Pássaro Sobre O Cerrado

Pássaro sobre o cerrado

Sua vida suave sabe o canto

E o corte sem saber

Do veneno que pode com o vento

Minar seu alimento

Ser que voa pelo ar com sol

Acima de qualquer mal

Lembrando apenas

Viver vale a pena

Um pássaro encerrado eu sinto

Alça voo consigo

Pássaro sobre o cerrado

Sua desaparição não tem nada a ver

A não ser como agora

Para o sul na lonjura azul

Alça voo consigo

Pássaro sobre o cerrado

Sua desaparição não tem nada a ver

A não ser como agora

Para o sul na lonjura azul

Caucaia

Caucaia do Alto tomara

Sua cara reserva

Não caia por terra

E os aviões aportem

Noutro cais de asfalto

Caucaia do alto tomara

Sua cara reserva

Não caia por terra

E os aviões aportem

Noutro cais de asfalto

Cipós, pica-paus e serrapilheira

Represa, floresta, beleza nativa

É preciso ver que isso tudo

A duras penas dança, gira e gera vida

Apenas pura

Caucaia do alto tomara

Sua rara mancha derradeira

Na região não caia na mão

Das empreiteiras

Cipós, pica-paus e serrapilheira

Represa, floresta, beleza nativa

Pode parecer brincadeira

Mas isso tudo é tão bom

Como também é o avião

Na Catarata

Eu sou um bicho pequeno aqui na rocha

Eu tenho a terra e não penso em doma-la

A roça grande é um mundo de raiz

Gerando sangue, muito verde por aqui

Tudo de bom

Tá parado no musgo

Tá mexendo nas folhas

Volando com las maripossas ai, ai!

E no som da catarata

Laraiá laraiá laiá, laraiá laiá, laraiá laiá

Eu sou um bicho grudado aqui na rocha

De carrapicho de monte nas botas

Eu tenho o braço estendido para mata

Olhando as coisas sem saber de nada

Tudo de bom tá parado no musgo

Tá mexendo nas folhas

Volando com las mariposas ai, ai!

E no som da catarata

laraiá laraiá laiá, laraiá laiá, laraiá laiá

Curva do Rio

Era noite e sentamos na curva do rio
Como num sonho perdido eu vi de quem era filho

Calma iluminavam as nuvens tranquilas
E a sinfonia de grilos por ali

Matos, murmúrios e um canto índio em mim
Na areia branca

Mergulhei uma hora nas águas do rio
Na densa correnteza reluzindo
Em nados e risos, e risos
Rios, rios, rios…

Rio tranquilo, arrepio de frio
Gosto primitivo no corpo do rio
Rio infinito
Rio infinito
Rio infinito…

Mergulhei uma hora nas águas do rio
Na densa correnteza reluzindo
Em nados, em nados, e risos, e risos
Rio!


Rio tranquilo, arrepio de frio
Gosto primitivo no corpo do rio
Rio infinito
Rio, rio infinito, rio!

*

Composta em meados dos anos 1970