)
Façamos, vamos amar.
Dourados no Solimões fazem;
Camarões em Camarões fazem;
Façamos, vamos amar.
Piranhas, só por fazer, fazem,
Namorados, por prazer, fazem,
Façamos, vamos amar.
Peixes elétricos bem fazem,
Entre beijos e choques;
Cações também fazem,
Sem falar nos hadoques…
Salmões no sal, em geral, fazem,
Bacalhaus no mar em Portugal, fazem,
Façamos, vamos amar.
Libélulas, em bambus, fazem,
Centopéias sem tabus fazem,
Façamos, vamos amar.
Os louva-deuses, com fé, fazem,
Dizem que bichos-de-pé fazem,
Façamos, vamos amar.
As taturanas também fazem
Com ardor incomum;
Grilos, meu bem, fazem,
E sem grilo nenhum…
Com seus ferrões, os zangões fazem,
Pulgas em calcinhas e calções fazem, (****)
Façamos, vamos amar.
Tamanduás e tatus fazem;
Corajosos cangurus fazem;
Façamos, vamos amar.
Coelhos só, e tão-só, fazem;
Macaquinhos num cipó fazem;
Façamos, vamos amar.
Gatinhas com seus gatões fazem,
Dando gritos de “ais”;
Os garanhões fazem –
Esses fazem demais…
Leões ao léu, sob o céu, fazem;
Ursos lambuzando-se no mel fazem;
Façamos, vamos amar.
________________________________
Variantes:
(*) Os rouxinóis, nos saraus, fazem,
Picantes picapaus fazem,
(**) Os sabiás, onde for, fazem,
Beija-flores numa flor fazem,
(***) Penguins no cio, lá no frio, fazem,
Mil casais de pombos por um fio fazem,
(****) Pulgas ensinadas e pulgões fazem,
And that’s why Chinks do it, Japs do it,
Up in Lapland, little Lapps do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
In Spain, the best upper sets do it,
Lithuanians and Letts do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The Dutch in Old Amsterdam do it,
Not to mention the Finns;
Folks in Siam do it,
Think of Siamese twins.
Some Argentines, without means, do it,
People say, in Boston, even beans do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The nightingales, in the dark, do it,
Larks, k-razy for a lark, do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Canaries, caged in the house, do it,
When they’re out of season, grouse do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The most sedated barnyard fowls do it,
When a chanticleer cries;
High-browed old owls do it,
They’re supposed to be wise.
Penguins in flocks, on the rocks, do it,
Even little cuckoos, in their clocks, do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Romantic sponges, they say, do it,
Oysters, down in Oyster Bay, do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Cold Cape Cod clams, ‘gainst their wish, do it,
Even lazy jellyfish do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Electric eels, I might add, do it,
Though it shocks ‘em, I know;
Why ask if shad do it?
Waiter, bring me shad roe. *
In shallow shoals, English soles do it,
Goldfish, in the privacy of bowls, do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The dragonflies, in the reeds, do it,
Sentimental centipedes do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Mosquitoes, heaven forbid, do it,
So does ev’ry katydid, do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The most refined lady bugs do it,
When a gentleman calls;
Moths in your rugs do it,
What’s the use of moth balls?
Locusts in trees do it, bees do it,
Even overeducated fleas do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The chimpanzees, in the zoos, do it,
Some courageous kangaroos do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
I’m sure giraffes, on the sly, do it,
Heavy hippopotami do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Old sloths who hang down from twigs do it,
Though the effort is great;
Sweet guinea pig do it,
Buy a couple and wait.
The world admits bears in pits do it,
Even pekineses in the Ritz do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
_____________________________ Variantes:
*
Young whelks and winkles, in pubs, do it,
Little sponges, in their tubs, do it,
Let´s do it, let´s fall in love.
Cold salmon, quite ´gainst their wish, do it,
Even lazy jellyfish do it,
Let´s do it, let´s fall in love.
The most select schools of cod do it,
Though it shocks ´em, I fear,
Sturgeon, thank God, do it,
Have some caviar, dear.