Serenata do Prado (Meadow Serenade)

Eu ouço folhas em farfalhos
Trinados, trilos
Onde voa a cotovia
E o pintassilgo silva sem parar

Eu ouço coros de chocalhos
Cri-cri de grilos
Onde a aranha se arranha
E o sanhaço se assanha com seu par

E eu ouço a vibração da brisa
Na flora feliz
Colibris colibrisam em flores de liz
Há música no ar, minha mente voa
Onde a serenata soa
Na madrugada gris

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(George Gershwin e Ira Gershwin)

I hear the rustle of the trees
From the nearby thicket
Where the oriole is calling
And the bobolink is falling
For his mate

I hear the sighing of the breeze
And the chirping cricket
Where the whippoorwill is wooing
And the katydid is cooing
To his Kate

And I can hear a cowbell chorus
That’s now being played
Hummingbirds humming for us
From deep in the shade

There’s music in my heart
As my thoughts go winging
Where the spring is ever singing
That meadow serenade

Joyce em John Lennon

Publicado na “Folha de S.Paulo” (“Ilustrada”), em 5/10/1992, sob o título “Bob Dylan levou Lennon à letra-arte”

A presença ostensiva da expres¬são “I love you” nos refrões de “Love Me Do” e “P.S. I Love You”, de Paul McCartney, é somente um dos indicadores do lugar-comum poético dessas canções. Em suas letras, contudo, colocam-se vários outros que também John Lennon escreveria apenas “profissionalmente”, sem ambições artísticas, no período inicial dos Beatles. Um fato, po¬rém, mudaria radicalmente a vi-são de Lennon sobre a importân¬cia do texto na música: o reconhe¬cimento da qualidade poética das canções de Bob Dylan.

Dylan: desde Cole Porter e Ira Gershwin a poesia popular canta¬da de língua inglesa não alçava voos tão altos, de imaginação e inventividade. À época, Lennon, popstar intelectualizado, já tinha escrito dois livros, num deles incursionando ludicamente pela linguagem chamada de invenção – “Um Atrapalho no Trabalho” (na tra¬dução de Paulo Leminsky). Para ele, porém, a palavra só podia adquirir expressão estética em li¬teratura, não em música pop. Com Dylan, encarnação supermoderna do bardo, gênio indiscu¬tível, Lennon descobriu a letra-ar¬te. E percebeu que uma canção, além de voar, poderia transmitir belezas e verdades (especialmente as próprias) através de sua letra.

Mas, ao contrário do metafóri¬co, profuso e às vezes obscuro Dylan, Lennon definiu-se pelo de¬sign mais nítido, a expressão cla¬ra, direta e objetiva. Fez mais sucesso por isso, mas nem por isso foi mais simples. Sua “enga¬nosa simplicidade” (Glauco Mattoso) pode ser atestada por um exame cuidadoso de, por exem¬plo, “Julia” (atentar para suas sutilezas estruturais e suas ambi¬guidades), em homenagem a sua mãe, mas também em referência a sua mulher, Yoko (“ocean¬child”). Escrevendo na primeira pessoa, Lennon sempre falou dele mesmo em suas letras, de suas experiências. Do drama existen¬cial de “Help” às memórias de “In My Life” e “Strawberry Fields Forever”. Do psicodelismo pioneiro de “Tomorrow Never Knows” até os hinos contracultu¬rais “All You Need Is Love” (antibélico) e “Revolution”.

“A Day In the Life” pode ser considerada, se se pensar em “Ulisses”, a mais joyceana de suas letras. Mas onde ele mais explicita suas referências literá¬rias, radicalizando no experimen¬talismo (pelo surrealismo e pelo uso das palavras-va¬lise inventadas por Lewis Car¬roll – e radicalizadas em Joyce), é em “I Am the Walrus”. Não parou por aí. Em “Across the Universe” traçou uma bela sequência de “lances de imagens sobre o intelecto” (fanopeia), de inspiração cósmico-religiosa, ao mesmo tempo em que refletiu sobre o ato poético-criativo. E em “Come Together”, uma livre-as¬sociação imagética que beira a incomunicabilidade, e onde o sen¬tido importa menos que o som, salvo no refrão, uma ce1ebração ao orgasmo simultâneo.

Paul não foi tão longe, é óbvio – seu negócio era mais música mesmo –, mas deu sua contribuição, especialmente como contador de histórias, na terceira pessoa. Basta dizer que foram dele a ideia e o desenvolvimento da maior parte de “Eleanor Rigby” e “She’s Leaving Home”, para¬digmática da adolescente que foge de casa. E que ele fez sozinho “The Fool On the Hill”, a lindís¬sima “For No One”, “Hey Ju¬de” e “A Little Help From My Friends”(que melodias!).

As palavras das canções de Lennon e McCartney representa¬ram o contraponto verbal à revo¬lução que os Beatles detonaram nos planos musical, comportamental e mental de sua geração. É certo que mesmo as melhores letras do grupo não exibiram a engenhosa sofisticação das que Cole e Ira fizeram nos anos 30: seria uma repetição. Mas enrique¬ceram demais o repertório geral com temas, formas e imagens até então inéditos. E serviram para colocar Lennon, ao lado de Dylan e também de Jim Morrison, entre os maiores músicos-poetas dos 60 e de todos os tempos.

Meu ABC

Hello, my dear
No que posso servir?
Pode me usufruir
So nice to see you here
Qu´est-ce que vous fait plaisir?

Que tal ma belle
Una luna de miel
Na nossa louca Babel?
Endiabrados no céu
Like two angels from hell

Com você, meu ABC
Je suis enchanté con te
Con te, à coté
Em turnê por você

Mon amour
Baixa a luz do abajur
E beija a espada de Artur
Espalha em mim seu glamour
Minha belle de jour

Pra ser seu rei
Me escravizarei
So, lady, stay, lady, lay
Adesso io direi
Baby, I just want to play

Com você, meu ABC
Je suis enchanté con te, con te à coté
Em turnê por você

Niña
Que canto em la canción
Seja minha
Non, non, non me dire non
Yo te quiero
Con obscena obceción
El dia entero
On and on and on and on

O Anticlichê

Eu corro por dentro, entro pela terra,
Enquanto os outros correm para o mar.
Na contracorrente, saio lá da serra
No rumo do Paraná,
E paro por lá.

Por isso mesmo sei que vou sozinho;
Eu dou as costas ao lugar-comum,
E vou em frente sempre num caminho,
Que não é igual a nenhum.
Assim eu sou um.

Podem me chamar
Marginal,
Porque não corro para o mar,
Contra a lei geral.
Nado contra a maré,
Na contramão vou pro que der e vier.
Sou um antigo anti-heroi, um anticlichê,
Eu, o Tietê, eu, o Tietê,
O anticlichê, eu, o Tietê.

Na serra eu nasço, em São Paulo eu morro.
Depois renasço e vou até o fim.
Por onde eu passo e pra onde eu corro,
Jamais se viu um rio assim;
Eu falo por mim.

Mas assim mesmo sei que estou à margem
De vilas e de vias marginais,
De vales de canaviais, à margem
De zonas e parques rurais
E industriais.

Não Sei Por Quê

Eu não sei por que que você insiste
Eu não sei por que você não desiste
Eu não sei por que que você insiste
Eu não sei por que você não resiste

Serão meus olhos
Será meu rosto
Serão seus olhos
Será seu gosto

Eu não sei por que você se derrete
Como se você fosse meu sorvete
Eu não sei por que nesse tête-à-tête
Você rasga a seda, joga confete

É minha boca?
É meu sorriso?
São minhas roupas?
É meu estilo?
É só o charme em mim?
Ou será meu corpo?
É uma parte em fim?
ou será o todo?

Eu não sei por que que você me segue
Eu não sei por que você me persegue
Eu não sei por que que você me segue
Eu não sei por que você me consegue

Será eu jeito?
O meu sorriso?
Minha cabeça?
O meu estilo?

Cole Porter – Canções, Versões

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“Cole Porter – Canções, Versões” (Paulicéia, 1991) – Livro de Carlos Rennó, contendo textos e versões para o português de sua autoria, a partir de canções do compositor. Com textos de Augusto de Campos, Caetano Veloso e Cláudio Leal Ferreira.

Engenho e arte nas letras de um gênio

Publicado na“Folha de S.Paulo” em 12/4/1989, sob o título “Letras reúnem o clássico e o pop”

Na história da música popular desempenha um papel fundamental a produção dos principais compositores de canções norte-americanos dos anos 30 e 40, como George e Ira Gershwin, Rodgers e Hart, Irving Berlin, Cole Porter, Johnny Mercer. São eles os Bachs, os Beethovens, os Mozarts, os clássicos autores dos grandes clássicos do gênero. Nesta constelação, um lugar especial cabe a Cole Porter.

Graças ao seu estilo e à sua técnica de ajustar letras elaboradas a melodias relativamente (embora nem sempre) simples, Porter elevou o nível do texto da canção popular a uma alta potência poética, alcançando ele próprio como letrista um grau de sofisticada criatividade em momentos comparável mesmo ao de poetas da área erudita.

Quem quiser provar isso na prática, pode tentar verter algumas canções suas que impõem desafios que só poemas eruditos impõem. Nelas, sem prejuízo da naturalidade, Porter usa recursos que as tornam ainda mais agradáveis à medida que reouvidas: rimas imprevistas, internas, polifônicas; construções ele¬gantes, trocadilhos, enumerações, ambiguidades, paronomásias requintadas e imagens ricas, em temas amorosos tratados com charme e inteligência.

Da supermoderna obra-prima pop “You’re the Top” (uma das maiores – 135 versos mais a introdução e uma estrofe paródica – e melhores letras já escritas) a uma certa “It Was Written In The Stars”, suas mais de 800 canções configuram uma produção marcada mais pela personalidade que pela pessoalidade (tudo foi feito para trilhas da Broadway e Hollywood) e uma obra que excede em quantidade e qualidade. Cole Porter não tem fim.

Bem-bom

de “Eduardo Gudin e Vânia Bastos”, de Eduardo Gudin e Vânia Bastos

É
Só tem que ser é com você
Porque senão não tem porquê
Porque seu tom é tão pro meu
E eu sou mais você e eu

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Como uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem
Vem mais pra cá, está demais
Mais vai ficar pra lá de bom
Em corpo, em cor, em som de vai
E vem que tem, cai no bem-bom

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Com uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem

Vem me amar, me chamar
Vem me pegar, me levar
A uma festa a dois
É só o que resta pra nós
Tem tanta gente, a gente nem vê
A hora de ficar
Eu e você, nós dois, como tem que ser
Sem pensar
Em depois, enfim

Só mesmo a gente noite adentro
Dentro e fora, agora sim
O nosso amor vai ser assim
Eu pra você, você pra mim

Flecha

Ela surgiu, total

Foi tão sutil, brutal

O que eu senti

Ela me viu – parou

Depois seguiu – passou

Não esqueci

Uma beleza o que faz

De vê-la se deseja mais

Ela sumiu dali

E no vazio me vi

E não foi só

Ela ficou em mim

Mas só ficou assim

Eu fiquei só

Meninas, tinha até demais

Ela mais linda que as demais

E a sua beleza dança

Na minha cabeça dança

Em vão

Em vão o relance me atravessa

Lança sua flecha

(Em meu coração)

Mas vê-la uma vez

Não é nenhuma vez

Uma, jamais

Desejo tê-la dez

Vezes dez vezes dez

Vezes e mais

De frente, flancos e de trás

De qualquer ângulo apraz

A Minha Lógica

Com
Aqueles bons e velhos dons
De uns joões e outros johns
Juntei palavra, cor e som
Com a cabeça e o coração
E certamente com tesão
Armei no ar uma canção
Harmoniosa de artesão
Da arte que tem bossa

Mas você
Com desdém
Vem com essa prosa
– Num-sei-quê,
Num-sei-quem –
Que já é famosa
Ora, ora, ora
Pouco faz
E desfaz
Muito de quem faz e elabora

É
Que a sua ótica não vê
A minha lógica, nem crê
Na onda mágica, o bom
Da matemática do som
De uma música no ar
Arquitetura a flutuar
No ato puro de tocar
Samba, canção ou rock

Se você
É capaz
Cante, dance, toque
Mas não dê
Nunca mais
Um tão tonto toque
Se o seu palpite
Infeliz
Me maldiz
Me diz bem quão chão é o seu limite

Sim
Que a mim é dado e cabe a mim
O mais sonoro e claro sim
À arte, à vida, à criação
Tudo que eu canto com paixão
E tal clareza que transluz
Com vida própria e traduz
A própria vida e traz à luz
Seus sonhos escondidos

Pra você
Me ouvir
Meu rapaz, se deixe
Envolver
Seduzir
Ou em paz me deixe
Antes não evite
Venha cá
Vamos lá
Ao deleite, aceite o meu convite

Pois
Acima dessas discussões
Só a beleza das canções
É o que ficará depois
De tanto quanto se compôs
Brilhando como essa voz
Voando e ecoando em nós
Em pleno espaçotempo

Nós

2006_Sergio_Britto_Eu_sou_300_1024

de “Eu sou 300”, de Sérgio Britto

Nos miramos nos admiramos
Nos sentimos nos consentimos
Nos tentamos nos contentamos
Nos captamos nos capturamos
Nos rendemos nos desprendemos
Nos colamos nos descolamos
Nos levamos nos revelamos
Nos abrimos nos descobrimos
Nos deitamos nos deleitamos
Nos gostamos nos degustamos
Nos provamos nos aprovamos
Nos comemos nos comovemos
Nos amamos nos amarramos
Nos lançamos nos enlaçamos
Nos cedemos nos excedemos
Nos prendemos nos surpreendemos

Coração Cosmonauta

O Marinheiro da Vanguarda, o neo-Navegador
O Viajante Pioneiro, o Desafiador
Lá no Profundo Espaço fundo vai
Pelo Universo Mundo sai
Com o Espírito da Curiosidade
E do Descobrimento e da Indagação
Da A-Ventura e da Investigação
Numa Procura, numa Empresa, na missão
Pelo Progresso, pela Paz e a União

O Magalhães Colombo Ulisses, o Empreendedor
O Mensageiro, o Visitante, o Analisador
O Bandeirante, o Desbravador
O Viking, o Explorador
Ante Horizontes Novos e a Oportunidade
De cada nave, sonda, ônibus, robô
De cada jipe, trem, foguete ou o que for
Que lhe desvende e lhe deslinde o lindo véu
De algum mistério do sidéreo, etéreo céu

Meu cosmonauta coração, na casca dessa noz
Eis a questão, o nó dos nós: o que é que somos nós?
Infinitésima espécie que
Reflete a imensidão em si
E o infinito, o grão da grandiosidade?
E além de nós, dos cafundós, o que é que há?
E além do fundo fim do mundo, além de lá?
E aquém do berço do universo, havia o quê?
E além de um verso – um multiverso? – o que há de haver?

1985 / 2013

So Cool

“Suspeito” de Arrigo Barnabé

You´re
So soft
Baby, you´re so cool
Sure
You´re not
Made for such a fool

Oh! The way you walk
The way you talk
The way you smile
Oh! The way you look
I like your look
I like your style

I get so impressed by how you dress
But more impressed when you undress
You´ll always be
One of the best to me

You´re
So soft
Baby, you´re so cool
Sure
You´re not
Made for such a fool

Oh! The way you flirt
The way you hurt
The way you please
Oh! The way you act
And you attract
It is so easy

All I need is such a sweet and fresh
And lovely touch as of your flesh
As you can see
You mean to much to me

So Cool

You´re
So soft
Baby, you´re so cool
Sure
You´re not
Made for such a fool

Oh! The way you walk
The way you talk
The way you smile
Oh! The way you look
I like your look
I like your style

I get so impressed by how you dress
But more impressed when you undress
You´ll always be
One of the best to me

You´re
So soft
Baby, you´re so cool
Sure
You´re not
Made for such a fool

Oh! The way you flirt
The way you hurt
The way you please
Oh! The way you act
And you attract
It is so easy

All I need is such a sweet and fresh
And lovely touch as of your flesh
As you can see
You mean to much to me

Ronda 2


de “Cidade Oculta”, de Arrigo Barnabé

Na noite alta
Na noite alta os ratos rondam,
E no asfalto
E no asfalto os carros roncam.

Bares e clubes luzem.
Bares e clubes luzem. Sinais.
Gangues de punks lúmpens
Gangues de punks lúmpens demais.
E prostitutas passam
E prostitutas passam ao léu.
E viaturas surgem
E viaturas surgem no breu.

Quando nas casas
Quando nas casas os justos dormem,
Quando não matam,
Quando não matam, os brutos morrem.

Os seus olhos
Os seus olhos filtram letras,
Luminosos,
Luminosos, faroletes
Luminosos, faroletes e holofotes;
Nos seus olhos
Nos seus olhos se reflete
Todo o lume
Todo o lume do negrume
Todo o lume do negrume dessa noite.

Cena de bangue-bangue.
Cena de bangue-bangue. Faróis.
Tiras, bandidos, anti-
Tiras, bandidos, anti- -heróis.
Tiros e gritos: cante
Tiros e gritos: cante mortal.
Cena de sangue, lance
Cena de sangue, lance normal.

E pelas ruas,
E pelas ruas, peruas rugem;
Se abrem alas
Se abrem alas e as balas zunem.

De repente
De repente você treme,
E a sirene
E a sirene passa entre
E a sirene passa entre automóveis;
Em suspense
Em suspense você pensa:
O que pode
O que pode com o ódio
O que pode com o ódio desses homens?

Essa Tarde

Essa tarde no alarde do seu lusco-fusco
É a tela mais bela na luz do crepúsculo
Tantas nuvens reluzem num grande lençol
Desmanchando e manchando o azul dos espaços
A terra emudeceu
Diante das cores no céu

O que vemos agora é mesmo um milagre
É a glória fugaz e capaz de uma lágrima
De beleza o olho vermelho do sol
Incendeia tua pele, cabelos e pelos
O céu, a terra, o chão
A nós e à nossa paixão

Neblina

Neblina

Vendo se mover
a neblina furta-cor
vem me envolver
a imagem de um amor

Descendo de carro
não sei por que eu volto
nem por que que ele foi
acendo um cigarro
penso alto
e a falta dele dói

Dor amor e cor
se confundem para mim
a neblina brilha
num vislumbre para mim

Recordo seu corpo
e o seu perfume
como fumo se desfaz
num sono num sonho bom
leve, úmido
luminoso e fugaz

Neblina
distrai a minha solidão
e cria no ar
um clima
de fria luz e ilusão
em mim a vagar

Eu Sou É do Papai (My Heart Belongs to Daddy)

Já teve vez no mesmo mês
que eu tive dez namorados
Era legal, mas afinal
eu digo “tchau” aos meus gatos
Por que eu arrumei
um milionário dessa vez.

E quando alguém não se contém
Me encontra, me canta, me atrai
Me satisfaz se mequer mais
Mas eu sou é do papai

Mas se o rapaz pedir demais
o meu telefone ai ai ai
tão dada eu sou, não sei se eu dou
pois eu sou é do papai
Sim eu sou é do papai
e com ele eu vivo em paz
Sim eu sou é do papai
Mon papa, mi papa, meu papai
E eu lhe digo meu rapaz
Você é bonito também
Mas eu sou é do papai
E o papai me trata tão bem
Me agrada e nada me falta
O papai magnata me trata tão bem

Bem-Bom [versão em inglês]

Yes
It has to be with you, I see
You are a charming company
The night is young and so are we
So let be sung our melody

Come, baby, take me to play
Come, baby, shake me and say
We´ll stay alone from now on
With me you´ll be in the bem-bom

Feel in the breeze that is in the air
A new and sweet affair
I feel the night will be so complete and swell
Well, let´s go
Let me tell you low:

Sad is to live in solitude
Glad is to fall in love with you
Now we are free, now we agree
It´s up to us, just you and me

****

É
Só tem que ser é com você
Porque senão não tem porquê
Porque seu tom é tão pro meu
E eu sou mais você e eu

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Como uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem
Vem mais pra cá, está demais
Mais vai ficar pra lá de bom
Em corpo, em cor, em som de vai
E vem que tem, cai no bem-bom

Vem me cantar, me tentar
Vem me tocar, me pegar
Com uma canção de amor
Que nasce agora no ar
Com o frescor da brisa, o calor
A cor do teu olhar
Que me alisa a pele em plena flor
Pra te dar
Meu amor, meu bem

Vem me amar, me chamar
Vem me pegar, me levar
A uma festa a dois
É só o que resta pra nós
Tem tanta gente, a gente nem vê
A hora de ficar
Eu e você, nós dois, como tem que ser
Sem pensar
Em depois, enfim

Só mesmo a gente noite adentro
Dentro e fora, agora sim
O nosso amor vai ser assim
Eu pra você, você pra mim