Arquivo da categoria: Canções

Enfim o Amor (At Long Last Love)


de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó

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É terremoto ou é só um choque?
Será que é um sashimi ou só um hadoque?
Será do álcool o meu alto astral
Ou isso que há será real?
É uma transa ou é transação?
Cole Porter no original ou só mais uma versão? (*)
É fantasia que finda em dor,
Ou é afinal o amor?

É um amasso ou é só massagem?
Um arco-íris no ar ou mera miragem?
É um ensaio que já me cansou,
Ou é o que é bom, é som, é show?
É um romance ou é um jornal?
É um poema comum ou é um de João Cabral?
É uma fera que fere uma flor
Ou é afinal o amor?

É tique-taque ou é só um tique?
É um negócio legal ou é um trambique?
Que piripaques são esses em mim?
É isso o mel, o céu, enfim?
Será um caso ou será o caos?
É o calor da paixão ou o verão em Manaus?
É um feitiço de algum malfeitor
Ou é afinal o amor?

É cobertura ou só quitinete?
É meu sonhado Rolls-Royce um velho Chevette?
Uma safira ou um patuá?
Um “tiro” no pó ou só uma pá?
É um romance ou é um hai-kai?
Será que é um vai-e-vem ou é só um vai-não-vai?
É um feitiço de um malfeitor
Ou é afinal o amor?

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Variantes:
(*) É uma fria ou é um frisson,
É uma fuga de Bach ou é Cole Porter o som?

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Is it an earthquake or simply a shock?
Is it the good turtle soup or merely the mock?
Is it a cocktail – this feeling of joy,
Or is what I feel the real McCoy?
Have I the right hunch or have I the wrong?
Will it be Bach I shall hear or just a Cole Porter song?
Is it a fancy not worth thinking of,
Or is it at long last love?

Is it the rainbow or just a mirage?
Will it be tender and sweet or merely massage?
Is it a brainstorm in one of its quirks,
Or is it the best, the crest, the works?
Is it by Browning or doesn’t it scan?
Is it a bolt from the blue or just a flash in the pan?
Should I say “Thumbs down” and give it a shove,
Or is it at long last love?

Is it a breakdown or is it a break?
Is it a real Porterhouse or only a steak?
What can account for these strange pitter-pats?
Could this be the dream, the cream, the cat’s?
Is it to rescue or is it to wreck?
Is it an ache in the heart or just a pain in the neck?
Is it the ivy you touch with a glove,
Or is it at long last love?

Is it in marble or is it in clay?
Is what I thought a new Rolls, a used Chevrolet?
Is it a sapphire or simple a charm?
Is it [______] or just a shot in the arm?
Is it today´s thrill or really romance?
Is it a kiss on the lips or just a kick in the pants?
Is it the gay gods cavorting above,
Or is it at longe last love?

Música e letra de Cole Porter, 1938

Versão 1991/1999

Toda Vez Que Eu Digo Adeus (Ev’ry Time We Say Goodbye)


de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó

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Toda vez que eu digo adeus,
Eu quase morro;
Toda vez que eu digo adeus,
Aos deuses eu recorro.

Nenhum deus, contudo,
Parece me ouvir;
Eles vêem tudo
E te deixam partir.

Quando estás, há só um ar
De flor em volta;
Sabiás, de algum lugar,
Cantam o amor em volta.

Que canção suave!
Mas o tom
Do som
Se torna tão grave, (*)
Toda vez que eu digo adeus.

Toda vez que eu te digo adeus.

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Variantes:
(*) Não há som melhor!
Mas seu tom
Maior
Se torna menor,

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Ev’ry time we say goodbye,
I die a little;
Ev’ry time we say goodbye,
I wonder why a little;
Why the gods above me,
Who must be in the know,
Think so little of me
They allow you to go.

When you’re near, there’s such an air
Of Spring about it;
I can hear a lark somewhere
Begin to sing about it.

There’s no love song finer,
But how strange
The change
From major to minor,
Ev’ry time we say goodbye.

Ev’ry single time we say goodbye.

Música e Letra de Cole Porter, 1944

Versão 1991/1999

A Moça Mais Vagal da Cidade (The Laziest Gal in Town)


de “Cole Porter & George Gershwin – Canções Versões”, de Carlos Rennó

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Eu bem poderia,
Eu bem deveria,
E, eu juro, até toparia,
Mas é que eu sou a moça mais vagal que há.

Meu Deus, como eu queria
Ganhar na loteria,
E aqui estou eu, sem companhia,
Mas é que eu sou a moça mais vagal que há.

Eu queria ser como são
As que fazem um dinheirão,
Mas – a cada proposta – não dá,
Não dá;

Eu bem poderia,
Eu bem deveria,
E, eu juro, até toparia,
Mas é que eu sou a moça mais vagal que há.

Eu não sou de me apressar,
Eu não sou de me estressar.
Até beijo devagar,
Para ter prazer.
Mas eles querem algo mais,
E algo mais já não me apraz,
Então a cada um dos tais
Tenho que dizer:

Eu bem poderia,
Eu bem deveria,
E, eu juro, até toparia,
Mas é que eu sou a moça mais vagal que há.

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It´s not ´cause I wouldn´t,
It´s not ´cause I shouldn´t,
And, Lord knows, it´s not ´cause I couldn´t,
It´s simply because I´m the laziest gal in town.

My poor heart is achin´
To bring home the bacon,
And if I´m alone and forsaken,
It´s simply because I´m the laziest gal in town.

Though I´m more than willing to learn
How these gals get money to burn,
Ev´ry proposition I turn down,
´Way down;

It´s not ´cause I wouldn´t,
It´s not ´cause I shouldn´t,
And, Lord knows, it´s not ´cause I couldn´t,
It´s simply because I´m the laziest gal in town.

Nothing ever worries me,
Nothing ever hurries me.
I take pleasure leisurely
Even when I kiss.
But when I kiss they want some more,
And wanting more becomes a bore,
It isn´t worth the fighting for,
So I tell them this:

It´s not ´cause I wouldn´t,
It´s not ´cause I shouldn´t,
And, Lord knows, it´s not ´cause I couldn´t,
It´s simply because I´m the laziest gal in town.

Letra e Música Cole Porter, 1927

Versão 1991/1999

Esteticar (Estética do Plágio)

1998_Tom_Ze_Com_defeito_de_fabricacao_1024

de “Defeito de Fabricação”, de Tom Zé

Pensa que eu sou um caboclo tolo, boboca,
Um tipo de mico cabeça-oca,
Raquítico típico jeca jacu , (*)
Um mero número zero, um zé à esquerda,
Pateta patético, lesma lerda,
Autômato pato, panaca tatu? (**)

Pensa que eu sou um andróide candango doido,
Algum mamulengo molenga mongo,
Mero mameluco da cuca lelé,
Trapo de tripa da tribo dos pele-e-osso,
Fiapo de carne, farrapo grosso,
Da trupe da reles e rala ralé?

Pensa? Dispenso a mula da sua ótica;
Ora vá me lamber, tradução inter-semiótica.
Se segura milord aí, que o mulato baião
(Tá se blacktaiando)
Smoka-se todo na estética do arrastão.

Ca esteti ca estetu
Ca esteti ca estetu
Ca esteti ca estetu
Ca esteti ca estetu
Ca estética do plágio-iê

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Variantes:

(*) Raquítico típico jeca-tatu,
(**) Autômato pato, panaca tatu?

Letra com Tom Zé (Refrão)

Escrito nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

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Variante:
(*) Sua parceira, seu bem,

Sem Preconceito

1995_Patricia_Marx_Ficar_com_voce_1024

de “Ficar com você”, de Patrícia Marx

Uma branquinha que nem sal
Um pretinho tal e qual azeviche (hã hã)
Uma gracinha o casal
Só um cara tão careta mete o pau
Dizendo viche!

Uma boneca de cal
Um boneco de piche
Combina tão legal
Mas tem quem piche
E fale mal

Ele que piche
E ele que se lixe

Sem preconceito (Yeah!)

Quem tem raça e cor
E tem graça também
De que raça que for
Pode ser meu bem
Pode ser confusão
Pode ser meu amor
Porque esse meu coração
Não tem cor

Átimo de Pó


de “Quanta”, de Gilberto Gil

Átimo de Pó

Entre a célula e o céu
O DNA e Deus
O quark e a Via-Láctea
A bactéria e a galáxia

Entre agora e o eon
O íon e Órion
A lua e o magnéton
Entre a estrela e o elétron
Entre o glóbulo e o globo blue

Eu
Um cosmos em mim só
Um átimo de pó
Assim: do yang ao yin

Eu
E o nada, nada não
O vasto, vasto vão
Do espaço até o spin

Do sem-fim além de mim
Ao sem-fim aquém de mim
Den´ de mim

Rapto Rápido

1994_Suzana_Salles_Camerati_1024

de “Suzana Salles”, de Suzana Salles

Você lembra quanto eu te raptei?
(Ei)
Você passava
(Psiu…)
Na calçada
Te achei
Uma graça
E já fui à caça
Você vinha vindo caminhando linda e depressa
Que presa!
Eu previa tudo
Dali de cima do viaduto
Do chá
E você me topou, eu pensei:
– Puxa,
Ganhei!
No ato eu fui muito apto
Achei que era fácil
Chamei logo um táxi
Ao som das buzinas
E foi tão rápido o rapto
Nem deu tempo de dizer não

Mother’s Heart (Coração Materno)

“Say what you want, oh my dearest,”
Said the loving peasant to the one he loved.
“For you I will steal, I will kill,
Though you cause me sorrow and pain, my beloved.
I just want to prove I adore you,
And worship your being, and for you I sigh.
So say what you want, I implore you,
For me it won´t matter to kill or to die.”

And she coyly answered this way:
“If you love me as much as you say,
If you´re madly in love, then depart,
Go and bring to me your mother´s heart.”
But believing in what he was told,
He ran fast as a flash down the road.
And his dear became so stupefied
That she fell on the pathway and cried.

The peasant enters the cabin,
In front of the altar his mother he sees;
Then he, the demon, starts stabbing
The breast of the lady, who prayed on her knees.
He cuts out her heart, that´s bleeding,
The heart that he wanted, all other hearts above,
And shouts with a voice full of pleading:
“Victoria! Victoria! Here´s my proof of love.”

He was coming back running again,
When he tumbled and broke one leg then.
And his poor mother´s heart fell and rolled
Away from his hard hands down the road.
So a voice echoed under the sun:
“Are you hurt, oh my poor darling son?
Come embrace me, darling, I´m still here,
Come embrace me, I´m still yours, my dear.”

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Disse um campônio à sua amada:
“Minha idolatrada, diga o que quer.
Por ti vou matar, vou roubar,
Embora tristezas me causes, mulher.
Provar quero eu que te quero,
Venero teus olhos, teu porte, teu ser.
Mas diga tua ordem, espero,
Por ti não importa matar ou morrer”.

E ela disse ao campônio, a brincar:
“Se é verdade tua louca paixão,
Parte já e pra mim vai buscar
De tua mãe inteiro o coração”.
E a correr o campônio partiu;
Como um raio na estrada sumiu.
E sua amada qual louca ficou,
A chorar na estrada tombou.

Chega à choupana o campônio;
Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar.
Rasga-lhe o peito o demônio,
Tombando a velhinha aos pés do altar.
Tira do peito sangrando
Da velha mãezinha o pobre coração,
E volta a correr proclamando:
“Vitória! Vitória! Tem minha paixão”.

Mas em meio da estrada caiu
E na queda uma perna partiu,
E à distância saltou-lhe da mão
Sobre a terra o pobre coração.
Nesse instante uma voz ecoou:
“Magoou-se, pobre filho meu?
Vem buscar-me, filho, aqui estou,
Vem buscar-me que ainda sou teu!”

Letra e música de Vicente Celestino, 1937

Ajoelha e Reza

E aí, ele disse pra mim
Como vai?
E aí, eu me disse taí
Minha chance
Respondi
Tudo bem e você onde vai?
Foi daí
Que saímos dali prum romance

E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema

E nesse filme de amor e ventura
Verdade e mentira
um pornô com ternura
Ele vem e se atira,
eu morro
E depois me comovo
quando me diz de novo

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema

E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa

Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim

Tá na maior paixão

Roupa

Tua veste é como o penacho
Que reveste o pássaro macho

Tua roupa é tua plumagem
E plumagem pouca é bobagem

Por isso, meu amor
Te produz
seduz
reluz
na rotina do cotidiano
na retina dos dias medianos

Pois a roupa é tua imagem
Tua linhagem
Tua linguagem
A roupa é tua mensagem

Pois a roupa fala
não cala
E tudo que se pensa e diz
Na roupa se diz e pensa
Por isso é que se dispensa
Cuidado com a aparência

Pois as aparências não enganam
não empanam
As aparências emanam
o que é real e humano

E em cada peça de baixo
E em cada peça de cima
De cima abaixo
De baixo acima
Dos pés à cabeça
Da cabeça aos pés
A roupa é o que te expressa
A roupa é o que és

Por isso, meu amor
Instaura o teu modelo e tua moda
E a aura do que é belo em tua roda

Pois a roupa
é tua outra
pele

Pele
e embalagem da pele
a roupa
é embalagem e conteúdo
Embalagem da beleza
embalagem de tudo

Por isso, não guarda, não poupa
Investe no teu guarda-roupa
Investe no que te veste
Investe no que te despe
Pois ainda mais que vestir
O que a roupa faz é despir

A roupa não cobre
Descobre
A roupa não vela
Revela
A roupa te mostra
De todos os ângulos
De frente, de costas
Nos flancos

Por isso, te desinibe
Pois a roupa te conceitua
A roupa te exibe
A roupa te deixa nua

Mille Baci

1993_Rita_Lee_1024

de “Rita Lee”, de Rita Lee

Amami se vuoi,
Tienimi se puoi
Braccia, labbra, faccia, mani, piedi.
Sii benvenuto;
Tutto, baby, tutto,
Baby, ti do tutto se lo chiedi.

Ma dammi dammi dammi mille baci
E cento e mille e cento e mille e cento.
Cosi tra mille baci ed abbracci,
Godiamici la vita e il momento.

Vieni per saziarmi,
Per accarezzarmi
I peli e la pelle più segreta.
Tu, amore mio,
Mi sembri un Dio;
Fammi sentire come il poeta.

Ma dammi dammi dammi mille baci
E cento e mille e cento e mille e cento.
Cosi tra mille baci ed abbracci,
Godiamoci la vita e il momento.

Nossos Momentos

 

de “Tetê Espíndola”, de Tetê Espíndola

Sozinhos e juntos
Na dor e no prazer,
Nas fases difíceis
E nas fáceis de viver,
Tivemos, dia a dia,
Tristezas e alegrias,
Belezas, fantasias
E tantas outras coisas em comum.

Em busca dos sonhos
De felicidade e dois,
Por vezes estranhos
À realidade a dois,
Nós temos, mais que um dia,
Momentos de poesia
Tão claros e tão raros,
Que neles nós vivemos algo incomum.

Neles tudo mais para;
Nada mais se compara
Ao par, ao casal
Que somos nós dois,
Sem par, sem igual,
Nossos momentos não têm antes nem depois.

Sozinhos e juntos
Na dor e no prazer,
Nas fases difíceis
E nas fáceis de viver,
Tenhamos outras vezes
Momentos como esses,
Instantes transcendentes,
Instantes em que somos como dois em um.

Serenata do Prado (Meadow Serenade)

Eu ouço folhas em farfalhos
Trinados, trilos
Onde voa a cotovia
E o pintassilgo silva sem parar

Eu ouço coros de chocalhos
Cri-cri de grilos
Onde a aranha se arranha
E o sanhaço se assanha com seu par

E eu ouço a vibração da brisa
Na flora feliz
Colibris colibrisam em flores de liz
Há música no ar, minha mente voa
Onde a serenata soa
Na madrugada gris

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(George Gershwin e Ira Gershwin)

I hear the rustle of the trees
From the nearby thicket
Where the oriole is calling
And the bobolink is falling
For his mate

I hear the sighing of the breeze
And the chirping cricket
Where the whippoorwill is wooing
And the katydid is cooing
To his Kate

And I can hear a cowbell chorus
That’s now being played
Hummingbirds humming for us
From deep in the shade

There’s music in my heart
As my thoughts go winging
Where the spring is ever singing
That meadow serenade

Meu ABC

Hello, my dear
No que posso servir?
Pode me usufruir
So nice to see you here
Qu´est-ce que vous fait plaisir?

Que tal ma belle
Una luna de miel
Na nossa louca Babel?
Endiabrados no céu
Like two angels from hell

Com você, meu ABC
Je suis enchanté con te
Con te, à coté
Em turnê por você

Mon amour
Baixa a luz do abajur
E beija a espada de Artur
Espalha em mim seu glamour
Minha belle de jour

Pra ser seu rei
Me escravizarei
So, lady, stay, lady, lay
Adesso io direi
Baby, I just want to play

Com você, meu ABC
Je suis enchanté con te, con te à coté
Em turnê por você

Niña
Que canto em la canción
Seja minha
Non, non, non me dire non
Yo te quiero
Con obscena obceción
El dia entero
On and on and on and on

O Anticlichê

Eu corro por dentro, entro pela terra,
Enquanto os outros correm para o mar.
Na contracorrente, saio lá da serra
No rumo do Paraná,
E paro por lá.

Por isso mesmo sei que vou sozinho;
Eu dou as costas ao lugar-comum,
E vou em frente sempre num caminho,
Que não é igual a nenhum.
Assim eu sou um.

Podem me chamar
Marginal,
Porque não corro para o mar,
Contra a lei geral.
Nado contra a maré,
Na contramão vou pro que der e vier.
Sou um antigo anti-heroi, um anticlichê,
Eu, o Tietê, eu, o Tietê,
O anticlichê, eu, o Tietê.

Na serra eu nasço, em São Paulo eu morro.
Depois renasço e vou até o fim.
Por onde eu passo e pra onde eu corro,
Jamais se viu um rio assim;
Eu falo por mim.

Mas assim mesmo sei que estou à margem
De vilas e de vias marginais,
De vales de canaviais, à margem
De zonas e parques rurais
E industriais.

Bem-bom

de “Eduardo Gudin e Vânia Bastos”, de Eduardo Gudin e Vânia Bastos

É
Só tem que ser é com você
Porque senão não tem porquê
Porque seu tom é tão pro meu
E eu sou mais você e eu

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Como uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem
Vem mais pra cá, está demais
Mais vai ficar pra lá de bom
Em corpo, em cor, em som de vai
E vem que tem, cai no bem-bom

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Com uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem

Vem me amar, me chamar
Vem me pegar, me levar
A uma festa a dois
É só o que resta pra nós
Tem tanta gente, a gente nem vê
A hora de ficar
Eu e você, nós dois, como tem que ser
Sem pensar
Em depois, enfim

Só mesmo a gente noite adentro
Dentro e fora, agora sim
O nosso amor vai ser assim
Eu pra você, você pra mim

Flecha

Ela surgiu, total

Foi tão sutil, brutal

O que eu senti

Ela me viu – parou

Depois seguiu – passou

Não esqueci

Uma beleza o que faz

De vê-la se deseja mais

Ela sumiu dali

E no vazio me vi

E não foi só

Ela ficou em mim

Mas só ficou assim

Eu fiquei só

Meninas, tinha até demais

Ela mais linda que as demais

E a sua beleza dança

Na minha cabeça dança

Em vão

Em vão o relance me atravessa

Lança sua flecha

(Em meu coração)

Mas vê-la uma vez

Não é nenhuma vez

Uma, jamais

Desejo tê-la dez

Vezes dez vezes dez

Vezes e mais

De frente, flancos e de trás

De qualquer ângulo apraz