Eu Gosto do Meu Corpo

eu gosto do meu corpo
quando ele está com o seu
eu gosto do seu corpo
do que ele faz com o meu

é o que há de novo
e que se dá de novo

dia após dia
mês após mês
a cada dia
a cada vez
nunca é demais
sempre é demais

eu gosto do meu corpo
e gosto do seu corpo
eu sei do que ele gosta
e gosto do que ele faz

gosto disso, daquilo
daqui, dali
e de tudo mais
e de nada mais

eu gosto do seu corpo
e de fazer o que ele faz
eu gosto do seu corpo
e do prazer que ele me traz

O Momento

capa_DESPERTADOR

de “Despertador”, de Leo Cavalcanti

Tem um momento (que de todos é diverso)
Em que você se une ao todo, ao universo

O tempo então congela (feito lá no pólo)
Seu ego some, seu eu ergue-se do solo

E sai voando entre as estrelas na amplidão
Você se torna uma delas na explosão

Dentro de si você vê uma grande luz
Rompem-se todas as amarras e tabus

Você mergulha e chega à raiz da vida
Bebe na fonte do seu jorro sem medida

Enquanto escuta a doce música distante
Que toca fundo, ao fundo, infinda, nesse instante

A eternidade então num lapso encapsula
E a divisão entre você e o outro é nula

Esse estado não é nenhum sonho impossível
Algo irreal ou ideal, ou desse nível

Nem tá vedado à multidão de abandonados
E reservado só a alguns iluminados

Mas ao alcance de nós todos, qualquer um
De qualquer homem ou qualquer mulher comum

Você não chega lá por uma fé num deus
Cê chega lá porque então cê é um deus

Já cega por um raio de um clarão tremendo
A carne do seu ser põe-se a vibrar, tremendo

Esse é o momento, enfim, de sol e nebulosa
Em que você, meu caro, minha cara, …

– Go-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-za!… –

… goza

Ajoelha e Reza

E aí, ele disse pra mim
Como vai?
E aí, eu me disse taí
Minha chance
Respondi
Tudo bem e você onde vai?
Foi daí
Que saímos dali prum romance

E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema

E nesse filme de amor e ventura
Verdade e mentira
um pornô com ternura
Ele vem e se atira,
eu morro
E depois me comovo
quando me diz de novo

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema

E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

Tá na maior paixão

Carlos Rennó ganha show-tributo

Um show dia 21 de junho 2014 vai reunir 13 artistas cantando canções de Carlos Rennó: Tetê Espíndola, José Miguel Wisnik, Hermelino Neder, Beto Villares, Filipe Catto, Leo Cavalcanti, China, Livia Nestrovski, Tó Brandileone, Vinicius Calderoni, Daniel Belleza, Mã e Marcelo Tápia. Antes, haverá novo lançamento e seção de autógrafos do livro “O Voo das Palavras Cantadas” (editora Dash), lançado dia 11 de junho. O evento vai ac ontecer no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, em São Paulo.

O Voo das Palavras Cantadas

livro_2014_O_Voo_das_Palavras_Cantadas

Reunião de textos sobre canção escritos da perspectiva de um letrista e jornalista: priorizando a poesia da música popular. Artigos publicados na imprensa (“Folha de S.Paulo”, “Bravo”, “Valor” e outros), em livros, portal, encartes de disco, programas de espetáculos, exposições. Inclui releases, letras, mesósticos, poema visual, pseudo-doublets, entrevistas. Dos anos 1980 até hoje.

Em foco, as obras de grandes compositores-letristas surgidos na primeira metade do século vinte (Orestes Barbosa, Noel, Lamartine, Caymmi; Gershwin, Porter, Berlin); nos anos 1960 (Caetano, Gil, Chico, Tom Zé, Dylan, Lennon etc.); as relações entre poesia literária e de canção; Vinicius; além de uma diversidade de criadores – de Itamar aos Racionais, Peninha a Aldo Brizzi.

Direção de criação: Lenora de Barros; arte: Renata Zincone. Introduções de Francisco Bosco, Marcelo Tápia, Zeca Baleiro, Péricles Cavalcanti e Luiz Chagas.

Preço: R$ 42

CR apresenta curso sobre Chico Buarque no CeU Maria Antonia

O curso TEMA, FORMA E ESTILO EM CHICO BUARQUE será ministrado no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo) nos próximos dias 28 de maio, 3 e 10 de junho 2014 – das 20h às 22h30. Mais informações podem ser obtidas em
http://www.mariantonia.prceu.usp.br/?q=encontros/chico-buarque-tema-forma-e-estilo ou pelos telefones (11) 3123-5213 / 5214.

Em foco, a poesia da música de um dos maiores autores de canção do mundo. A sua magistral combinação de palavras e sons; o status literário de suas letras; o rimário sofisticado e a exploração da sonoridade. As aliterações criativas; os originais jogos lingüísticos; os sistemas rímicos eruditos; o virtuosismo no manejo dos versos. A poesia social e libertária.

Sincronicidade

Se eu penso em você
Meu marrom-glacê
Logo você dá de
Me ligar sem ninguém saber por quê

Se você, meu bem
Pensa em mim também
Por casualidade
Logo eu apareço aí, vindo do além

Nossa sincronicidade é tão mágica
Que nos conecta sem nenhuma lógica
(Nossa) sincronicidade maluca, é
Tal como um beque tal como um néctar
Para mim e pra você

Se eu penso em ti
Oh meu açaí
Sem causalidade
Chega um torpedo teu logo por aqui

Sim, é sempre assim
Pra você e pra mim
E pra sempre há de
Ser assim para nós dois até o fim

Nossa sincronicidade é tão mágica
Que nos conecta sem nenhuma lógica
(Nossa) sincronicidade maluca, é
Tal como um beque tal como um néctar
Para mim e pra você

Nossa sincronicidade é tão mágica

Artigo do Professor Pasquale sobre “Ecos do ´Ão´”

“Ecos do ão”
ENQUANTO ECOA pelo país o “Pentacampeão!”, minha mente viaja e se lembra de uma bela letra da moderna canção brasileira, “Ecos do Ão”, de Lenine e Carlos Rennó: “Rebenta na Febem rebelião/ um vem com um refém e um facão/ a mãe aflita grita logo: não!/ e gruda as mãos na grade do portão/ aqui no caos total do cu do mundo cão/ tal a pobreza, tal a podridão/ que assim nosso destino e direção/ são um enigma, uma interrogação/ e, se nos cabe apenas decepção,/ colapso, lapso, rapto, corrupção?/ e mais desgraça, mais degradação?/ concentração, má distribuição?/ então a nossa contribuição não é senão canção, consolação?/ não haverá então mais solução?/ não, não, não, não, não…/ (…) mas, se nós temos planos, e eles são/ o fim da fome e da difamação/ por que não pô-los logo em ação?/ tal seja agora a inauguração/ da nova nossa civilização/ tão singular igual ao nosso ão/ e sejam belos, livres, luminosos os nossos sonhos de nação”.
Quanto ao conteúdo, a letra dispensa comentários. Como diria Belchior, “ao vivo, é muito pior”. Concentremo-nos, pois, num dos aspectos formais do texto. O leitor certamente notou que à triste e dura temática foi associado um dado linguístico importante: o “ão” (“tão singular igual ao nosso ão”). Eis um belo exemplo de como é possível unir forma e conteúdo. Em outras palavras, os autores pregam a idéia de que a solução de nossos problemas deve ter nossa marca.
Mas o “ão” nem sempre é solução. Guimarães Rosa já dizia que “pão ou pães, é questão de opiniães”. Em rigor, Guimarães tem razão, uma vez que são as “opiniães” dos usuários que estabelecem que o plural de “mão” seja “mãos”, que o de “cão” seja “cães” e que o de “coração” seja “corações”.
Mas a coisa nem sempre é tão simples assim. Atire a primeira pedra aquele que nunca se viu perdido diante do plural de alguma palavra terminada em “ão”! Genericamente, essas palavras fazem o plural em “ões” (portão/ portões, sabão/sabões etc.), mas não são poucas as que o fazem em “ães” (alemão/alemães, pão/ pães) ou “ãos” (grão/grãos, mão/ mãos). Na dúvida, a melhor saída é mesmo um dicionário.
Bem, sobre essa história do “ão”, parece conveniente pôr o dedo numa questão importante: se o “nosso” da letra de “Ecos do Ão” (“tão igual ao nosso ão”) se refere à língua dos brasileiros, refere-se à de todos os lusoparlantes. Posto isso, não resisto à tentação de lembrar que, em Portugal, terminam em “ão” (“protão”, “eletrão”, “neutrão”, oxítonas) algumas das palavras que no nosso português terminam em “on” (“próton”, “elétron”, “nêutron”). Como se vê, as “opiniães” vão mais longe do que supomos.
Para encerrar, duas palavras sobre “pentacampeão” etc. Mal terminou o jogo contra a Alemanha, o pessoal de rádio e televisão se pôs a falar do “hexa”. “Hexa”, que vem do grego e significa “seis”, está presente em vários termos técnicos (“hexápode”, “hexágono”, “hexagonal” etc.). O problema é a pronúncia: o “Aurélio”, o “Vocabulário Ortográfico” e o dicionário de Caldas Aulete recomendam que o “x” de todas essas palavras seja lido como “cs”; o “Houaiss” sugere que se leia esse “x” como “z”. É isso.

Pasquale Cipro Neto

(Publicado no jornal “Folha de São Paulo”, em 4 de Julho de 2002)

Crisálida-Borboleta

teteasasdoetereocapacd

 

De palavra a palavreta
Crisalita a brisoleta
De lagarta a borboletra
A crisálida

Desencasula a crisálida
Aquarela alada, crisálita
Em lazulita, crisólita
Quem deslinda uma linguagem insólita?

Criso-briso-bribo-boiboleta ao pleniléu
Asalegre bela pelepétala de papel
Libralisa a brisa lindesliza a lisabrir
Butterflyingflower deflowerer fleeting like a flee

Borboleta
Extravagante e travessa
Vagabunda transmutante qual um travesti

Composição de 1984.

 

Soneto de Glauco Mattoso dedicado a Carlos Rennó

#1199 SONETO DO AQUECIMENTO GLOBAL (para Carlos Rennó) [abril/2007]

Fallar de “aquecimento” ja não faz
apenas referencia ao jogador
de bola ou ao commercio: o divisor
das aguas é o que existe por detraz.

Agora de “emissão”, de “estufa” e “gaz”
se falla. Antigamente, o defensor
da Terra, em vez de guerra, fez amor,
foi “hippie” e “ecologista”… Hoje, é mordaz:

– Bem feito! Não fallei? Vocês diziam
que estavamos no mundo mais lunar!
Tardou, mas disso se penitenciam!

Si esperam do planeta algum logar
de vida e não de morte, não me riam
do rotulo: “Lar, agua doce lar”!

(Publicado no livro “Mil e uma línguas”, de 2008)

TEMA, FORMA E ESTILO EM CHICO BUARQUE

Em foco, fatores importantes no processo de criação de Chico, particularmente a sua poesia, como a correspondência entre seus versos e melodias e o status literário, paralelamente aos temas abordados (de implicações políticas, sociais, o lírico-amoroso, o “feminino”), de suas letras; o rimário sofisticado e a exploração da sonoridade. Aí se incluem tópicos como as aliterações criativas; os originais jogos lingüísticos; as relações de som e sentido, significado e significante; os sistemas rímicos eruditos, como os polifônicos; o virtuosismo no manejo dos versos. O compositor-letrista é situado, ao lado de Caetano Veloso, Cole Porter e Bob Dylan, entre os maiores compositores-letristas dos últimos cem anos. Partindo da abordagem das inventivas e magistrais combinações de palavras e sons que ele promove em suas canções, o curso destaca análises, entre outras, das seguintes canções: “Construção”, “O Futebol”, “Bancarrota Blues”, “Iracema Voou”, “A História de Lily Braun”, “O Que Será (À Flor da Pele)”, “Atrás da Porta”, “Bárbara”, “A Rosa”, “Paratodos” e “Flor da Idade”.

Carreira

– Carlos Rennó é letrista de música popular, produtor artístico e jornalista.

– Entre outras canções com letras suas, destacam-se: “Todas Elas Juntas Num Só Ser” (composta com e gravada por Lenine no CD “In Cittè” e por Ana Carolina em “Ensaio de Cores”); “Escrito nas Estrelas” (composta com Arnaldo Black e gravada por Tetê Espíndola); “Façamos” (versão de “Let’s Do It”, de Cole Porter, gravada por Chico Buarque e Elza Soares no CD “Cole Porter e George Gershwin – Canções, Versões” e tema de abertura da novela “Desejos de Mulher”, da Rede Globo); “To Be Tupi” (composta com e gravada por Lenine no CD “Na Pressão” e música-tema do filme “Caramuru”); “Mar e Sol” e “Sexo e Luz” (com Lokua Kanza, por Gal Costa, no CD “Hoje”); “Fogo e Gasolina” (com Pedro Luís, gravada por Roberta Sá e Lenine, no CD “Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria”); “Átimo de Pó” (com e por Gilberto Gil, no CD “Quanta”); e “Bem-Bom” (com Arrigo Barnabé e Eduardo Gudim, gravada por Gal Costa no disco “Bem-Bom”).

– Seus principais parceiros até hoje são Tetê Espíndola, Arrigo Barnabé, Lenine, Pedro Luís, Lokua Kanza, Chico César, Paulinho Moska e Arnaldo Black. O autor também já fez músicas com Gilberto Gil, João Bosco, Rita Lee, Tom Zé, Vicente Barreto, Marcelo Jeneci, Roberta Sá, Moreno Veloso, Ana Carolina, Gustavo Ruiz, Leo Cavalcanti, Zé Miguel Wisnik, Hermelino Neder, Eduardo Gudim, Walter Santos e Wilson Simoninha (mais parceiros, mais abaixo).

– Os cantores que mais gravaram canções com letras suas até hoje são Tetê Espíndola, Gal Costa, Roberta Sá, Lenine e Arrigo Barnabé. Vêm a seguir: Chico César e João Bosco; Ana Carolina, Carlinhos Brown, Elba Ramalho, Eliete Negreiros, Elza Soares, Flávio Henrique, Gilberto Gil, Ná Ozzetti, Ney Matogrosso, Paula Lima, Paula Morelenbaum, Sandra de Sá, Vania Bastos, Wilson Simoninha e Zélia Duncan.

– Outros intérpretes: Beto Lee, Caetano Veloso, Carlos Fernando, Cássia Eller, Chico Buarque, Dominguinhos, Ed Motta, Emilio Santiago, Erasmo Carlos, Fiorella Manoia, Jane Ducob, Jussara Silveira, Lô Borges, Luciana Souza, Maria Bethânia, Mariana Aydar, Maria Rita, Monica Salmaso, Moreno Veloso, MPB-4, Negra Li, Olivia Hime, Patricia Marx, Paula Toller, Paulinho da Viola, Sarajane, Sérgio Britto, Seu Jorge, Suzana Salles e Tom Zé.

– Em 2000, lançou, como produtor artístico e versionista, o CD “Cole Porter e George Gershwin – Canções, Versões” (Geléia Geral, 2000), com versões de sua autoria cantadas por nomes da MPB (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Elza Soares, Rita Lee, Tom Zé, Cássia Eller, Zélia Duncan, Sandra de Sá, Paula Toller, Ed Motta, Carlos Fernando, Jane Duboc, Jussara Silveira e Mônica Salmaso) e produção musical de Rodolfo Stroeter.

– Em 2005, recebeu, com seu parceiro Lenine, o prêmio Tim de “Canção do Ano”, pela composição “Todas Elas Juntas Num Só Ser”.

– Em 2009, lançou, como versionista e produtor artístico, o CD “Nego” com versões para o português de standards norte-americanos dos anos 20 a 40 do século passado, produção musical e arranjos de Jaques Morelenbaum e participação de Gal Costa, Erasmo Carlos, João Bosco, Elba Ramalho, Dominguinhos, João Donato, Maria Rita, Seu Jorge, Moreno Veloso, Carlinhos Brown, Gabriel o Pensador, Zélia Duncan, Paula Morelenbaum, Ná Ozzetti, Simoninha, Emilio Santiago e Olivia Hime; pela gravadora Biscoito Fino.

– Três canções e, por nove vezes, versões suas já integraram trilhas de novelas, a maioria da Rede Globo.

– Carlos Rennó é autor do livro “Cole Porter – Canções, Versões” (Paulicéia, 1991), com participações de Augusto de Campos, Caetano Veloso e Cláudio Leal Ferreira, e organizador de “Gilberto Gil – Todas as Letras” (Companhia das Letras, 1996; edição atualizada e ampliada, 2003).

– Tem textos publicados em livros de autoria coletiva como “Música Popular Brasileira Hoje” (da coleção “Folha Explica”; Publifolha, 2002; com um artigo sobre Caetano Veloso) e “Literatura e Música” (Senac São Paulo e Itaú Cultural; com o ensaio “Poesia literária e poesia de música: convergências”).

– Tem dezenas de artigos sobre música popular publicados em jornais (principalmente “Folha de S.Paulo”) e revistas (como “Bravo”), ao longo dos últimos trinta anos. Em 2001/2, escreveu os textos dos vinte sites (cada um sobre um compositor ou cantor da primeira metade do século vinte) da série “Os Inventores da Música Brasileira”, para o portal UOL.

– Entre 1994 e 1995, concebeu e produziu, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, duas séries de espetáculos. “Sempre-Novas” – 14 espetáculos sobre compositores brasileiros do passado, com Luiz Melodia (em show cantando Geraldo Pereira), Jorge Mautner (Wilson Batista), Itamar Assumpção (Ataulfo Alves) e Carlos Fernando (Ary Barroso), entre outros. E “Encontros com o Século XX” – de espetáculos sobre compositores eruditos de vanguarda, com músicos como Clara Sverner, John Boudler, Martha Herr, Luís Eugênio Afonso e Paulo Álvares.

– Em 1998, concebeu e produziu o CD “Canções do Divino Mestre”, encartado no livro “Canção do Divino Mestre” (Companhia das Letras, 1998), do poeta Rogério Duarte, com as participações de Arnaldo Antunes, Arrigo Barnabé, Belchior, Cássia Eller, Chico César, Elba Ramalho, Gal Costa, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Jussara Silveira, Lenine, Moreno Veloso, Siba e Tom Zé.

– Em 2004, no MIS-SP, foi curador e produtor da série “Estudos”, misto de palestra e show, sobre cantores e compositores do passado da música brasileira. Participaram, entre outros, Zélia Duncan (em apresentação sobre Aracy de Almeida), Tom Zé (João Gilberto), Max de Castro (Ataulfo Alves), Moreno Veloso (Assis Valente), Ná Ozzetti (Carmen Miranda) e Luiz Tatit (Dorival Caymmi).

– Em 2005, se responsabilizou pela pesquisa e pelo levantamento do repertório do disco de Gal Costa “Hoje”.

– Em 2006, apresentou (e roteirizou) o programa “Uma Vez, Uma Canção”, da TV Cultura, de São Paulo.

– No mesmo ano, concebeu e foi o diretor artístico do projeto “Pais e Filhos”, série de shows por unidades do Sesc de São Paulo em 2006-7 (com apresentações de Caetano e Moreno Veloso, Moraes Moreira e Davi Moraes, Edu e Bena Lobo, Ivan e Claúdio Lins, Beto, Gabriel e Ian Guedes, entre outros).

– Carlos Rennó já ministrou cursos, oficinas e palestras sobre canção popular em São Paulo e outras cidades (do interior de São Paulo e de outros estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Paraíba). De 2001 para cá, vem dando cursos, oficinas e workshops em eventos e locais como: Festival Brasil NoAr, na Universidade de Barcelona, Espanha; Jornada Literária de Passo Fundo-RS; Festival de Inverno de Bonito-MS; Conjunto Cultural da Caixa, em Brasília e em São Paulo; unidades do Sesc de Vila Mariana, da Pompeia, de Pinheiros e da Consolação, em São Paulo, e de Santos, São Carlos, Santo André, Araraquara, Piracicaba e Taubaté-SP; Instituto Cultural Itaú, Universidade Livre de Música, Museu da Imagem e do Som, Casa Guilherme de Almeida, Instituto Tomie Ohtake, Centro Universitário Maria Antonia (USP), USP (Faculdade de Letras), Fasm (Faculdade Santa Marcelina de Música) e O Beco, em São Paulo. Os temas têm variado, indo das convergências entre poesia literária e poesia de canção, tradução de poesia literária e versão de canção, às relações e ao casamento entre letras e músicas; de canções de Chico Buarque e Caetano Veloso a canções de Lupicínio Rodrigues.

– Outros parceiros de Carlos Rennó: Aldo Brizzi, Alzira Espíndola, Antonio Pinto, Arnaldo Antunes, Beto Lee, Beto Villares, Bozo Barretti, Celito Espíndola, Cid Campos, Geraldo Espíndola, Glauco Mattoso, Iara Rennó, João Cavalcanti, Jota Veloso, Kiko Dinucci, Luiz Tatit, Lula Queiroga, Mário Adnet, Mário Sève, Moraes Moreira, Nelson Ascher, Paçoca, Paulo Tatit, Peninha, Roberto de Carvalho, Rogério Duarte, Sandra de Sá, Sérgio Britto, Skowa, Vitor Ramil, Wagner Argolo, Zé Renato e Zeca Baleiro.

– Outros intérpretes: Alzira Espíndola, Camilo Frade, Drê, Elisa Paraíso, Lírio Selvagem, Patricia Talem, Regina Machado, Roberto de Carvalho, Tito Lys e Tuca Fernandes.

– Carlos Rennó nasceu em 1956, em São José dos Campos, estado de São Paulo. Nos anos 70 morou em Campinas e Campo Grande. Vive em São Paulo desde 1978. Formou-se jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, em 1985.

TEMA, FORMA E ESTILO EM GILBERTO GIL

A análise dos versos de Gil sob o aspecto sonoro, pondo em foco a criatividade de seu rimário – no qual sobressaem rimas de som e de sentido, raras e leoninas – e o alto nível de suas aliterações, ressaltando nestas as relações especiais entre signos e significados. São focalizadas, também, as relações de equivalência entre certas palavras cantadas e as notas correspondentes na melodia (isomorfismo verbomusical), além de jogos de palavras e ideias entre os versos. Enfim, uma série de procedimentos que colaboram para fazer de Gil um mestre da melopeia, a espécie de poesia impregnada de musicalidade, de nossos tempos. No repertório, canções como “Domingo no Parque”, “A Novidade”, “Palco”, “Metáfora”, “Punk da Periferia”, “Pessoa Nefasta”, “Se Eu Quiser Falar com Deus” e “A Linha e o Linho”, entre outras.

TEMA, FORMA E ESTILO EM CAETANO VELOSO

Em relevo, os elementos que colaboram para a riqueza formal e estilística na poética da obra de Caetano. Aspectos de suas letras como: a sonoridade, com destaque para o seu rimário rico, inventivo e sofisticado; para o emprego de aliterações e anagramas; de medidas poéticas clássicas e de formas de natureza vanguardista; as composições de palavras de inspiração joyceana; as citações poéticas cultas; as musicalizações de poemas concretistas; as relações de equivalência entre palavras e notas musicais. Enfim, uma série de procedimentos que concorrem para fazer de Caetano um grande mestre da melopeia, a espécie de poesia impregnada de musicalidade, de nossos tempos. Um artista que, atuando no âmbito da canção pop, rompe com os limites entre alta e baixa cultura, cultura popular e erudita, poesia e letra de música. Em pauta, canções como “Alegria, Alegria”, “A Tua Presença”, “Oração ao Tempo”, “London London”, “Sampa”, “Escândalo”, “Vaca Profana” e “Rapte-me, Camaleoa”, entre várias outras.

“Instantáneas / Instantâneos” (Mesósticos para Haroldo)

Publicado na exposição “Ocupação Haroldo de Campos – H Láxia”, no Instituto Itaú Cultural e na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em São Paulo, de fevereiro a abril de 2011

a partir do poema “Instantáneas”, de Octavio Paz,
e sua tradução, “Instantâneos”, de Nelson Ascher


            Horas
           yA
        maduRas
       pájarOs
          deL 
            Del 
            Otoño
            
            De
       corriEnte
            
         eléCtrica
     sorpresA
            Memoria
          coPa
         alcOba
         paíSes
            
            Hueso
         melAncolia
         tueRca
            Oxidada
          veLa
            Dormido
           pOlea
            
       párpaDos
           dEl
            
            Convalesciente
       lluviA
            Mesa
            Pensamiento
     pasadizO
         ecoS
            
            Húmeda
         enjAmbre
            Reflejos
           sObre
            La
      confunDidos
           lO
            
      enlazaDo
            Entrevisto
            
       invenCiones
           lA
            Memoria
         desPedidas
            Ojo
encarnacioneS
            
            Horas
           mAduras
       pássaRos
           cOmetas
          taLo
            Da
        búziO
            
        abanDonado
           mEmória
            
           oCeano
    petrificAdo
          nôMades
            Paralisia
      desertO
        imenSidões
            
          olHos
           sAngue
         entRe
           hOrtelã
          coLinas
            De
           sOmbras
            
            Da
           dE
            
       melanColia
          umA
       coroaM
        mariPosas
           sObre
          fuSelagem
            
           cHuva
      ligeirA
         sobRe
         aurOra
        janeLa
            Da
           cOnvalescente
            
            Da
           fEsta
            
            Chuva
           cAveira
            Mesa
            Pensamento
           cOrredor
         ecoS
            
           cHama
        úmidA
            Reflexos
           sObre
          enLaçado
  entrevistaDo
        razãO
            
            Despedidas
   encarnaçõEs
            
            Chamadas

O homem, a fêmea

O homem, a fêmea, o gêmeo, o gérmen
O hímen, o sémen, o ímã, o clímax
O pênis, o ânus, a Vênus, o Adônis
A fênix, o cóccix, a fúcsia, as núpcias
A púbis, a cútis, a dupla, a cópula
A pele, a pétala, o látex, o ápice
A perna, o esperma, o pasmo, o espasmo
O órgão, a gosma, o orgasmo, o cosmos

Musas de canções-cantadas às centenas

Jorge Ben Jor fez “Domingas” e provavelmente “Domingaz” e “Maria Domingas” para a mulher homônima, sua esposa. E desfiou a mais longa série de canções com nomes de mulher já lançada por um compositor brasileiro, inspirado sabe-se lá em quantas e quais figuras reais ou inventadas: Tereza, Bebete, Denise Rei, Ive Brussel, Comanche, Berenice, Gertrudes, Maria Luiza, Katarina, Bizância, Irene, Ana Tropicana, Lorraine, Jesualda, Barbarella, Aparecida, Terezinha, Zula, Palomaris, Magnólia, Adelita, Norma Jean, Dorothy, Luciana, Lady Benedicta, Mis X e Mona Lisa, além de Xica da Silva (a lendária figura da história do Brasil) e Rita Jeep (Rita Lee, ao que tudo indica).

Chico Buarque, vice-campeão nacional em canções contendo nomes próprios femininos, cantou Rita, Madalena, Carolina, Januária, Joana, Ana de Amsterdan, Bárbara, Terezinha, Angélica, Iracema, Lola, Nancy, Renata Maria, Rosa, outra Rosa, Lia, Lily Braun e Beatriz – esta última, segundo se imagina, para a atriz Marieta Severo, com quem foi casado. Duas receberam nomes de filhas suas e de Marieta: Sílvia e Helena. Uma, o de sua avó Cecília. Outra, o de sua irmã Cristina.

Gilberto Gil compôs duas das suas mais importantes canções para as duas mulheres mais importantes de sua vida e as nomeou com os nomes delas: Flora e Drão (apelido daquela que deu título ainda a uma outra música sua, “Sandra”).

Mais autobiográfico, Caetano Veloso, que dedicou “Irene” a uma irmã, também homenageou as duas mulheres com quem se casou em “Branquinha”, apelido de Paula Lavigne, e “Este Amor”, para Dedé Gadelha (que também ganhou “Minha Mulher”). E presenteou três atrizes com quem namorou com “Vera Gata”, para Vera Zimmerman, “Capte-Me Camaleoa”, para Regina Casé, e “Trem das Cores”, para Sônia Braga.

Outro que cantou a mulher (Mila, sutilmente citada no verso “Me lava a alma”), depois de Anna Julia: Marcelo Camelo, em “Samba a Dois”. Lenine também, em “Anna e Eu”. E a namorada: Chico Science, em “Risoflora”.

Outro cultor de musas nomeadas, Tom Jobim criou belas palavras e sons para Ângela, Lígia, Luiza, Ana Luiza, Dindi, Tereza e Gabriela (contrabandeada de Jorge Amado). Duas beldades, Helena e Nelita, inspiraram ao seu parceiro Vinicius de Moraes “Garota de Ipanema” e “Minha Namorada”, respectivamente. O poeta também escreveu “Gilda” para sua última mulher, a jornalista Gilda Mattoso.

Scarlet Moon foi cantada pelo marido Lulu Santos, com a participação de Rita Lee, na canção homônima. Erasmo Carlos também encontrou motivos na esposa, Nara, para criar “Superstar”. O mesmo se deu com seu parceiro de fé e irmão-camarada Roberto Carlos, a quem não faltou estímulos para trovar seu amor “sem limite” por Maria Rita.

Mais uma que foi cantada pelo marido, Paulo Cesar Pinheiro: a cantora Clara Nunes, em “Mineira” e em “Guerreira”. Baby Consuelo, pelo amigo e companheiro de Novos Baianos Luiz Galvão, em “Preta Pretinha” (na qual o grande letrista também aludiu sutilmente a uma namorada sua de nome Socorro, em “Só, somente Só / Assim vou lhe chamar,/ Assim você vai ser”). A poetiza Ledusha, por Ronaldo Bastos. E a celebridade Tiazinha, por Vinny.

Madalena serviu de mote para duas canções, uma de Martinho da Vila, uma de Ivan Lins – que, com Vitor Martins, também encontrou estímulos em Dinorá.

Lupicínio Rodrigues, autor confesso de canções-verdade com base em experiências amorosas reais, fez “Iná” e “Maria Rosa” inspirado em dois casos chamados… Iná e Maria Rosa. A união com Cerenita também foi celebrada em “Exemplo”. O mesmo ocorreu com Cartola, que deu para a sua Zica, como presente de casamento, “Nós Dois”.

Ceci, a maior paixão de Noel Rosa, lhe rendeu canções até pouco antes de morrer, quando ele fez “Último Desejo”. E a escurinha Izabel, a maior de Geraldo Pereira, rendeu a ele… “Escurinha” e “Izabel”.

Dorival Caymmi é outro grande cantor de nomes femininos: Anália, Rosa, Rosas, Doralice, Dora (segundo a lenda, uma prostituta do Recife) e uma das mais célebres musas do cancioneiro brasileiro: Marina. Outra dessas, Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago, foi de fato uma mulher de verdade: a lavadeira da cantora Aracy de Almeida. Mas não é muito provável que Rosa, de Pixinguinha e Otavio de Souza, tenha se baseado numa figura real.

Luiz Gonzaga: Rosinha, Ana, Xandu. Lamartine Babo: Joux Joux. Ari Barroso: Maria. Assis Valente: Maria Boa. João de Barro: Mimi, Laura, Chiquita Bacana. Wilson Batista: Emília. Herivelto Martins: Izaura, Odete. E Joubert de Carvalho: Maringá.

Jair Amorim: Conceição. E Adoniran Barbosa: Iracema.

Antonio Adolfo: Sá Marina.

Tim Maia e Carlos Imperial: Cristina. Walter Franco: Iara. E Sidney Magal: Sandra Rosa Madalena.

Cazuza: Beth Balanço. Fausto Fawcett: Kátia Flávia.

Todos deram suas cantadas.

Todos usaram a canção para dar grandes cantadas. Muitos, para dar grandes cartadas.

Atrás de um grande cantor-poeta-compositor há sempre o nome de uma musa? Ou na frente de um a imagem de uma?

Pseudodoublet 2

GILBERTOGIL / LUIZGONZAGA

GILBERTOGIL
GIL BERTOGIA
LIL BERTO GIA
LIL ZERTO GIA
LIL ZERTZ GIA
LIL ZERTZ AIA
LIL ZERTZAGA
LIL ZERNZAGA
LIL ZEONZAGA
LULZEONZAGA
LULZGONZAGA
LUIZGONZAGA

Pseudodoublet 1

LAMARTINE BABO / RITA LEE JONES

LAMA_TINE_BABO
LAMA_LINE_BABO
LAMA_LENE_BABO
LAMA_LENE_OABO
LAMA_LENE_OMBO
LAMA_LENEJOMBO
LAMA_LEN_JOMBO
LAMA_LEE_JOMBO
LAMA_LEE_JONBO
LAMA_LEE_JONBS
LAMA_LEE_JONES
LATA_LEE_JONES
RATA_LEE_JONES
R ITA_ LEE_JONES