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O Que É Esse Tal de Amor (What Is This Thing Called Love)

O que é esse tal de amor?
Gozado, o tal de amor.
Ao seu mistério quem dá fim?
Por que me faz de bobo assim?

Num dia azul, você me surgiu;
Meu coração, pegou e partiu.
Por isso eu peço aos céus: “Me diz, meu Senhor,
O que é esse tal de amor?”

*

What Is This Thing Called Love

What is this thing called love?
This funny thing called love?
Just who can solve its mystery?
Why should it make a fool of me?

I saw you there one wonderful day;
You took my heart and threw it away.
That’s why I ask the Lord, in Heaven above:
“What is this thing called love?”

Ah, Não Me Diga! (Well, Did You Evah!)

Quando num festão de classe alta
Alguém dá-lhe notícia má,
Não mostre que algo o sobressalta,
Nem comece a lamentar.

Por exemplo, conte-me algo horrível,
Grave, triste, e eu aí
Mostro como é que um rapaz de alto nível
Deve agir.

– Tá sabendo da enchente
Lá no Sul, ontem, de repente?
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Pobre Blanco, em pleno lanche,
Foi levado na avalanche!
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

Que ares, que ilha!
Que maravilha!
É tudo! É top!
É agro! É pop!
Que queijo, opa!
Que peixe, que sopa!
Que massa, que mesa!
– Um momento, por fineza:

Tio João não lembrou de abrir
Seu paraquedas até cair…
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Tia Suzi diz que o neto
É moreno, mas ele é preto…
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

– Um asteroide vem aí;
Com a Terra vai colidir.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
–Você viu que a vó Lulina
Em vez de mel tomou cloroquina?
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

Que daiquiris!
Que vinho! Bis!
Champanhe francês!
Borgonha, xerez!
Conhaque? Sim!
Que uísque, tim-tim!
Que gim, que cerveja!
– Fique sóbrio só, e veja:

Professor comeu a esposa
E desistiu da leguminosa.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– No arrastão que lá rolou
Roubaram Stela no bar do Astor.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

– Ed, que nunca se mostra,
Apareceu num viveiro de ostra.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Lila Lee calhou de estar
Onde o raio caiu, que azar!
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

É foda, é fino,
É tão divino.
É vip, é bom,
Vinicius e Tom!
Que diz-que-diz!
Que moço, que miss!
Que chiste, que ambiente!
– Mas aqui só entre a gente:

Seu Messias, sem noção,
Foi pro mei´ da aglomeração.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Em seu Porsche, o pobre Eloi
Durmiu na ponte Rio-Niterói.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

– Tá sabendo que a Garcez
Tomou dez e pirou de vez?
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Capitão Jair, demente,
Só tem minhoca na sua mente.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

É show, é chique,
É Fashion Week!
É Shangri-la!
É só classe A!
Que trajes! Cliques!
Que joias, que apliques!
Que humor, que glamour!
– Esta é de matar, chuchu:

Já não vemos a Manu;
Caiu nas águas do Iguaçu.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Sabe do tenente Cid?
Tá entubado, pegou Covid.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

– Você viu que nesse clã
Sou um homem sem nenhum fã?
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Você viu o jovem Jô?
Foi traído por seu amor.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

Que granfo, que infra!
Que grifes, que chinfra!
Que graça, oh!
É um luxo só!
Champanhe francês!
Tão bom pro freguês!
E a banda, demais!
– Não se abale, meu rapaz…

A Amazônia nesse mês
Arde em chamas mais uma vez!
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!
– Você viu? Vai ser o caos,
Quando a Terra aquecer dois graus.
– Ah, não me diga!
Ah, que festa classe A!

*

Well, Did You Evah!

When you´re out in smart society
And you suddenly get bad news,
You mustn´t show anxiety
And proceed to sing the blues.

For example, tell me something sad,
Something awful, something grave,
And I´ll show you how a Racquet Club lad
Would behave.

– Have you heard the coast of Maine
Just got hit by a hurricane?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard that poor, dear Blanche
Got run down by an avalanche!
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

It´s great, it´s grand.
It´s Wonderland!
It´s top, it´s first;
It´s DuPont, it´s Hearst!
What soup, what fish.
That meat, what a dish!
What salad, what cheese!
– Pardon me one moment, please:

Have you heard that Uncle Newt
Forgot to open his parachute?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Old Aunt Susie just came back
With her child and the child is black.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

– Have you heard it’s in the stars
Next July we collide with Mars.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard that Grandma Doyle
Thought the Flit was her mineral oil?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

What daiquiris!
What sherry! Please!
What Burgundy!
What great Pommery!
What brandy, wow!
What whiskey, here’s how!
What gin and what beer!
– Will you sober up, my dear?

Have you heard Professor Munch
Ate his wife and divorced his lunch?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard that Mimsie Starr
She got pinched in the Astor bar?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

– Have you heard that poor old Ted
Just turned up in an oyster bed?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Lily Lane has lousy luck,
She was there when the light´ning struck.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

It´s fun, it´s fine,
It´s too divine.
It´s smooth, it´s smart.
It´s Rodgers, it´s Hart!
What debs, what stags!
What gossip, what gags!
What feathers, what fuss!
– Just between the two of us:

Reggie´s rather scatterbrained,
He dove in when the pool was drained.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Mrs. Smith in her new Hup
Crossed the bridge when the bridge was up.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

– Have you heard that Mrs. Cass
Had three beers and then ate the glass?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard that Captain Craig
Breeds termites in his wooden leg?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

It´s fun, it´s fresh,
It´s post-Depresh.
It´s Shangri-la.
It´s “Harper´s Bazaar”!
What clothes, what chic!
What pearls, they´re the peak!
What glamour, what cheer!
– This will simply slay you, dear:

Kitty isn´t paying calls,
She slipped over Niagara Falls.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard that Mayor Hague
Just came down with bubonic plague?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

– Have you heard among this clan
I am called “The Forgotten Man”?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard the story of
Dexter boy being gypped by love?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

What frails, what frocks!
What furs, what rocks!
What gaiety!
It’s all too exquis!
That French champagne!
So good for the brain!
That band, it’s the end!
– Kindly don’t fall down, my friend.

Have you heard that Mrs. Cass
Had three beers and then ate the glass?
– Well, did you evah!
What a swell party this is.
– Have you heard it’s in the stars
Next July we collide with Mars.
– Well, did you evah!
What a swell party this is.

Olhe a Etiqueta (It Ain´t Etiquette)

Essa Gloria Kalil,
Que já tem um perfil
Finérrimo,
Por um alto cachê
Fez um livro que é
Chiquérrimo.
E esse seu abecê
Da etiqueta, você,
Só de vê-lo, viu,
Vai poder coabitar
Com os chiques que há
No Brasil.

Por exemplo, os Guimarães.

Se você vê do lado a Gisele Bündchen,
Não congele nem se derreta;
Peça um só autógrafo, não uns vinte, hem…
Olhe a etiqueta.
Se um amigo lhe empresta algum DVD,
Uma nota ou uma caneta,
Não esqueça que deve lhe devolver;
Olhe a etiqueta.
Se num rosto se notam alguns retoques,
E nenhuma emoção o afeta;
Não pergunte se a dona botou Botox…
Não é fino,
Não é chique;
Olhe a etiqueta.

Numa festa de finos e figurões,
Dirigindo-se ao toalete,
Não infeste a parede com palavrões;
It ain´t etiquette.
Quando à mesa, não fale de depressão,
De dureza nem de dieta,
De doença, nem faça doutrinação;
Olhe a etiqueta.
Se uma moça, de doces tão ávida,
Aumentou sua silhueta,
Não pergunte se a moça tá grávida…
Não é fino,
Não é chique;
Olhe a etiqueta.

Quando alguém lhe revela que é – OK,
Não lhe diga, que nem careta:
“Eu não ligo, até tenho um amigo gay…”
Olhe a etiqueta.
Se o convite impõe traje clássico,
Não convém ir de camiseta;
Mas se quer transgredir, ponha um básico –
E olhe a etiqueta.
Se um aluno da PUC se amarra em seu look
E o agarra pela jaqueta,
Nem por isso o chame de filho da PUC;
Não é fino,
Não é chique;
Olhe a etiqueta.

*

It Ain´t Etiquette

Missus Emily Post,
Who they tell me is most
Reliable,
For a helluva sum
Wrote a book that´s become
My Bi-able.
And if only you look
At that Etiquette book
Of dear Emily´s,
You can co-habitate
With America´s great
Families.

Now, for instante, Snooks,

If you meet J.P. Morgan while playing golf,
With the Long Island banking set,
Don´t greet him by tearing your girdle off;
It ain´t etiquette.
When invited to hear from an op´ra box
Rigoletto´s divine quartet,
Don´t bother your neighbors by throwing rocks.
It ain´t etiquette.
When your´re asked up to dine by some mean old minks
And a meat ball is all you get,
Never say to your hostess: “This dinner stinks”;
It ain´t smart,
It ain´t chic,
It ain´t etiquette.

On arriving in one of those White House Balls,
While you´re touching up your toilette,
Don´t write smutty jokes on the bathroom walls;
It ain´t etiquette.
When the Chinese Ambassador´s wife unfurls
After three drinks of anisette,
Don´t ask if it´s true about Chinese girls;
It ain´t etiquette.
If you thought you were gypped at the fair last year
And that Grover is just all wet,
Don´t suggest that he does with the Perisphere;
It ain´t smart,
It ain´t chic,
It ain´t etiquette.

If a very proud mother asks you what you think
Of her baby in the bassinette,
Don´t tell her he looks like the missing link;
It ain´t etiquette.
You you´re asked up to tea at Miss Flinch´s school
By some little Violet,
Don´t pinch poor Miss Flinch in the vestibule;
It ain´t etiquette.
If you´re swimming at Newport with some old leech
And he wrestles you while you´re wet,
Don´t call him a sono f a Bailey´s Beach;
It ain´t smart,
It ain´t chic,
It ain´t etiquette.

Ser Milionário, Quem Não Quer? (Who Wants to Be a Millionaire?)

— Quem tem tesão
Em ter um trilhão?
— Quem quer pra já
Muitos bens herdar?
— Quem quer levar
A vida fácil dos
Que se inundam de luxos necessários?

— Ser milionário, quem não quer?
— Eu não.
— Ter empregados de libré?
— Eu não.
— Casa na praia pra passar o verão?
— Que praia, verão!?
Detesto! Eu não.
— Quem quer se encher de caviar?
— Eu não.
— Carro caríssimo importar?
— Eu não.
— Piscina em mármore (que chiquê!)?
— Eu não,
Que tudo
Que eu quero é você.

— Ser milionário, quem não quer?
— Eu não.
— Quem quer ter ouro de colher?
— Eu não.
— Uma jornada num gigante iate?
— Se eu quero um iate?
Oh que disparate!
— Quem quer nadar num bom champanhe?
— Eu não.
— Quem quer um jato que o apanhe?
— Eu não.
— Ter um aeroporto privê?
— Eu não,
Que tudo
Que eu quero é você.

— Ser milionário, quem não quer?
— Eu não.
— Pra fazer tudo que aprouver?
— Eu não.
— Quem quer andar de carro e ter um chofer?
— Em ter um chofer
Nem sonho sequer!
— Na ópera num camarote…
(— Eu não.)
— Dormir ouvindo um Pavarotti?
— Eu não.
— Ter joias e relógios Cartier?
— Eu não,
Que tudo
Que eu quero é você.


Variantes:
(*) — Piscina em mármore São Tomé?

*

Who Wants to Be a Millionaire?

— Who has an itch
To be filthy rich?
— Who gives a hoot
For a lot of loot?
— Who longs to live
A life of perfect ease
And be swamped by necessary luxuries?

— Who wants to be a millionaire?
— I don’t.
— Have flashyflunkeys ev’rywhere?
— I don’t.
— Who wants the bother of a country estate?
— A country estate
Is something I’d hate!
— Who wants to tire of caviar?
— I don’t.
— Who wants a fancyforeign car?
— I don’t.
— Who wants a marble swimming pool too?
— I don’t.
And I don’t,
‘Cause all I want is you.

— Who wants to be a millionaire?
— I don’t.
— Who wants uranium to spare?
— I don’t.
— Who wants to journey on a gigantic yatch?
— Do I want a yatch?
Oh, how I do not!
— Who wants to wallow in champagne?
— I don’t.
— Who wants a supersonic plane?
— I don’t.
— Who wants a private landing field too?
— I don’t.
And I don’t,
´Cause all I want is you.

— Who wants to be a millionaire?
— I don’t.
— And go to ev ‘ry swell affair?
— I don’t.
— Who wants to ride behind a liv’ried chauffeur?
— A liv’ried chauffeur?
Do I want? No, sir!
— Who wants an op’ra box, I’ll bet?
— I don’t.
— And sleep through Wagner at the Met?
— I don’t.
— Who wants to corner Cartier’s too?
— I don’t.
And I don’t,
‘Cause all I want is you.

Fiel a Você à Minha Moda (Always True To You In My Fashion)

É uma flor o rei do aço;
Mil presentes com um laço
O ricaço
rei do aço
já me deu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Ao Fasano, um ano faz,
Vou com o chefão do gás;
Ao rapaz
não falta gás
lá no hotel;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Coronel Ubiracy
Me mandou um cheiro aqui;
Sendo um cheiro que
Rende um Cherokee,
Valeu!
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sempre sou fiel a você de um modo meu.

Deputado federal
Quer me ver na Capital;
Se pra tal
há capital,
pra lá vou eu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Tem um craque em destaque
Que também é bom de saque;
Quando o craque
vem pro ataque,
aí… fodeu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda,
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Um pastor da Universal
Diz que tem poder verbal;
Mais que verbo, o tal
Uma verba tal
Me deu!
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sempre sou fiel a você de um modo meu.

Ontem vim a conhecer
Um banqueiro de SP;
“De SP”
diz que o prazer
foi todo seu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Rei da soja e outro grão,
Me frequenta o Henricão;
Grana e grão,
o Henricão
tem a granel;
Mas eu sou fiel a você à minha moda,
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Jovem rico, sexy, chique,
Quer levar-me à Fashion Week;
Me mantendo chique
E mantendo o pique,
OK!
But I’m always true to you, darling, in my fashion;
Yes I’m always true to you, darling, in my way.

A julgar por um juiz,
São supremos meus quadris;
Por um bis,
esse juiz
me enriqueceu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

O Seu Jorge quer fazer
Por meu quarto uma turnê;
Se a turnê
rende um apê,
o quarto é seu;
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

Um publicitário bem-
-Sucedido me sustém;
Me concede bens,
Seu Mercedes-Benz
E o céu!
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sempre sou fiel a você de um modo meu.

*
Variante:
(*) Cauã Raymond

Variante de estrofe:

É uma jóia um marajá;
Para eu parecer seu par,
Ele já
me deu colar,
pulseira, anel…
Mas eu sou fiel a você à minha moda;
Sim, eu sou fiel a você de um modo meu.

*

Always True To You In My Fashion

If a custom-tailored vet
Asks me out for something wet,
When the vet
begins to pet,
I cry “Hooray!”
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


I enjoy a tender pass
By the boss of Boston, Mass.,
Though his pass
is middle-class
and notta Backa Bay.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.

There’s a madman known as Mack
Who is planning to attack,
If his mad attack
Means a Cadillac,
Okay!
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


I’ve been asked to have a meal
By a big tycoon in steel,
If the meal
includes a deal,
accept I may.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


I could never curl my lip
To a dazzlin’ diamond clip,
Though the clip
meant “let ‘er rip”,
I’d not say “Nay!”
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


There’s an oil man known as Tex
Who is keen to give me checks.
And his checks, I fear,
Means that sex is here
To stay.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


There’s a wealthy Hindu priest
Who’s a wolf, to say the least,
When the priest
goes too far east,
I also stray.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


There’s a lush from Portland, Ore.,
Who is rich, but sich a bore,
When the bore
falls on the floor,
I let him lay
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


Mister Harris, plutocrat,
Wants to give my cheek a pat,
If the Harris pat
Means a Paris hat,
Bébé, Oo-la-la!
Mais je suis toujours fidèle, darlin’, in my fashion,
Oui, je suis toujours fidèle, darlin’ in my way.


From Ohio Mister Thorn
Calls me up from night ‘til morn,
Mister Thorn
once cornered corn
and that ain’t hay.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


From Milwaukee Mister Fritz
Often moves me to the Ritz,
Mister Fritz
is full of Schlitz
and full of play.
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.


Mister Gable, I mean Clark,
Wants me on his boat to park,
If the Gable boat
Means a sable coat,
Anchors aweigh!
But I’m always true to you, darlin’, in my fashion,
Yes, I’m always true to you, darlin’, in my way.

Vendo Amor (Love For Sale)

Quando o som na rua vazia é
Do pesado passo, o pesado pé
De um bonito PM só,
Abro o brechó.

Quando a lua já com o olhar varreu
Cada rua ao léu da cidade ao léu
E um sorriso amarelo dá,
Vou trabalhar.

Vendo amor,
Desejável, jovem amor.
Fresco, novo e não passado,
Levemente só manchado… –
Vendo amor.

Vem comprar…
Quem do meu produto vai provar?
Preparado pra pagar
Pra no paraíso dar?
Vendo amor.

O poeta canta o amor
De um modo infantil.
Eu conheço tanto o amor,
E de tipos mil.

Pra quem quer frisson no amor,
Sofri pra ser bom no amor;
Claro, escuro –
Todos, só não puro.

Vendo amor,
Desejável, jovem amor.
Se o negócio te agrada,
Vem comigo e sobe a escada.
Vendo amor.

Pra quem quer frisson no amor,
Sofri pra ser bom no amor;
Claro, escuro –
Mas amor no duro.

Vendo amor,
Desejável, jovem amor.
Se o negócio te agrada,
Vem comigo e sobe a escada.
Vendo amor.

VENDO AMOR!

*

Love For Sale

When the only sound in the empty street
Is the heavy tread of the heavy feet
That belong to a lonesome cop,
I open shop.


When the moon so long has been gazing down
On the wayward ways of this wayward town,
That her smile becomes a smirk,
I go to work.


Love for sale,
Appetising young love for sale.
Love that’s fresh and still unspoiled,
Love that’s only slightly soiled,
Love for sale.


Who will buy?
Who would like to sample my supply?
Who’s prepared to pay the price
For a trip to paradise?
Love for sale.


Let the poets pipe of love
In their childish way,
I know every type of love
Better far than they.


If you want the thrill of love,
I’ve been through the mill of love;
Old love, new love,
Every love but true love.


Love for sale,
Appetising young love for sale.

If you want to buy my wares.
Follow me and climb the stairs
Love for sale.


Love for sale!

Sou Um Gigolô (I´m A Gigolo)

Saibam todos que eu sou
Um famoso gigolô.
De lavanda, meu caráter tem uma gota só.
Como eu sou meio sem sexo,
Vocês vão me ver anexo
A uma viúva por dinheiro só, nunca por xodó.

Num daqueles bares notórios,
Esticando meus suspensórios,
Puxo as damas mais ilusórias do pedaço.
Mas confesso que afinal
Eu às vezes fico mal
E pergunto a mim como é que eu faço o que faço.

Uma flor que floreia no inverno
E que afunda na neve é o que eu sou.
Um bebê que ao invés
De mãe, tem o jazz.
Sou um gigolô.

De manhã, no final da labuta,
Pro meu quarto incensado eu vou;
Pego o espelho e o gim,
E olho pra mim –
Sou um gigolô.

No Natal sem flor,
Louras sem cor
Dão-me ações de falso quilate.
Sou tão-só um cão
De estimação
De quem só lembra o alfaiate.

Vendo o trato que a dama dispensa
Ao marido, fiel provedor,
Ninguém pode estranhar
Por graças eu dar
Por ser gigolô.

*

I´m A Gigolo

I should like you all to know,
I’m a famous gigolo.
And of lavender, my nature’s got just a dash in it.
As I’m slightly undersexed,
You will always find me next
To some dowager who’s wealthy rather than passionate.


Go to one of those night club places
And you’ll find me stretching my braces,
Pushing ladies with lifted faces ‘round the floor.
But I must confess to you
There are moments when I’m blue,
And I ask myself whatever I do it for.


I’m a flower that blooms in the winter,
Sinking deeper and deeper in snow.
I’m a baby who has
No mother but jazz,
I’m a gigolo.


Ev’ry morning, when labor is over,
To my sweet-scented lodgings I go,
Take a glass from the shelf
And look at myself,
I’m a gigolo.


I get stocks and bonds
From faded blondes
Ev’ry twenty-fifth of December.
Still I’m just a pet
That men forget
And only tailors remember.


Yet when I see the way all the ladies
Treat their husbands who put up the dough,
You cannot think me odd
If then I thank God
I’m a gigolo.

Calor do Cão (It’s Too Darn Hot)

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero comer com meu broto de noite;
Comparecer pro meu broto de noite.
Quero comer com meu broto de noite;
Comparecer pro meu broto de noite.
Mas vou dever pro meu broto de noite
Num calor do cão.

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero curtir com meu broto de noite
E transgredir com meu broto de noite.
Quero curtir com meu broto de noite
E transgredir com meu broto de noite.
Mas vou dormir sem meu broto de noite
Num calor do cão.

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero parar pro meu broto de noite,
Poder pirar com meu broto de noite.
Quero parar pro meu broto de noite,
Poder pirar com meu broto de noite.
Mas vou brochar com meu broto de noite,
Num calor do cão.

De acordo com pesquisa no ar,
Todo simples homem vai
Preferir seu par no amor procurar
Quando a temperatura cai.
Mas quando o termômetro sobe, pá!,
E o tempo é um calorão,
Seu Adão pra
Eva não tá,
Tá não,
Num, num, num calor do cão,
Calor do cão!
Calor do cão!

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero cruzar com meu broto de noite,
Barbarizar com meu broto de noite.
Quero cruzar com meu broto de noite,
Barbarizar com meu broto de noite.
Mas não bisar com meu broto de noite
Num calor do cão.

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero um local com meu broto de noite;
Me dar, total, pro meu broto de noite.
Quero um local com meu broto de noite;
Me dar, total, pro meu broto de noite.
Mas vou dar tchau pro meu broto de noite
Num calor do cão.

Calor do cão.
Calor do cão.
Quero um xodó com meu broto de noite,
Borogodó com meu broto de noite.
Quero um xodó com meu broto de noite,
Borogodó com meu broto de noite.
Mas, brother, tó o meu broto de noite,
Num calor do cão.

De acordo com pesquisa no ar,
Todo simples homem vai
Preferir seu par no amor procurar
Quando a temperatura cai.
Mas quando o termômetro sobe, pá!,
E o tempo é um calorão,
O seu Gama à
Sua dama, (*)
Um PM, à
Alma-gêmea,
Um juiz,
À sua flor-de-lis, (**)
Diz não,
Num, num, num calor do cão,
Calor do cão,
Calor do cão!


Variantes:
(*) João-ninguém
Pro seu bem,
(**) Seu Manuel
Pro seu pão-de-mel

*

It’s Too Darn Hot

It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to sup with my baby tonight
And play the pup with my baby tonight. (*)
I’d like to sup with my baby tonight
And play the pup with my baby tonight,
But I ain’t up to my baby tonight,
‘Cause it’s too darn hot.


It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to fool with my baby tonight,
Break ev´ry rule with my baby tonight.
I’d like to fool with my baby tonight,
Break ev´ry rule with my baby tonight,
But, pillow, you´ll be my baby tonight
‘Cause it’s too darn hot.


It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to stop for my baby tonight
And blow my top with my baby tonight.
I’d like to stop for my baby tonight
And blow my top with my baby tonight,
But I´d be a flop with my baby tonight,
‘Cause it’s too darn hot.


According to the Kinsey report
Every average man you know
Much prefers to play his favorite sport (**)
When the temperature is low.
But when the thermometer goes ´way up
And the weather is sizzling hot,
Mister Adam,
For his madam, (***)
Is not,
‘Cause it’s too, too, too darn hot,
It’s too darn hot,
It’s too darn hot!


It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to meet with my baby tonight,
Get off my feet with my baby tonight.
I’d like to meet with my baby tonight,
Get off my feet with my baby tonight,
But no repeat with my baby tonight,
‘Cause it’s too darn hot.


It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to call on my baby tonight
And give my all to my baby tonight.
I’d like to call on my baby tonight
And give my all to my baby tonight,
But I can´t play ball with my baby tonight,
‘Cause it’s too darn hot.


It’s too darn hot.
It’s too darn hot.
I’d like to coo with my baby tonight
And pitch some woo with my baby tonight.
I’d like to coo with my baby tonight
And pitch some woo with my baby tonight,
But, brother, you bite my baby tonight,
‘Cause it’s too darn hot.


According to the Kinsey report
Every average man you know
Much prefers to play his favorite sport,
When the temperature is low.
But when the thermometer goes ´way up
And the weather is sizzling hot,
Mister Gob
For his squab,
A marine
For his queen,
A GI
For his cutie-pie
Is not,
‘Cause it’s too, too, too darn hot,
It’s too darn hot,
It’s too darn hot!


Variantes:
(*) Refill the cup with my baby, tonight
(**) Much prefers his lovey dovey to court
(***) Mister Pants
For romance

Experimente (Experiment)


Experimente –
Tome esse mote pra você.
Experimente –
E logo à luz você vai ter.

Maçã que tá no topo do pé
Tão longe do chão não se eleva;
Então pegue o exemplo de Eva:
Experimente.

Curioso, sim!
Que alguns amigos digam não.
Furioso, sim,
Reprove cada repressão.

Aplique dia a dia esse plá,
E o tempo alegria e prazer lhe trará
Eternamente.
Experimente –
E verá.

*

Experiment

Experiment,
Make it your motto day and night.
Experiment,
And it will lead you to the light.


The apple on the top of the tree
Is never too high to achieve,
So take an example from Eve:
Experiment.


Be curious,
Though interfering friends may frown;
Get furious
At each attempt to hold you down.


If this advice you always employ,
The future can offer you infinite joy
And merriment.
Experiment,
And you’ll see.

Se

(Ennio Morricone)
(versão de Carlos Rennó)

Se tu visses com meus olhos por um dia
Verias a beleza que é plena de alegria

Que eu vejo lá nos olhos teus
Não sei se é magia ou é real

Se meu coração tu visses por um dia
Virias a ter uma ideia
Daquilo que eu sinto

Quando me abraças forte em ti
E peito a peito nós
Respiramos juntos

Protagonista desse amor
Não sei se é magia ou é real

Se tu fosses à minh’alma por um dia
Verias o que sinto em mim
Que me enamorei

Daquele instante junto a ti
O que eu sinto é
Tão somente amor



(Ennio Morricone)

Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d’allegria

Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se è magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un’idea,
Di ciò che sento io

Quando m’abbracci forte a te
E petto a petto, noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me,
Che m’innamorai

Da quell’istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

Todas Elas Juntas Num Só Ser – Número 2



Não canto Ive Brussel, Denise Rei,
Dumingaz, Rita Jeep de Ben Jor;   
Não canto a moça do galante Wando,
Nem canto a aeromoça de Belchior;
Nem Sarah nem a baby-blue de Dylan,
Nem Sally nem a doce Jane, de Lou;
Nem Angie nem a Lady Jane de Jagger;
Nem Scarlet Moon de Lee e de Lulu.

De Simon, nem Cecilia e Mrs. Robinson:
Só deixam minha lista mais extensa;
Nem la femme, l´amour de Reginaldo;
Nem la belle de jour de Alceu Valença;
De Assis Valente, nem Maria Boa;
De Lupicínio, nem Maria Rosa;
De Zé Ramalho, nem a mulher-frevo
Nem a nova, bonita e carinhosa.

Só você,
Hoje eu canto só você,
Só você,
Nem uma outra mais tem meu querer.

E danem-se Diana, de Paul Anka;
A falsa loira, de João Bosco e Aldir Blanc;
De Samuel Rosa com Chico Amaral,
A tal garota nacional, do Skank;
E Ruby e Georgia, musas de Ray Charles,
E Ruby, joia de Thelonious Monk,
E Ruby Tuesday, outra de Mick Jagger –
Além das tais mulheres honky-tonk;

Maria e mais Maria solidária,
De Milton Nascimento com Fernando Brant;
Maria, a escandalosa e a Candelária,
De Klécius Caldas com Armando Cavalcanti;
E de Caetano, para Cássia Eller,
A criatura, a gata extraordinária,
Como a menina do anel de lua
E estrela de Vinícius Cantuária.

Só você,
Eu sou quem flama, chama por você;
Só você,
Meu sal, meu mel mesclado com dendê.

Nem Sá Marina, de Gaspar e Adolfo,
Nem Dinorá, de Vitor com Ivan;
Izaura, de Herivelto com Roberti;
Clarice, de Caetano e Capinan;
Da miss de Bosco e Blanc, a Miss Suéter,
À de Roberto e Rita, a Miss Brasil 2000;
Nem Mabellene e a sixteen, de Chuck Berry;
De Little Richard, nem miss Molly nem Lucille.

E nem a mariposa de Adelino
E nem a marcianita de Alderete
E nem a moreninha de Zé Rico
E nem a mascarada de Elton e Zé Kéti
E nem a Colombina de Ed Motta
E nem a Cinderela de Rossini           
E nem a burguesinha de Seu Jorge
E nem a Tiazinha – uh! – de Vinny!

Só você,
Eu hoje elevo e louvo só você,
Só você,
Que eu clamo e que eu declamo como o quê.

Da brasileira de Benito à espanhola
De Guarabyra e Venturini em dupla,
Nem a mineira de Nogueira com Pinheiro,
Nem a garota de Berlim de Supla,
Nem a de Gil garota do Barbalho,
Nem as de Herbert meninas do Leblon,
Nem a de Bowie, mina lá da China,
Nem as mulheres de LA de Morrison;

E, de José Fortuna, nem a índia,
Sangue tupi, a flor do Paraguai;
E, de João de Barro, nem Mimi,
A japonesa (sic) de Xangai,
E nem Chiquita lá da Martinica;
Nem, de Chico, as muchachas de Copacabana,
Nem a morena do chocalho lá de Angola;
E de Emicida enfim nem a baiana.

Só você,
Ninguém me inspira mais do que você,
Só você
Eu canto e eu decanto com prazer.

Jamais alguém já fez alguém fazer
Uma canção que nem você me fez;
Nem mesmo Rita e Martha, a Paul MacCartney;
Tampouco Yolanda, a Pablo Milanês;
Nem Conceição, a Dunga e Jair Amorim;
E nem Cristina, a Tim e Carlos Imperial;
Nem Florentina de Jesus, a Tiririca;
Nem Sandra Rosa Madalena, a Magal;

Jamais também um cantautor cantou
Numa canção assim a sua amada,
Nem Dylan totalmente apaixonado
À dama de olhos tristes da Baixada;
É justo então que você dê pra mim de vez,
Só dessa vez, eu juro pelos deuses!
Só uma vez… ou só mais umas dez…
Vezes dez vezes dez… vezes dez… vezes!

Só você,
Ninguém desejo mais do que você,
Só você,
Você, meu grande amor, meu grande tê.

Você é como a mina preciosa
De Péricles e Augusto com John Donne;
Como o xodó, a paz de Dominguinhos;
O bem-querer, o encanto de Djavan;
Como a sereia de Lulu com Nelson Motta;
A fada, a doce amada de Zezé;
Como a sofisticada dama de Duke Ellington
E como a puta de Odair José.

Você é para mim e o meu amor
Profundo, grande e largo como o mar,
Mais que a donzela foi pra Luiz Melodia,
Mais que Luzia foi pra Itamar;
Que Xanduzinha pra Luiz Gonzaga
E Capitu para Luiz Tatit,
E que a namoradeira pra Rincon e Lia
E que a praieira pra Nação Zumbi!    

Só você,
Que é tudo, tudo, tudo, só você,
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Todas Elas Juntas Num Só Ser – Final

Por adorá-la mais que Dorival
A Dora, Doralice, Gabriela,
E por querê-la mais do que Cazuza
Pôde querer Querelle, ó minha estrela,
Por horas, dias, mil e uma noites,
Eu mais de mil canções evocaria
Nessa canção e tão-somente nela,
Pra ter você pra sempre e mais um dia;

Canção que é feita de canções já feitas
Pra se cantar alguém, alguém qualquer,
E que são feitas sempre, pois tem sempre,
Pra se cantar, alguém a quem se quer,
Como você, que é uma canção em si,
Como essa aqui, que é uma canção sem fim,
Pois não acabam as canções de que ela é feita,
Nem por você o meu querer tem fim.

Só você
Faria-me fazê-la, só você,
Só você
Me inspira – e eu transpiro no fazer.

E pausa e finda assim num pseudofim,
E pára aqui pra que não se prolongue,
A minha “Sad Eyed-Lady of the Lôwlands”,
A minha “You´re The Top”, minha list-song,
Canção cantada escrita dita dada
Tão-só para você, que para mim
É tal como o cherie amour de Wonder
E assim como a querida de Jobim,

Canção que cessa mas que recomeça,
Que o rol de músicas e musas não acaba,
De “Maringá”, de Joubert de Carvalho,
Até “Mulher do Paraná”, de Sorocaba,
Além do mais sua beleza é uma grandeza
Que nem numa canção como essa cabe,
E faz com que o desejo por você
Que nunca cessa em mim não mais acabe.

Só você,
Você, você, você e só você,
Só você
É todas elas juntas num só ser.

*

Letra de 2016

BE TRUE / ME TOO

I said “Crush,”
Saw you blush.
I said “my”,
Saw you sigh.
I said “dear,”
You came near.
I said “I”,
You got shy.
I said “love”
You dreamed of…
I said “you!”
Then you knew.
I said “And”,
Then you planned…
I said “you?”
You said: “Ooh!”
I said “Be”,
You said “Me”.
I said “true…”
You said “too”.

Mácula

Como negar esse mal,

Essa mácula,

Essa marca trágica,

A bruta chaga                

Tão real,

Tão áspera,

Da brutal diáspora.

Sendo já um mal implícito,

Alguns alegam que não há.

Porém negar o ilícito

Ao negro é negar

O seu direito de viver

E de ser

Livre, sem temor,

Sem ser

Preso pela sua cor

Um terror!

Como apagar esse borrão
Dessa página

Duma tal abolição

Sem uma paga?

Já outra lágrima
Cai por mais um negro irmão.

Eis aí mais uma vítima

Da desumanização.

Por isso tão legítima

É a reparação

E seu direito de viver

E de ser

Livre, sem temor,

Sem ser
Morto  pela sua cor.

Um terror!

Para negar esse mal,
Essa mácula,

Essa marca estrutural

Que tudo estraga,

Só sendo um crápula,

Um sinhô ou um boçal,

Uma praga.

Já um chamado à prática

Convida o branco a se alinhar

Na luta democrática

E ao negro se aliar

Por seu direito de viver

E de ser

Livre, sem temor,

Sem ser
Suspeito pela sua cor.

Como apagar esse mal,

Essa mácula!

Maria do Céu

Se a Nasa me convidasse
Para um passeio no espaço
Eu viajaria ao léu
Ao lado das lamparinas
Das estrelas peregrinas
Na romaria do céu

E teria o visual
Belíssimo, celestial
Da Terra azul no painel
Qual uma bola boiando
Da qual me distanciando
Me aproximaria do céu

E de repente, de um salto
Que a nave desse pro alto
Subiria sob o véu (*)
Que a chuva de luz de prata
Caindo que nem cascata
Derramaria do céu

Ante o turbilhão de astros
De planetas e desastres
E cometas pra dedéu (de déu em deu)
Meu coração astronauta
Lá do alto exclamaria:
Viche Maria do céu!

Variantes:

(*) Eu me cobriria com o véu
Da chuva de luz de prata
Caindo que nem cascata
Que se derramaria do céu

()Meu coração na vertigem ()
Da visão exclamaria:
Virgem Maria do céu!

*

The Doomsday Clock (O Relógio do Juízo Final)

Clean were the waters in the river, in the sea;

A lovely blue sky sunset was a sight to see; 

And none imagined air so pure and oh so free.

For just a brief abnormal span we’d never seen,

In social distancing, in human quarantine,

Like never Nature thrived in many urban scenes.

And while a native sage with wise and holy words

Transmits ideas to delay the end of the world,

A fascist pale-face who can´t even think or feel

Denies with violence what is right and what is real,
And all he does and says with virulence some way

Daily speeds up the Doomsday Clock, the Judgment Day.

When will we learn how different in their worth

Are those who strive to own our Gaia, our sweet Earth,

From those who just belong to her, ever since birth?

We are the evil of the Earth and not the salt.           

We killed most animals and yes we still assault

The realms of trees and minerals to a fault.

While peoples said to be still primitive do work
And dance so lively to delay the end of the world,

So modern, the civilization of the West,

“Developed, rational, evolved”, just the best,

Is burning, razing its own house and by the way

Now is hurrying the Doomsday Clock, the Judgment Day.

Oh when will we be guided by a logic
More ecological and cool than economical, 
And above all by what we´d call a bio-logic?   

And see that in the Earth´s bio-diversity 
We´re not the central species, not at all, 

But we´ve been parasites and that´s reality.

While in their homeland rural blacks have danced and whirled,
And go play samba to delay the end of the world,

The livestock farmer´s and the soy landowner´s ways,

With their colonial school and eco-racist sway,

Their monoculture and industrial scales, they

Always hurry the Doomsday Clock, the Judgment Day.

And will man manage any way out of the traps,
If gas emissions reach a peak and if perhaps

All Amazonia is forecast to collapse?

If an apocalypse begins in times like these,

When average global temperature comes to increase,

Oh God forbid, by more than one point five degrees?

While scientists of fruitful work who love the world

Are raising warnings to delay the end of the world,

Oil dealers and loud neoliberals who stay

Denying global warming, lying anyway,

With faith in capital do prey from June to May,

Thus they speed up the Doomsday Clock, the Judgment Day.

Oh when will we wake up and see how vain

Is growth that brings destruction with such pain,

No income distribution, no release from chains,

No drop at all in social inequality,

Nor in the current carbon footprint that we see,

No “living well” in a “new normal”, clean and free?          

And while a kick ass activist, a damn good girl  ,      

May cry and get up to delay the end of the world,    

The multi, pan, transnational company

And the environment-adverse un-ministry,       

Land-grabbers and all miners who laws won´t obey,

They all speed up the Doomsday Clock, the Judgment Day.

Thinking about it all in this dramatic hour,

Fearing this tragic and erratic fate of ours,

I’m haunted by the phantoms of climate mutations,

And of the use of AI with such vile vocation,

And of a fatal cyber war that some predict,

And of the end atomic conflict will inflict.

If all is on the verge of ending as I´ve heard,   

I sing and play songs to delay the end of the world,

To reconnect to Mother Nature naturally,

And to recontact my ancestral memory,

To feel the joy to be alive and to delay

And to slow down the clock…

And to slow down the clock…

And to slow down the clock…

And to slow down the Doomsday Clock, the Judgment Day.

O Relógio do Juízo Final

No mar, no rio, na lagoa, a água clara;
No céu mais limpo, o pôr mais lindo, a imagem rara;

E um ar tão puro que ninguém imaginara.
Por um período breve apenas, anormal,
Na quarentena humana inédita, afinal,
Medrou na cena urbana a vida natural.

E enquanto um índio dono de um saber profundo
Propaga ideias pra adiar o fim do mundo,
Um cara-pálida fascista em potencial,
Negativista violento do real,
Tão virulento quão pandêmico-viral,
Acelera o Relógio do Juízo Final.

Quando é que vamos aprender a diferença
Entre quem quer que a Terra-Gaia lhe pertença
E quem pertence a ela, é dela de nascença?
Somos do mal, o mal da Terra, não o sal.
Matamos a metade do reino animal,
Tamos rapando o vegetal e o mineral.

Se um povo dito primitivo e vagabundo
Trabalha e dança pra adiar o fim do mundo,
A tal da civilização ocidental,
“Desenvolvida, evoluída, racional”,
Queima e arrasa a própria casa, com quintal,
E apressa o Relógio do Juízo Final.

Quando é que vamos nos guiar por uma lógica
Mais ecológica do que mercadológica
Ou econômica, por uma bio-lógica?
Ver que não somos uma espécie central
Na biodiversidade da Terra, da qual
Nós temos sido parasitas, na real.

Enquanto um quilombola de onde é oriundo
Batuca e samba pra adiar o fim do mundo,
O ruralista duma escola colonial,
O pecuarista numa escala industrial,
Monocultura e racismo ambiental,
Adiantam o Relógio do Juízo Final.

E como para o homem vai haver escape se
A emissão de gases atingiu um ápice,
E há previsão de que a Amazônia colapse?
E tá na gênese um “Apocalypse Now”,
Em que a temperatura média mundial
Aumenta igual ou mais que um e meio grau?

Enquanto um cientista de um labor fecundo
Emite alertas pra adiar o fim do mundo,
Negacionistas do aquecimento global,
Negociantes do petróleo, do pré-sal,
Fiéis à fé neoliberal do capital,
Aceleram o Relógio do Juízo Final.

Quando é que vamos acordar em quanto é vão
Um crescimento que produz destruição?
Que não há redenção sem distribuição,
Sem queda na desigualdade social
E na pegada de carbono atual,
E sem um “bem viver” em um “novo normal”?

Enquanto uma ativista foda, que vai fundo,
Protesta e luta pra adiar o fim do mundo,
A companhia múlti, pan, transnacional,
Qual o sinistro antiministro ambiental,
Qual o grileiro, o garimpeiro ilegal,
Acelera o Relógio do Juízo Final.

Pensando nisso tudo, em hora tão dramática,
Temendo nossa sina trágica e errática,
Me assombra a sombra de uma mutação climática
E duma guerra cibernética fatal,
Dum uso mau da inteligência artificial
E dum conflito nuclear final, total.

Se tudo, entanto, pode estar por um segundo,
Eu canto cantos pra adiar o fim do mundo,
Pra me reconectar à mãe original,
Recontactar minha memória ancestral
E ter o júbilo de estar vivo afinal,
Atrasando o Relógio…
Atrasando o Relógio…
Atrasando o Relógio… do Juízo Final.

Uma Vez, Uma Voz

Uma vez

Num lugar

Há muito tempo atrás

Uma voz

Pelo ar

O vento e nada mais

O luar

E bilhões

De brilhos no alto astral

No olhar

As visões

De um homem ancestral

De vagar

Devagar

O tempo se desfaz

Onde o ar

Som lunar

Momento que me apraz

Sombra e luz

Tons azuis

Penumbra prateada

Sonhos mil

No vazio

Da vista estrelada

Uma vez

Num lugar

A história se desfaz

Através

Do luar

Mistérios, nada mais

Escrita nos anos 1980

Star-Filled Night

Star-Filled Night

Late at night and stars all beaming;
Oh the stillness seems like dreaming
Of a flowing forest river
Like a pouring rain of silver
Splendid moonlight from above.

Though you’re sleeping, it is you who
I´m singing of,
While the moon in all its glory
Can’t but hear the tearful story
Of this love.

Moonlight,
With your silver sheen above me,
Wake this woman oh so lovely.
Oh what longing, ardent yearning,
As my lips for hers keep burning.

Can’t you
Hear me singing as she’s sleeping?
She won’t hear my heart is leaping.
Oh can’t you see?
No, the moon is not sorry for me;
Just because on calling you I insist,
She hides behind the mystic mist.

Now the moon shines with disdain there,
And she´s so pensive and so vain there,
And the stars that seem so calm rise
Like a dizzy flood of fire-flies
O’er the glossy silver moon.

All the starry sky fell silent
To hear the tune,
With your name in the refrain
In complaints so full of pain
To the moon.

Late at night and stars all beaming;
Oh the stillness seems like dreaming
Of a flowing forest river
Like a pouring rain of silver
Splendid moonlight from above.

Though you’re sleeping, it is you who
I´m singing of,
While the moon in all its glory
Can’t but hear the tearful story
Of this love.

Moonlight,
With your silver sheen above me,
Wake this woman oh so lovely.
Oh what longing, ardent yearning,
As my lips for hers keep burning.

Can’t you
Hear me singing as she’s sleeping?
She won’t hear my heart is leaping.
Oh can’t you see?
No, the moon is not sorry for me;
Just because on calling you I insist,
She hides behind the mystic mist.

Now the moon shines with disdain there,
And she´s so pensive and so vain there,
And the stars that seem so calm rise
Like a dizzy flood of fire-flies
O’er the glossy silver moon.

All the starry sky fell silent
To hear the tune,
With your name in the refrain
In complaints so full of pain
To the moon.

Noite Cheia de Estrelas

Noite alta, céu risonho;
A quietude é quase um sonho.
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor.

Só tu dormes, não escutas
O teu cantor,
Revelando à lua airosa
A história dolorosa
Deste amor.

Lua,
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada.
Quero matar os meus desejos,
Sufocá-la com meus beijos.

Canto,
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo.
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim,
Pois ao ver que quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu.

Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa.
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar.

Todo o astral ficou silente,
Para escutar
O teu nome entre as endechas,
Tuas dolorosas queixas
Ao luar.

Música e letra de Cândido das Neves (Índio)
1928

*

Triste Estrutura

A gameleira, a jaqueira, o coqueiro, as acácias caídas, tombadas em vão;

O Camarajipe, o Lucaia enterrados e ainda correndo debaixo do chão;

No alto elevado, no asfalto, do lado de mil automóveis, dois ônibus só;

Onde era a paisagem feliz de folhagens a triste estrutura que dói e dá dó.

As sumaúmas caindo uma a uma, sim, a sumaúma, das árvores mãe;

E cem centenárias extraordinárias, e tantas e várias mil plantas de Ossãe;

Por tal natureza de plena beleza, que plano, que reza, ação ou ebó

Reduz tal projeto, tão mau e obsoleto, de piche e concreto, a cinzas e pó?

Ó, orixás, ó meu pai, guardião,

Com um clarão iluminem

Mentes e homens de pouca visão;

Sábios que são, lhes ensinem

Como é sagrado o rio a correr               

E o verde ser que destroem;

Deuses, ecoem no ar nossa voz               

E a todos nós abençoem.

Que não derrubem mas plantem mais árvores e que não tampem o rio a rolar,

E que se resgate a nascente perdida e se escute o pedido da gente a clamar

Que parem a obra que cobra tão caro do povo, da flora e da fauna afinal,

E que sobretudo pro pobre se obre na dura cidade que não é igual.

Ó, orixás, ó meu pai, guardião,

Com um clarão iluminem

Mentes e homens de pouca visão;

Sábios que são, lhes ensinem

Como é sagrado o rio a correr               

E o verde ser que destroem;

Deuses, ecoem no ar nossa voz               

E a todos nós abençoem.

Lágrima

A mulher que eu quero não me quer.
Resta um gosto amargo de amar em vão.
Entro no meu quarto e a solidão me dói.
Eu já nem sei
O que sou eu.

De que vale um homem sem mulher?
Eu sem dona só me dano como um cão.
Ando abandonado e não sei onde ela foi.
Lhe telefonei;
Não atendeu.

Lágrima cai como fel,
Agre, má… cruel.
Lágrima…

No metrô, no trem, no ponto, a pé,
Vejo a sua imagem na imaginação.
Mais do que a ausência, é o silêncio que destrói:
Mensagem mandei;
Não respondeu.

Jogo, filme, show ou DVD
Não distrai a mente nem o coração.
Lá no fundo um arrependimento me remói.
O que farei,
Deus meu…

Lágrima cai como fel,
Agre, má… cruel.
Lágrima…

*