
Querem licença para perfurar
Mais um bloco de petróleo,
No mar profundo onde vai dar o rio-mar.
Pode dar um baita imbróglio…:
E se no mar vazar e derramar
Por azar um rio de óleo?
Bilhões de vidas por um fio vão rolar.
Vão molhar os nossos olhos.
Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!
Corais e manguezais não se repõem,
Animais não se refazem.
Os povos da floresta não destroem,
Preservar é o que fazem.
Projetos de “progresso” se impõem,
Ecossistemas jazem.
Empresas petrolíferas dispõem,
Equilíbrios se desfazem.
Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!
É sobre amar os filhos e os netos,
É sobre sobreviver
À predação do mundo com seus arquitetos
Que não viverão pra ver
Seus atuais programas obsoletos
Porem vidas a perder,
Tal qual ocorre já com pobres e com pretos
Nesses tempos a correr.
Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!
Ainda há tempo de evitar mais tempos loucos,
Mas é pouco, e no momento
É mesmo urgente bloquear os blocos,
Investir no sol, no vento,
E não num crescimento oco,
Que provoca aquecimento,
Enquanto a Terra vai torrando pouco a pouco,
De evento em evento.
O nobre cientista que projeta
Um clima hostil, indócil,
Os seres vivos, do humano ao micróbio,
Todos clamam, feito sócios:
Oh petrolíferas que queimam o planeta
E lucram com esse negócio,
Basta de um amanhã indigno e ignóbil!
E de combustível fóssil!
Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!