Todas Elas Juntas Num Só Ser

de “In Cité: Ao Vivo”, de Lenine
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de “Ensaio de Cores – Ao Vivo”, de Ana Carolina
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Não canto mais Bebete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben Jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigresa, nem a vera gata,
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science –
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, a flor de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia, de Camelo, dos Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Herbert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem a faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
De Vina, a garota de Ipanema;
Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato
E da Layla de Clapton eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-ma-belle, do beatle Paul;
Nem Isabel – Bebel – de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmena;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinicius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia:
Nenhuma tem meus vivas! e meus salves!
Nem Polly do nirvana Kurt Cobain
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! – do mano Xis!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha
(L´aura de Arnaut Daniel, o trovador?);
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião:
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que, com seus dotes e seus dons,
Inspiram parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madelleine, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho,
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça pRosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas,
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida:
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas… mas não mais que três…

Só você…
Mais que tudo é só você;
Só você…
As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Stevie Wonder, ó minha parceira.

Você é para mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra De Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby para Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Onde Você Passou a Noite

de “Locura Total”, de Fito Paez & Moska
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Baby, me beije
E não me deixe
Eu não quero te perder
Eu sinto medo
Do seu segredo
Não precisa nem dizer
Onde você passou a noite
Nem com quem nem o local
Onde você passou a noite?
Eu também já fiz igual…

Baby, me abrace
Que tudo passe
Eu não posso dispensar
O seu cuidado
Você ao meu lado
E eu não quero nem pensar
Onde você passou a noite
Nem com quem nem o local
Onde você passou a noite?
Eu também já fiz igual…

E o que me sobra é o sabor de mel e fel
E de saber que o seu amor ainda é meu
Dormir nos braços de quem me foi infiel
E perceber que o meu amor ainda é seu

Mais Que Tudo Que Existe

de “Locura Total”, de Fito Paez & Moska
2015_FitoPaezMoska_Locura_Total

De tudo que se vê e que se toca
Nada me toca tanto como tu
Da flor da pele até o céu da boca
Do sul ao norte do teu corpo nu

E eu te vejo e devoro, viajo e demoro
Nas formas e no conteúdo
E te adoro, e te adoro, e te adoro
Mais que tudo que existe, que tudo, que tudo

Transando assim contigo é que eu transcendo
É quando eu vou além do que sou eu
Trançando no teu corpo num crescendo
Sinto meu eu continuar no teu

E eu adentro teu centro, que eu vero venero
Me prendo e dali não desgrudo
E te quero, e te quero, e te quero
Mais que tudo que existe, que tudo, que tudo

Além da tua voz e o do teu gozo
Só tem um som que tanto bem me faz
O do teu nome que é tão luminoso
E é a palavra que me agrada mais

E eu murmuro esse nome, e te chamo, e te chamo
Com o corpo tomado, tesudo
E te amo, e te amo, e te amo (e te amo)
Mais que tudo que existe, que tudo, que tudo

Reis do Agronegócio


de “Estado de Poesia”, de Chico César
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Ó donos do agrobiz, ó reis do agronegócio,
Ó produtores de alimento com veneno,
Vocês que aumentam todo ano sua posse,
E que poluem cada palmo de terreno,
E que possuem cada qual um latifúndio,
E que destratam e destroem o ambiente,
De cada mente de vocês olhei no fundo
E vi o quanto cada um, no fundo, mente.

Vocês desterram povaréus ao léu que erram,
E não empregam tanta gente como pregam.
Vocês não matam nem a fome que há na Terra,
Nem alimentam tanto a gente como alegam.
É o pequeno produtor que nos provê e os
Seus deputados não protegem, como dizem:
Outra mentira de vocês, Pinóquios véios.
Vocês já viram como tá o seu nariz, hem?

Vocês me dizem que o Brasil não desenvolve
Sem o agrebiz feroz, desenvolvimentista.
Mas até hoje na verdade nunca houve
Um desenvolvimento tão destrutivista.
É o que diz aquele que vocês não ouvem,
O cientista, essa voz, a da ciência.
Tampouco a voz da consciência os comove.
Vocês só ouvem algo por conveniência.

Para vocês, que emitem montes de dióxido,
Para vocês, que têm um gênio neurastênico,
Pobre tem mais é que comer com agrotóxico,
Povo tem mais é que comer, se tem transgênico.
É o que acha, é o que disse um certo dia
Miss Motosserrainha do Desmatamento.
Já o que acho é que vocês é que deviam
Diariamente só comer seu “alimento”.

Vocês se elegem e legislam, feito cínicos,
Em causa própria ou de empresa coligada:
O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos,
Que bancam cada deputado da bancada.
Té comunista cai no lobby antiecológico
Do ruralista cujo clã é um grande clube.
Inclui até quem é racista e homofóbico.
Vocês abafam mas tá tudo no YouTube.

Vocês que enxotam o que luta por justiça;
Vocês que oprimem quem produz e que preserva;
Vocês que pilham, assediam e cobiçam
A terra indígena, o quilombo e a reserva;
Vocês que podam e que fodem e que ferram
Quem represente pela frente uma barreira,
Seja o posseiro, o seringueiro ou o sem-terra,
O extrativista, o ambientalista ou a freira;

Vocês que criam, matam cruelmente bois,
Cujas carcaças formam um enorme lixo;
Vocês que exterminam peixes, caracóis,
Sapos e pássaros e abelhas do seu nicho;
E que rebaixam planta, bicho e outros entes,
E acham pobre, preto e índio “tudo” chucro:
Por que dispensam tal desprezo a um vivente?
Por que só prezam e só pensam no seu lucro?

Eu vejo a liberdade dada aos que se põem
Além da lei, na lista do trabalho escravo,
E a anistia concedida aos que destroem
O verde, a vida, sem morrer com um centavo.
Com dor eu vejo cenas de horror tão fortes,
Tal como eu vejo com amor a fonte linda –
E além do monte o pôr-do-sol porque por sorte
Vocês não destruíram o horizonte… Ainda.

Seu avião derrama a chuva de veneno
Na plantação e causa a náusea violenta
E a intoxicação “ne” adultos e pequenos –
Na mãe que contamina o filho que amamenta.
Provoca aborto e suicídio o inseticida,
Mas na mansão o fato não sensibiliza.
Vocês já não ´tão nem aí co´aquelas vidas.
Vejam como é que o Ogrobiz desumaniza…:

Desmata Minas, a Amazônia, Mato Grosso…;
Infecta solo, rio, ar, lençol freático;
Consome, mais do que qualquer outro negócio,
Um quatrilhão de litros d´água, o que é dramático.
Por tanto mal, do qual vocês não se redimem;
Por tal excesso que só leva à escassez –
Por essa seca, essa crise, esse crime,
Não há maiores responsáveis que vocês.

Eu vejo o campo de vocês ficar infértil,
Num tempo um tanto longe ainda, mas não muito;
E eu vejo a terra de vocês restar estéril,
Num tempo cada vez mais perto, e lhes pergunto:
O que será que os seus filhos acharão de
Vocês diante de um legado tão nefasto,
Vocês que fazem das fazendas hoje um grande
Deserto verde só de soja, cana ou pasto?

Pelos milhares que ontem foram e amanhã ser-
Ão mortos pelo grão-negócio de vocês;
Pelos milhares dessas vítimas de câncer,
De fome e sede, e fogo e bala, e de AVCs;
Saibam vocês, que ganham com um negócio desse
Muitos milhões, enquanto perdem sua alma,
Que eu me alegraria se afinal morresse
Esse sistema que nos causa tanto trauma.

À Meia-Noite dos Tambores Silenciosos

de “Carbono”, de Lenine

2015_Lenine_Carbono

O baque do maracatu estanca no ar;
Das lâmpadas apaga-se a luz branca no ar;
Na sombra onde som-
-Em cor e som,
Somos um,
Ao rés
Do chão, aos pés
De Olorum.

Um lume no negrume vaga dentro de nós;
Um choro insonoro alaga o centro de nós;
Com fé ou não no axé,
No São José,
Todos são
Um nó,
E tudo é só
Comoção.

Ó Largo do Terço,
Quão largo, profundo,
Bendito o teu rito que eu verso.

Em mantras, cantos brandos já ecoam no ar;
Em bando, pombas brancas já revoam no ar;
No chão, na vibração
De nossas mãos,
Somos um,
Irmãos
Na evocação
Dos eguns.

Ó Largo do Terço,
Quão largo, profundo,
Bendito o teu rito que eu verso.

Quede Água?

de “Carbono”, de Lenine

2015_Lenine_Carbono

A seca avança em Minas, Rio, São Paulo.
O Nordeste é aqui, agora.
No tráfego parado onde me enjaulo,
Vejo o tempo que evapora.
Meu automóvel novo mal se move,
Enquanto no duro barro
Do chão rachado da represa onde não chove,
Surgem carcaças de carro.

Os rios voadores da Hileia
Mal deságuam por aqui,
E seca pouco a pouco em cada veia
O Aquífero Guarani.
Assim, do São Francisco a San Francisco,
Um quadro aterra a terra:
Por água, por um córrego, um chuvisco,
Nações entrarão em guerra.
 
Quede água? Quede água?
 
Agora o clima muda tão depressa,
Que cada ação é tardia,
Que dá paralisia na cabeça,
Que é mais do que se previa.
Algo que parecia tão distante
Periga agora tá perto;
Flora que verdejava radiante
Desata a virar deserto.

O lucro a curto prazo, o corte raso,
O agrotóxiconegócio;
A grana a qualquer preço, o petrogaso-
Carbocombustível fóssil.
O esgoto de carbono a céu aberto
Na atmosfera, no alto;
O rio enterrado e encoberto
Por cimento e por asfalto.
 
Quede água? Quede água?
 
Quando em razão de toda a ação “humana”
E de tanta desrazão,
A selva não for salva e se tornar savana;
E o mangue, um lixão;
Quando minguar o Pantanal, e entra em pane a
Mata Atlântica, tão rara;
E o mar tomar toda cidade litorânea,
E o sertão virar Saara;

E todo grande rio virar areia,
Sem verão virar outono;
E a água for commodity alheia,
Com seu ônus e seu dono;
E a tragédia da seca, da escassez,
Cair sobre todos nós,
Mas sobretudo sobre os pobres, outra vez
Sem terra, teto, nem voz…
 
Quede água? Quede água?
  
Agora é encararmos o destino
E salvarmos o que resta;
É aprendermos com o nordestino,
Que pra seca se adestra;
E termos como guias os indígenas,
E determos o desmate,
E não agirmos que nem alienígenas
No nosso próprio habitat.

Que bem maior que o homem é a Terra,
A Terra e o seu arredor,
Que encerra a vida, que na Terra não se encerra,
A vida, a coisa maior,
Que não existe onde não existe água,
Mas que há onde há arte,
Que nos alaga e nos alegra, quando a mágoa
A alma nos parte,

Para criarmos alegria pra viver o
Que houver pra vivermos,
Sem esperanças, mas sem desespero,
No futuro que tivermos.
 
Quede água? Quede água?

Crisálida-Borboleta

teteasasdoetereocapacd

(composição de 1984)

De palavra a palavreta
Crisalita a brisoleta
De lagarta a borboletra
A crisálida

Desencasula a crisálida
Aquarela alada, crisálita
Em lazulita, crisólita
Quem deslinda uma linguagem insólita?

Criso-briso-bribo-boiboleta ao pleniléu
Asalegre bela pelepétala de papel
Libralisa a brisa lindesliza a lisabrir
Butterflyingflower deflowerer fleeting like a flee

Borboleta
Extravagante e travessa
Vagabunda transmutante qual um travesti

Escrito nas estrelas

2015_douglas_malharo

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) Sua parceira, seu bem,

Discografia

Lista de composições gravadas

1978 – No LP “Tetê e o Lírio Selvagem” (gravadora Philips/PolyGram), de Tetê Espíndola e o Lírio Selvagem:
“Na Catarata” (parceria com Alzira Espíndola)
“Pássaro Sobre o Cerrado” (com Tetê Espíndola)
“Caucaia” (com Celito Espíndola)

1980 – No LP “Tetê Piraretã” (Philips/PolyGram), de Tetê Espíndola:
“Viver Junto” (com Tetê Espíndola)
“Melro” (versão para o português de “Blackbird”, de John Lennon e Paul McCartney)

1982 – No LP “Outros Sons” (Vôo Livre), de Eliete Negreiros:
“Outros Sons” (com Arrigo Barnabé)

No LP “Pássaros na Garganta” (Som da Gente), de Tetê Espíndola:
“Amor e Guavira” (com Tetê Espíndola)
“Olhos de Jacaré” (com Geraldo Espíndola)
“Cuiabá” (com Tetê Espíndola)
“Pássaros na Garganta” (com Tetê Espíndola)

1984 – No LP “Tubarões Voadores” (Barclay/Ariola), de Arrigo Barnabé:
“A Europa Curvou-se Ante o Brasil” (com Arrigo Barnabé e Bozo Barretti), com Vania Bastos e Paulinho da Viola
“Mirante” (com Arrigo Barnabé)

1985 – No mix “Tetê Espíndola Escrito nas Estrelas” (PolyGram):
“Escrito nas Estrelas” (com Arnaldo Black)

No LP “Festival dos Festivais” (Som Livre):
“Escrito nas Estrelas” (com Arnaldo Black)

No LP “Bem-Bom” (RCA), de Gal Costa:
“Bem-Bom” (com Arrigo Barnabé e Eduardo Gudim)

1986 – No LP “Gaiola” (PolyGram), de Tetê Espíndola:
“Na Chapada” (com Tetê Espíndola), com Tetê Espíndola e Ney Matogrosso
“Visão da Terra” (com Tetê Espíndola)
“Mais Uma” (com Arnaldo Black)
“Nós” (com Tetê Espíndola)
“Cururu” (com Tetê Espíndola)

No LP “Cidade Oculta” (PolyGram), de Arrigo Barnabé:
“Ronda 2” (com Arrigo Barnabé)

No LP “Ângulos/Tudo Está Dito” (Copacabana), de Eliete Negreiros:
“Domingo Longo” (com Zé Miguel Wisnik)
“Riacho” (com Passoca)

No LP “Vania Bastos” (Copacabana), de Vania Bastos:
“Eu Sou É do Papai” (versão de “My Heart Belongs to Daddy”, de Cole Porter)
“Neblina” (com Otávio Fialho)

No LP “Balãozinho” (Copacabana), de Eduardo Gudim:
“Bem-Bom” (com Arrigo Barnabé e Eduardo Gudim)

1987 – No LP “Suspeito” (3M), de Arrigo Barnabé:
“So Cool” (com Arrigo Barnabé)

1989 – No LP “Eduardo Gudim & Vania Bastos” (Eldorado):
“Bem-Bom” (com Arrigo Barnabé e Eduardo Gudim)

1990 – No CD “Vania Bastos” (Eldorado), de Vania Bastos:
“Sky of My Blues” (com Arrigo Barnabé e Hermelino Neder)

1991 – No CD “Sarajane” (EMI-Odeon), de Sarajane:
“Não Sei Por Quê” (com Dino Vicente)

1992 – No CD “Roberto de Carvalho” (WEA), de Roberto de Carvalho
“Meu ABC” (com Roberto de Carvalho)

1993 – No CD “Rita Lee” (Som Livre), de Rita Lee:
“Mille Baci” (com Rita Lee)

No CD “Tetê Espíndolla” (Camerati), de Tetê Espíndolla:
“Nossos Momentos” (com Arnaldo Black)
“Ajoelha e Reza” (com Arnaldo Black)
“Serenata do Prado” (versão de “Meadow Serenade”, de George e Ira Gershwin)

1994 – No CD “Suzana Salles” (Camerati), de Suzana Salles:
“Rapto Rápido” (com Hermelino Neder)

1995 – No CD “Ficar com Você” (Lux), de Patricia Marx:
“Sem Preconceito” (com Skowa e Tadeu Eliezer)

1997 – No CD “Quanta” (Warner), de Gilberto Gil:
“Átimo de Pó” (com Gilberto Gil)

1998 – No CD “Canções do Divino Mestre” (integrado ao livro “Canção do Divino Mestre, de Rogério Duarte – Companhia das Letras):
“O Comedor de Cachorro” (com Cid Campos e Rogério Duarte)

1999 – No CD “Defeito de Fabricação” (Trama), de Tom Zé:
“Esteticar” (com Tom Zé e Vicente Barreto)

No CD “Na Pressão” (BMG), de Lenine:
“Tubi Tupy” (com Lenine)

2000 – No CD “Cole Porter e George Gershwin – Canções, Versões” (Geléia Geral):
“Eu Só Me Ligo em Você” (versão para o português de “I Get a Kick Out of You”, de Cole Porter), com Zélia Duncan
“Que De-lindo” (de “It’s De-lovely”, de CP), com Caetano Veloso
“Façamos” (de “Let’s Do It”, de CP), com Chico Buarque e Elza Soares
“Um Dia de Garoa” (“A Foggy Day”, de George e Ira Gershwin), com Gilberto Gil
“Blablablá” (de “Blah, Blah, Blah”, de GG e IG), com Rita Lee
“Toda Vez Que Eu Digo Adeus” (de “Ev’ry Time We Say Goodbye”, de CP), com Cássia Eller
“Abraçável Você” (de “Embraceable You”, de GG e IG, parceria com Nelson Ascher), com Jane Duboc
“Fascinante Ritmo” (de “Fascinatin’ Rhythm”, de GG e IG), com Ed Motta
“Ó Dama, Tem Dó” (de “Oh Lady, Be Good”, de GG e IG, com Charles Perrone), com Carlos Fernando
“Enfim, o Amor” (de “At Long Last Love”, de CP), com Sandra de Sá
“Quem Tome Conta de Mim” (de “Someone To Watch Over Me”, de GG e IG, com Nelson Ascher), com Paula Toller
“Lorelai” (de “Lorelei”, de GG e IG), com Mônica Salmaso
“A Garota Mais Vagal da Cidade” (“The Laziest Gal in Town”, de CP), com Jussara Silveira

2001 – no CD “Maricotinha” (BMG), de Maria Bethânia:
“Antes que Amanheça” (com Chico César)

No CD “É Isso Aí” (Regata Música), de Paula Lima:
“Vem, Amor” (com Dom Betto)

2002 – no CD “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” (Abril), de Chico César:
“Quando Eu Fecho os Olhos” (com Chico César)
“Antes que Amanheça” (com Chico César)
“Experiência” (com Chico César)

No CD “Falange Canibal” (BMG), de Lenine:
“Ecos do ‘Ão’” (com Lenine)
“Quadro Negro” (com Lenine)

No CD “Pare, Olhe, Escute” (Universal), de Sandra de Sá:
“Eu e Você” (versão de “Cruisin’”, com Sandra de Sá), com Sandra de Sá e Smokey Robinson

No CD “Todo Mundo É Igual” (Abril Music), de Beto Lee:
“Ceia de Natal” (com Beto Lee)

No CD “Bossa Tropical” (MZA/Abril Music), de Gal Costa:
“Quando Eu Fecho os Olhos” (com Chico César)

2003 – No CD “Pra Você Me Ouvir” (Indie Records), de Eliana Printes:
“Vaidade” (com Chico César)

2004 – No CD “Lenine In Cité” (BMG), de Lenine:
“Vivo” (com Lenine)
“Todas Elas Juntas Num Só Ser” (com Lenine)

2004 – No DVD “Lenine In Cité” (BMG), de Lenine:
“Vivo” (com Lenine)
“Todas Elas Juntas Num Só Ser” (com Lenine)

No CD “Uma Beleza Estranha” (independente), de Daniel Taubkin:
“Sky of My Blues” (com Arrigo Barnabé e Hermelino Neder)

No CD “Aço do Açúcar”, de Aldo Brizzi:
“A Fêmea, o Gêmeo” (com Aldo Brizzi)

2004 – No CD “Luar – Canções de Arrigo Barnabé” (YB), de Tuca Fernandes:
“Mirante” (com Arrigo Barnabé)

No CD “Pulsar”, de Regina Machado:
“Quadro Negro” (com Lenine)

2005

No CD “Words and Music By Cole Porter”, de Fred Hines:
“Só Me Ligo em Você” (“I Get a Kick Out of You”, de Coler Porter)
“Ser Milionário, Quem Não Quer?” (“Who Wants To Be a Millionaire?”, de Cole Porter)

No CD “Hoje”, de Gal Costa:
“Mar e Sol” (com Lokua Kanza)
“Te Adorar” (com Lokua Kanza)
“Sexo e Luz” (com Lokua Kanza)

2006

No CD “Sol a Girar”, de Flávio Henrique (cantada por Ná Ozzetti):
“Lud” (com Flávio Henrique)

No CD “Eu Sou 300”, de Sérgio Britto:
“Nós” (com Sérgio Britto)

No CD “Onda Tropicale” (Itália), de Fiorella Manoia:
“Vivo” (com Lenine – versão em italiano de P. Fabrizi)

No DVD “Acústico MTV” (Sony/BMG), de Lenine:
“Ecos do ´Ão´” (com Lenine)

2007

No CD “Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria”, de Roberta Sá:
“Fogo e Gasolina” (com Pedro Luís), cantada com Lenine
“Samba de Amor e Ódio” (com Pedro Luís)

2008

No CD “Pássaro Pênsil”, de Flávio Henrique:
“O Pássaro Pênsil” (com Flávio Henrique), cantada com Lô Borges

No CD “Da Maior Importância”, de Elisa Paraíso:
“O Pássaro Pênsil” (com Flávio Henrique)

No CD “Inclassificáveis” (EMI), de Ney Matogrosso:
“Lema” (com Lokua Kanza)
“Coragem, Coração” (com Claudio Monjope)

No DVD “Inclassificáveis” (EMI), de Ney Matogrosso:
“Lema” (com Lokua Kanza)
“Coragem, Coração” (com Claudio Monjope)

No CD “Labiata” (Universal), de Lenine:
“É Fogo” (com Lenine)

No CD “Ponto Enredo” (EMI), de Pedro Luís e a Parede:
“Repúdio” (com Pedro Luís)

No CD “Vicente” (Joala Records, no Japão e no Brasil), de Vicente Barreto:
“Esse Rio” (com Vicente Barreto)

2009 – No filme “Fiel” (direção de Andrea Pasquini):
“Sou Fiel” (com Rita Lee)

No CD “Peixes Pássaros Pessoas” (Universal), de Mariana Aydar:
“Tá?” (com Pedro Luís e Roberta Sá)

No CD “Nego” (Biscoito Fino):
“Meu Romance” (versão para o português de “My Romance”, de Richard Rodgers e Lorenz Hart), com Gal Costa
“Encantada” (de “Bewitched , Bothered and Bewildered”, de RR e LH), com Maria Rita
“Tão Fundo É o Mar” (de “How Deep Is The Ocean”, de Irving Berlin), com Moreno Veloso
“Verão” (de “Summertime”, de George e Ira Gershwin e Dubose Heyward), com Erasmo Carlos
“Estava Escrito nas Estrelas” (de “It Was Written in The Stars”, de Harold Arlen e Leo Robin), com Emílio Santiago
“Nego” (de “Lover”, de RR e LH), com Paula Morelenbaum
“Sábio Rio” (de “Ol´ Man River”, de Jerome Kern e Oscar Hammerstein, parceria com Nelson Ascher), com João Bosco
“Fruta Estranha” (de “Strange Fruit”, de Lewis Allan), com Seu Jorge
“Tenho um Xodó por Ti” (de “I´ve Got a Crush on You”, de G e IG), com Elba Ramalho, Dominguinhos e João Donato
“Queria Estar Amando Alguém” (de “I Wish I Were in Love Again”, de RR e LH), com Ná Ozzetti e Wilson Simoninha
“O Homem que Partiu” (de “The Man That Got Away”, de Harold Arlen e Ira Gershwin), com Luciana Souza
“Mais Além do Arco –Íris” (de “Over The Rainbow”, de Harold Arlen e E.Y. Harburg), com
Zélia Duncan
“Natal Lindo” (de “White Christmas”, de IB), com Olivia Hime
“Meu Romance”, com Gal Costa e Carlinhos Brown

2010 – no DVD “Pra se Ter Alegria” (Universal), de Roberta Sá:
“Agora Sim” (com Pedro Luís e Roberta Sá)
“Samba de Amor e Ódio”
“Fogo e Gasolina”

No CD “Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão” (MP,B / Universal), de João Bosco:
“Pronto Pra Próxima” (com João Bosco)
“Pintura” (com João Bosco)

No CD “Vam-Bo-Ra” (independente), de Glaucia Nahsser:
“Canto, Logo Existo” (com Glaucia Nahsser e Tiago Vianna)

No CD “Feito Pra Acabar” (Slap – Som Livre), de Marcelo Jeneci:
“Show de Estrelas” (com Marcelo Jeneci)

No CD “Olhos” (independente), de Patricia Talem:
“Lua Brilhante” (“Moonglow”, de Will Hudson, Edgar DeLange e Irving Mills)

2011 – No CD “Chão” (Universal), de Lenine:
“Envergo Mas Não Quebro” (com Lenine)
“Isso É Só o Começo” (com Lenine)

No CD “Tempo de Menino” (MP,B Discos), de Pedro Luís:
“Tá?” (com Pedro Luís e Roberta Sá)
“Rio Moderno” (com Pedro Luís)

No CD “Vida Nova” (independente), de Edu Leal:
“Não Dá Pé” (com Edu Leal), com Adriana Godoy

2012

No CD “Segunda Pele” (Universal), de Roberta Sá:
“Segunda Pele” (com Gustavo Ruiz)

No CD “Ensaio de Cores – Ao Vivo” (Sony Music), de Ana Carolina:
“Todas Elas Juntas Num Só Ser” (com Lenine)

No DVD “Ensaio de Cores – Ao Vivo” (Sony Music), de Ana Carolina:
“Todas Elas Juntas Num Só Ser” (com Lenine)

No CD “Contigo Aprendi”, do MPB4:
“A Barca” (versão de “La Barca”, de Roberto Cantoral)

2013

No CD “Por Que Nós?”, de Camilo Frade:
“Nara, Nara, Nara” (com Lula Queiroga)

No CD “Vambora Dançar” (Sala de Som Records), de Elba Ramalho:
“Quando Eu Fecho os Olhos” (com Chico César)

No CD “Drê”, de Drê:
“Sem Ti, Contigo” (com Walter Santos)

No CD “Alta Fidelidade” (Som Livre/S de Samba), de Simoninha:
“Paixão (Meu Time)” (com Simoninha)

No CD “#AC” (Sony Music), de Ana Carolina:
“Canção pra Ti” (com Ana Carolina e Moreno Veloso)

No CD “Cores de Acolá”, de Tito Lys:
“Nara, Nara, Nara” (com Lula Queiroga)

No CD “Muito Pouco Para Todos” (Sony), de Paulinho Moska:
“Somente Nela” (com Paulinho Moska)

No DVD “Muito Pouco Para Todos” (Sony), de Paulinho Moska:
“Somente Nela” (com Paulinho Moska)

2014

No CD “Despertador”, de Leo Cavalcanti:
“O Momento” (com Leo Cavalcanti)

No álbum duplo “Tetê Espíndola” (Sesc):
No CD “Pássaros na Garganta” (de 1982), de Tetê Espíndola:
“Amor e Guavira” (com Tetê Espíndola)
“Olhos de Jacaré” (com Geraldo Espíndola)
“Cuiabá” (com Tetê Espíndola)
“Pássaros na Garganta” (com Tetê Espíndola)
No CD “Asas do Etéreo”, de Tetê Espíndola:
“Crisálida-Borboleta” (com Tetê Espíndola)

2015

No CD “Carbono” (Casa 9), de Lenine:
“Quede Água” (com Lenine)
“À Meia-Noite dos Tambores Silenciosos” (com Lenine)

No CD “Estado de Poesia”, de Chico César:
“Reis do Agronegócio” (com Chico César)

No CD “Locura Total” (Sony Music), de Fito Paez e Moska:
“Onde Você Passou a Noite” (com Moska)
“Mais Que Tudo Que Existe” (com Moska)

No CD “Locura Total”, edição estrangeira (Sony Music), de Fito Paez e Moska:
“Todas Las Cosas Que Están En El Mundo” (versão de Fito Paez para “Mais Que Tudo Que Existe” – com Moska)

No CD “Os maiores sucessos… do famoso quem”, de Douglas Malharo
“Escrito nas Estrelas” (com Arnaldo Black)

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OBS.: Faltam dados das gravações de:

“Life”, gravada por Paula Lima, no Japão;
“Eu Só Me Ligo em Você” (versão de “I Get a Kick Out of You”, de Cole Porter), gravada por Elza Soares;
“Flecha” (com Otávio Fialho), gravada por Muricy Costa.

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O Momento


de “Despertador”, de Leo Cavalcanti

capa_DESPERTADOR

Tem um momento (que de todos é diverso)
Em que você se une ao todo, ao universo

O tempo então congela (feito lá no pólo)
Seu ego some, seu eu ergue-se do solo

E sai voando entre as estrelas na amplidão
Você se torna uma delas na explosão

Dentro de si você vê uma grande luz
Rompem-se todas as amarras e tabus

Você mergulha e chega à raiz da vida
Bebe na fonte do seu jorro sem medida

Enquanto escuta a doce música distante
Que toca fundo, ao fundo, infinda, nesse instante

A eternidade então num lapso encapsula
E a divisão entre você e o outro é nula

Esse estado não é nenhum sonho impossível
Algo irreal ou ideal, ou desse nível

Nem tá vedado à multidão de abandonados
E reservado só a alguns iluminados

Mas ao alcance de nós todos, qualquer um
De qualquer homem ou qualquer mulher comum

Você não chega lá por uma fé num deus
Cê chega lá porque então cê é um deus

Já cega por um raio de um clarão tremendo
A carne do seu ser põe-se a vibrar, tremendo

Esse é o momento, enfim, de sol e nebulosa
Em que você, meu caro, minha cara, …

– Go-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-za!… –

… goza

OFICINA DE LETRAS E MÚSICAS

Oficina de composição de canções, da perspectiva de um letrista. Destina-se a compositores experientes ou iniciantes (incluindo os que são somente letristas ou que desejem criar letras). Cada participante apresenta canções de sua autoria para apreciação, avaliação, considerações e estímulos do ministrante, além de colocações de toda a turma (quem quiser, pode apresentar versões para o português de canções estrangeiras, por exemplo). O objetivo é abrir um espaço para que cada canção seja alvo de uma reflexão e discussão por parte do autor, dos demais participantes e do ministrante.

Carlos Rennó ganha show-tributo

Um show dia 21 de junho 2014 vai reunir 13 artistas cantando canções de Carlos Rennó: Tetê Espíndola, José Miguel Wisnik, Hermelino Neder, Beto Villares, Filipe Catto, Leo Cavalcanti, China, Livia Nestrovski, Tó Brandileone, Vinicius Calderoni, Daniel Belleza, Mã e Marcelo Tápia. Antes, haverá novo lançamento e seção de autógrafos do livro “O Voo das Palavras Cantadas” (editora Dash), lançado dia 11 de junho. O evento vai ac ontecer no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, em São Paulo.

O Voo das Palavras Cantadas

livro_2014_O_Voo_das_Palavras_Cantadas

Reunião de textos sobre canção escritos da perspectiva de um letrista e jornalista: priorizando a poesia da música popular. Artigos publicados na imprensa (“Folha de S.Paulo”, “Bravo”, “Valor” e outros), em livros, portal, encartes de disco, programas de espetáculos, exposições. Inclui releases, letras, mesósticos, poema visual, pseudo-doublets, entrevistas. Dos anos 1980 até hoje.

Em foco, as obras de grandes compositores-letristas surgidos na primeira metade do século vinte (Orestes Barbosa, Noel, Lamartine, Caymmi; Gershwin, Porter, Berlin); nos anos 1960 (Caetano, Gil, Chico, Tom Zé, Dylan, Lennon etc.); as relações entre poesia literária e de canção; Vinicius; além de uma diversidade de criadores – de Itamar aos Racionais, Peninha a Aldo Brizzi.

Direção de criação: Lenora de Barros; arte: Renata Zincone. Introduções de Francisco Bosco, Marcelo Tápia, Zeca Baleiro, Péricles Cavalcanti e Luiz Chagas.

Preço: R$ 42

CR apresenta curso sobre Chico Buarque no CeU Maria Antonia

O curso TEMA, FORMA E ESTILO EM CHICO BUARQUE será ministrado no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo) nos próximos dias 28 de maio, 3 e 10 de junho 2014 – das 20h às 22h30. Mais informações podem ser obtidas em
http://www.mariantonia.prceu.usp.br/?q=encontros/chico-buarque-tema-forma-e-estilo ou pelos telefones (11) 3123-5213 / 5214.

Em foco, a poesia da música de um dos maiores autores de canção do mundo. A sua magistral combinação de palavras e sons; o status literário de suas letras; o rimário sofisticado e a exploração da sonoridade. As aliterações criativas; os originais jogos lingüísticos; os sistemas rímicos eruditos; o virtuosismo no manejo dos versos. A poesia social e libertária.

Artigo do Professor Pasquale sobre “Ecos do ´Ão´”

“Ecos do ão”
ENQUANTO ECOA pelo país o “Pentacampeão!”, minha mente viaja e se lembra de uma bela letra da moderna canção brasileira, “Ecos do Ão”, de Lenine e Carlos Rennó: “Rebenta na Febem rebelião/ um vem com um refém e um facão/ a mãe aflita grita logo: não!/ e gruda as mãos na grade do portão/ aqui no caos total do cu do mundo cão/ tal a pobreza, tal a podridão/ que assim nosso destino e direção/ são um enigma, uma interrogação/ e, se nos cabe apenas decepção,/ colapso, lapso, rapto, corrupção?/ e mais desgraça, mais degradação?/ concentração, má distribuição?/ então a nossa contribuição não é senão canção, consolação?/ não haverá então mais solução?/ não, não, não, não, não…/ (…) mas, se nós temos planos, e eles são/ o fim da fome e da difamação/ por que não pô-los logo em ação?/ tal seja agora a inauguração/ da nova nossa civilização/ tão singular igual ao nosso ão/ e sejam belos, livres, luminosos os nossos sonhos de nação”.
Quanto ao conteúdo, a letra dispensa comentários. Como diria Belchior, “ao vivo, é muito pior”. Concentremo-nos, pois, num dos aspectos formais do texto. O leitor certamente notou que à triste e dura temática foi associado um dado linguístico importante: o “ão” (“tão singular igual ao nosso ão”). Eis um belo exemplo de como é possível unir forma e conteúdo. Em outras palavras, os autores pregam a idéia de que a solução de nossos problemas deve ter nossa marca.
Mas o “ão” nem sempre é solução. Guimarães Rosa já dizia que “pão ou pães, é questão de opiniães”. Em rigor, Guimarães tem razão, uma vez que são as “opiniães” dos usuários que estabelecem que o plural de “mão” seja “mãos”, que o de “cão” seja “cães” e que o de “coração” seja “corações”.
Mas a coisa nem sempre é tão simples assim. Atire a primeira pedra aquele que nunca se viu perdido diante do plural de alguma palavra terminada em “ão”! Genericamente, essas palavras fazem o plural em “ões” (portão/ portões, sabão/sabões etc.), mas não são poucas as que o fazem em “ães” (alemão/alemães, pão/ pães) ou “ãos” (grão/grãos, mão/ mãos). Na dúvida, a melhor saída é mesmo um dicionário.
Bem, sobre essa história do “ão”, parece conveniente pôr o dedo numa questão importante: se o “nosso” da letra de “Ecos do Ão” (“tão igual ao nosso ão”) se refere à língua dos brasileiros, refere-se à de todos os lusoparlantes. Posto isso, não resisto à tentação de lembrar que, em Portugal, terminam em “ão” (“protão”, “eletrão”, “neutrão”, oxítonas) algumas das palavras que no nosso português terminam em “on” (“próton”, “elétron”, “nêutron”). Como se vê, as “opiniães” vão mais longe do que supomos.
Para encerrar, duas palavras sobre “pentacampeão” etc. Mal terminou o jogo contra a Alemanha, o pessoal de rádio e televisão se pôs a falar do “hexa”. “Hexa”, que vem do grego e significa “seis”, está presente em vários termos técnicos (“hexápode”, “hexágono”, “hexagonal” etc.). O problema é a pronúncia: o “Aurélio”, o “Vocabulário Ortográfico” e o dicionário de Caldas Aulete recomendam que o “x” de todas essas palavras seja lido como “cs”; o “Houaiss” sugere que se leia esse “x” como “z”. É isso.

Pasquale Cipro Neto

(Publicado no jornal “Folha de São Paulo”, em 4 de Julho de 2002)

Soneto de Glauco Mattoso dedicado a Carlos Rennó

#1199 SONETO DO AQUECIMENTO GLOBAL (para Carlos Rennó) [abril/2007]

Fallar de “aquecimento” ja não faz
apenas referencia ao jogador
de bola ou ao commercio: o divisor
das aguas é o que existe por detraz.

Agora de “emissão”, de “estufa” e “gaz”
se falla. Antigamente, o defensor
da Terra, em vez de guerra, fez amor,
foi “hippie” e “ecologista”… Hoje, é mordaz:

– Bem feito! Não fallei? Vocês diziam
que estavamos no mundo mais lunar!
Tardou, mas disso se penitenciam!

Si esperam do planeta algum logar
de vida e não de morte, não me riam
do rotulo: “Lar, agua doce lar”!

(Publicado no livro “Mil e uma línguas”, de 2008)

Common Place – Lugar Comum

Down by the sea Beira do mar
A common place Lugar comum
Commencing a journey to Começo do caminhar
The shores of another space Pra beira de outro lugar
   
Down by the sea Beira do mar
And all seas are one Todo mar é um
Commencing a journey to Começo do caminhar
Inside the full deep of blue Pra dentro do fundo azul
   
The waters will splash A água bateu
The wind, it will blow O vento soprou
The fire of the sun O fogo do sol
The salt of the Lord O sol do senhor
   
And all things, they come Tudo isso vem
And all things, they go Tudo isso vai
Go back to that place Pro mesmo lugar
From where all things flow De onde tudo sai

TEMA, FORMA E ESTILO EM CHICO BUARQUE

Em foco, fatores importantes no processo de criação de Chico, particularmente a sua poesia, como a correspondência entre seus versos e melodias e o status literário, paralelamente aos temas abordados (de implicações políticas, sociais, o lírico-amoroso, o “feminino”), de suas letras; o rimário sofisticado e a exploração da sonoridade. Aí se incluem tópicos como as aliterações criativas; os originais jogos lingüísticos; as relações de som e sentido, significado e significante; os sistemas rímicos eruditos, como os polifônicos; o virtuosismo no manejo dos versos. O compositor-letrista é situado, ao lado de Caetano Veloso, Cole Porter e Bob Dylan, entre os maiores compositores-letristas dos últimos cem anos. Partindo da abordagem das inventivas e magistrais combinações de palavras e sons que ele promove em suas canções, o curso destaca análises, entre outras, das seguintes canções: “Construção”, “O Futebol”, “Bancarrota Blues”, “Iracema Voou”, “A História de Lily Braun”, “O Que Será (À Flor da Pele)”, “Atrás da Porta”, “Bárbara”, “A Rosa”, “Paratodos” e “Flor da Idade”.

Fotos