O baque do maracatu estanca no ar;
Das lâmpadas apaga-se a luz branca no ar;
Na sombra onde som-
-Em cor e som,
Somos um,
Ao rés
Do chão, aos pés
De Olorum.
Um lume no negrume vaga dentro de nós;
Um choro insonoro alaga o centro de nós;
Com fé ou não no axé,
No São José,
Todos são
Um nó,
E tudo é só
Comoção.
Ó Largo do Terço,
Quão largo, profundo,
Bendito o teu rito que eu verso.
Em mantras, cantos brandos já ecoam no ar;
Em bando, pombas brancas já revoam no ar;
No chão, na vibração
De nossas mãos,
Somos um,
Irmãos
Na evocação
Dos eguns.
Ó Largo do Terço,
Quão largo, profundo,
Bendito o teu rito que eu verso.
A seca avança em Minas, Rio, São Paulo.
O Nordeste é aqui, agora.
No tráfego parado onde me enjaulo,
Vejo o tempo que evapora.
Meu automóvel novo mal se move,
Enquanto no duro barro
Do chão rachado da represa onde não chove,
Surgem carcaças de carro.
Os rios voadores da Hileia
Mal deságuam por aqui,
E seca pouco a pouco em cada veia
O Aquífero Guarani.
Assim, do São Francisco a San Francisco,
Um quadro aterra a terra:
Por água, por um córrego, um chuvisco,
Nações entrarão em guerra.
Quede água? Quede água?
Agora o clima muda tão depressa,
Que cada ação é tardia,
Que dá paralisia na cabeça,
Que é mais do que se previa.
Algo que parecia tão distante
Periga agora tá perto;
Flora que verdejava radiante
Desata a virar deserto.
O lucro a curto prazo, o corte raso,
O agrotóxiconegócio;
A grana a qualquer preço, o petrogaso-
Carbocombustível fóssil.
O esgoto de carbono a céu aberto
Na atmosfera, no alto;
O rio enterrado e encoberto
Por cimento e por asfalto.
Quede água? Quede água?
Quando em razão de toda a ação “humana”
E de tanta desrazão,
A selva não for salva e se tornar savana;
E o mangue, um lixão;
Quando minguar o Pantanal, e entra em pane a
Mata Atlântica, tão rara;
E o mar tomar toda cidade litorânea,
E o sertão virar Saara;
E todo grande rio virar areia,
Sem verão virar outono;
E a água for commodity alheia,
Com seu ônus e seu dono;
E a tragédia da seca, da escassez,
Cair sobre todos nós,
Mas sobretudo sobre os pobres, outra vez
Sem terra, teto, nem voz…
Quede água? Quede água?
Agora é encararmos o destino
E salvarmos o que resta;
É aprendermos com o nordestino,
Que pra seca se adestra;
E termos como guias os indígenas,
E determos o desmate,
E não agirmos que nem alienígenas
No nosso próprio habitat.
Que bem maior que o homem é a Terra,
A Terra e o seu arredor,
Que encerra a vida, que na Terra não se encerra,
A vida, a coisa maior,
Que não existe onde não existe água,
Mas que há onde há arte,
Que nos alaga e nos alegra, quando a mágoa
A alma nos parte,
Para criarmos alegria pra viver o
Que houver pra vivermos,
Sem esperanças, mas sem desespero,
No futuro que tivermos.
Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.
Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.
Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.
Por te querer de cara e coracão
Preciso te fazer uma canção
Que seja bela, que se possa amar
Como um golaço, um passe de Neymar
Como um passo do Grupo Corpo no ar
O cello de Jaques Morelenbaum
A rima e o ritmo de Mano Brown
Em cada frase, estrofe e no refrão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que tenha algo em excesso ou algo excelso
Como uma peça, um ato de Zé Celso
Como um poema de Augusto de Campos
Ou como um rock de Arnaldo Antunes
Que toque nos ipods e no iTunes
E tenha graça como o Zé Simão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que valha o investimento de neurônios
Como o cimento de Antônio Ermírio
Como um cenário de Helio Eichbauer
(De verso-power, como um pau ereto)
Um pensamento de Antônio Cícero
O dicionário de Antônio Houaiss
E acenda em ti o sol no coração
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que revele um requinte em mots et son
Como um desfile de Gisele Bundchen
Como uma foto de Bob Wolfenson
Como o gênio de Rogério Duarte
Como um ensaio de Risério, Antônio
Mistura de mistério e clarão
Preciso te fazer essa canção
Que luza qual poema em raio laser
Como a ciência de Marcelo Gleiser
O axé de Mãe Carmen do Gantois
O fôlego e a yoga de Iyengar
E a palavra-chave de Kikuchi
Que um outro escute com muita atenção
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que alegre e que comova no seu auge
Como o cinema de Pedro Almodóvar
Como a Tanztheater de Pina Bausch
Como a chegada da Estação Primeira
Como a saída do Ilê Ayê
E um querer que não acaba, não
Será que eu sou capaz de tal canção?
Na qual não haja nada fosco ou tosco
Como um artigo de Francisco Bosco
Como uma estampa de Alberto Pitta
Como uma atuação de João Miguel
E uma edição de Luiz Schwarcz
Do todo com as partes na relação
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que seja foda, aguda, fina, chique
Como um livro de Zé Miguel Wisnik
E a moda na São Paulo Fashion Week
E fique no youtube e se remixe
E passe como tudo mas se fixe
Eu te quero tanto, com tanta paixão
Que é capaz de eu ser capaz de tal canção
E aí, ele disse pra mim
Como vai?
E aí, eu me disse taí
Minha chance
Respondi
Tudo bem e você onde vai?
Foi daí
Que saímos dali prum romance
E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa
Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema
E nesse filme de amor e ventura
Verdade e mentira
um pornô com ternura
Ele vem e se atira,
eu morro
E depois me comovo
quando me diz de novo
Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
E assim, o que ele me faz
Pode ser
Pode sim, pode até parecer uma cena
Mas pra mim, é uma cena real
Radical!
Tão real, que parece igual no cinema
E de repente na nossa história
De amor e de glória
Ele vem e me agarra,
eu me amarro
ele ajoelha e reza
E então me confessa
Que tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Tá na maior paixão
e nunca esteve assim
Nem sente seus pés no chão
E até se realça por causa de mim
Se eu penso em você Meu marrom-glacê Logo você dá de Me ligar sem ninguém saber por quê
Se você, meu bem Pensa em mim também Por casualidade Logo eu apareço aí, vindo do além
Nossa sincronicidade é tão mágica Que nos conecta sem nenhuma lógica (Nossa) sincronicidade maluca, é Tal como um beque tal como um néctar Para mim e pra você
Se eu penso em ti Oh meu açaí Sem causalidade Chega um torpedo teu logo por aqui
Sim, é sempre assim Pra você e pra mim E pra sempre há de Ser assim para nós dois até o fim
Nossa sincronicidade é tão mágica Que nos conecta sem nenhuma lógica (Nossa) sincronicidade maluca, é Tal como um beque tal como um néctar Para mim e pra você
De palavra a palavreta Crisalita a brisoleta De lagarta a borboletra A crisálida
Desencasula a crisálida Aquarela alada, crisálita Em lazulita, crisólita Quem deslinda uma linguagem insólita?
Criso-briso-bribo-boiboleta ao pleniléu Asalegre bela pelepétala de papel Libralisa a brisa lindesliza a lisabrir Butterflyingflower deflowerer fleeting like a flee
Borboleta Extravagante e travessa Vagabunda transmutante qual um travesti
Sentia tão-só
Um frio
Um nó, uma dor e um dó
Um vazio
Vivia tão só
Sombrio
Sem nada, sem ti, sem ninguém
Sem sentido, sem
Agora contigo, com tudo, porém
Tudo bem, tudo tem outro tom
Tem outro sabor, tem calor, cor e som
E a vida tem vida, convida, e também
Tem um cio, um cicio tão bom
Estar apaixonado é uma coisa louca, Que alguém lhe causa e você mal dorme. Se perto desse alguém a eternidade é pouca, Distante, cada instante é um tempo enorme. Estar apaixonado é mesmo uma doença, Que alguém lhe passa e aí você mal come. Tão-só nessa pessoa você pensa, Enquanto a outra fome o consome.
´Tava tremendo, com febre e com frio, A estremecer de amor por causa dela. Corria a minha espinha um arrepio, E eu nem pensava em mim, somente nela.
Eu ria e chorava um rio; Nunca uma dor foi tão bela. Por dias, noites e horas a fio Eu nem pensava em mim, somente nela.
Estar apaixonado é parecer um ser ridículo E não estar com isso nem aí. Você se sente livre e solto mesmo num cubículo, Tal como eu me sentia então ali.
Como o beat-beat-beat do tantã, Quando à selva desce um breu; Como o tique-tique-taque sem nenhum destaque De um relógio como o meu; Como o pingo-pingo-pingo das gotas, Quando já choveu pra chuchu; Uma voz em mim repete assim: tu, tu, tu…
Noite e dia, só tu, meu bem, Sob a Lua e sob o Sol não há mais ninguém. Longe ou perto, coração, Não importa onde estejas, não, Eu penso em ti noite e dia.
Dia e noite, por que será Que a paixão por ti me segue por onde eu vá? No rumor das ruas, oh, No silêncio do meu quarto só, Eu penso em ti, noite e dia.
Noite e dia, bem fundo, ai de mim, Uma fome tamanha teima, queima e não sai de mim. Pra ter fim o meu sofrer, Deixa te fazer amor enquanto eu viver, Dia e noite, noite e dia.
Like the beat beat beat of the tom-tom When the jungle shadows fall, Like the tick tick tock of the stately clock As it stands against the wall, Like the drip drip drip of the raindrops When the summer shower is through, So a voice within me keeps repeating: you – you – you.
Night and day, you are the one, Only you beneath the moon and under the sun. Whether near to me or far, It´s no matter, darling, where you are, I think of you day and night.
Night and day, why is it so That this longing for you follows wherever I go? In the roaring traffic´s boom, In the silence of my lonely room, I think of you night and day.
Night and day, under the hide of me There´s an, oh, such a hungry yearning burning inside of me. And its torment won´t be through, Till you let me spend my life making love to you, Day and night, night and day.
Você pra mim foi o sol De uma noite sem fim Que acendeu o que sou, Pra renascer tudo em mim. Agora eu sei muito bem Que eu nasci só pra ser O seu parceiro, seu bem, (*) E só morrer de prazer.
Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô, Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa É assim. Signo do destino, que surpresa ele nos preparou; Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas, Tava, sim.
Você me deu atenção E tomou conta de mim. Por isso, minha intenção É prosseguir sempre assim. Pois sem você, meu tesão, Não sei o que eu vou ser; Agora preste atenção: Quero casar com você.
À noite eu lhe convido:
“Querido, vem pra cá”
Um som no seu ouvido
Sussurra logo: “Vá!”
Por perto alguma gata
Já grita que nem fã
E logo o amor nos ata
Na noite, nossa irmã
Quando ele vem, faço dele
Minha luva, meu colant
A minha segunda pele
O meu cobertor de lã
São Paulo tá tão frio
Três graus, a sensação
Mas o seu arrepio
Não é de frio, não
Sou eu na sua pele
Que afago com afã
Pra que seu fogo pele
A sua anfitriã
Quando ele vem, faço dele
Minha luva, meu colant
A minha segunda pele
O meu cobertor de lã
Enquanto a noite passa
Aos braços da manhã
A gente ainda passa
Os dentes na maçã
O nosso amor é massa
Pra lá de Amsterdan
O resto é o resto, e passa
O resto é espuma, é spam
Quando ele vem, faço dele
Minha luva, meu colant
A minha segunda pele
O meu cobertor de lã
Quando ele vem, faço dele
Minha luva ou sutiã
A minha segunda pele
O meu cobertor de lã
Que amor é esse…
Mais parece desamor.
Você ama odiar
Aquilo que cê ama, o seu amor.
Você me aborrece,
Corta o meu tesão;
Por qualquer razão, sem razão,
Arma logo um barraco no meu barracão.
Que amor, que nada…
Quem entende o seu humor
E o seu gosto em desgostar
Aquela que cê gosta, o seu amor?!
Isso me enfada;
Foda, meu irmão;
E como reclama, oh não;
Inclusive na cama faz reclamação.
Basta!
Você só me afasta de você.
Pasto
E só me desgasto com você.
Paz!
Disso eu sou capaz,
Vou seguir em paz sem você.
Basta!
Hasta!
Desse amor me arranco,
Pra fugir do seu rancor.
Você briga por brigar
Com sua grande amiga, o seu amor.
Você nem é franco;
Homem sem noção.
Eu perco a razão, com razão,
Se você cria caso e causa discussão.
Basta!
Você só me afasta de você.
Pasto
E só me desgasto com você.
Paz!
Disso eu sou capaz,
Vou seguir em paz sem você.
Basta!
Hasta!
Se por acaso eu pareço
Que agora já não padeço
De um mau pedaço na vida,
Saiba que minha alegria,
Como é normal, todavia,
Com a dor é dividida.
Eu sofro igual todo mundo,
Eu somente não me afundo
Em um sofrimento infindo;
Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo,
Mas volto depois sorrindo.
Em tempos de tempestades,
Diversas adversidades,
Eu me equilibro e requebro;
É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambu-taquara:
Eu envergo, mas não quebro.
Não é só felicidade
Que tem fim, na realidade
A tristeza também tem.
Tudo acaba se inicia,
Temporal e calmaria,
Noite e dia, vai e vem.
E quando é má a maré,
E quando já não dá pé,
Não me revolto ou me queixo,
E tal qual um barco solto,
Salvo do alto-mar revolto,
Volto firme pro meu eixo.
E em noite assim como esta,
Eu cantando numa festa,
Ergo meu copo e celebro
Os bons momentos da vida –
E nos maus tempos da vida
Eu envergo, mas não quebro.