Todas Elas Juntas Num Só Ser – Número 2



Não canto Ive Brussel, Denise Rei,
Dumingaz, Rita Jeep de Ben Jor;   
Não canto a moça do galante Wando,
Nem canto a aeromoça de Belchior;
Nem Sarah nem a baby-blue de Dylan,
Nem Sally nem a doce Jane, de Lou;
Nem Angie nem a Lady Jane de Jagger;
Nem Scarlet Moon de Lee e de Lulu.

De Simon, nem Cecilia e Mrs. Robinson:
Só deixam minha lista mais extensa;
Nem la femme, l´amour de Reginaldo;
Nem la belle de jour de Alceu Valença;
De Assis Valente, nem Maria Boa;
De Lupicínio, nem Maria Rosa;
De Zé Ramalho, nem a mulher-frevo
Nem a nova, bonita e carinhosa.

Só você,
Hoje eu canto só você,
Só você,
Nem uma outra mais tem meu querer.

E danem-se Diana, de Paul Anka;
A falsa loira, de João Bosco e Aldir Blanc;
De Samuel Rosa com Chico Amaral,
A tal garota nacional, do Skank;
E Ruby e Georgia, musas de Ray Charles,
E Ruby, joia de Thelonious Monk,
E Ruby Tuesday, outra de Mick Jagger –
Além das tais mulheres honky-tonk;

Maria e mais Maria solidária,
De Milton Nascimento com Fernando Brant;
Maria, a escandalosa e a Candelária,
De Klécius Caldas com Armando Cavalcanti;
E de Caetano, para Cássia Eller,
A criatura, a gata extraordinária,
Como a menina do anel de lua
E estrela de Vinícius Cantuária.

Só você,
Eu sou quem flama, chama por você;
Só você,
Meu sal, meu mel mesclado com dendê.

Nem Sá Marina, de Gaspar e Adolfo,
Nem Dinorá, de Vitor com Ivan;
Izaura, de Herivelto com Roberti;
Clarice, de Caetano e Capinan;
Da miss de Bosco e Blanc, a Miss Suéter,
À de Roberto e Rita, a Miss Brasil 2000;
Nem Mabellene e a sixteen, de Chuck Berry;
De Little Richard, nem miss Molly nem Lucille.

E nem a mariposa de Adelino
E nem a marcianita de Alderete
E nem a moreninha de Zé Rico
E nem a mascarada de Elton e Zé Kéti
E nem a Colombina de Ed Motta
E nem a Cinderela de Rossini           
E nem a burguesinha de Seu Jorge
E nem a Tiazinha – uh! – de Vinny!

Só você,
Eu hoje elevo e louvo só você,
Só você,
Que eu clamo e que eu declamo como o quê.

Da brasileira de Benito à espanhola
De Guarabyra e Venturini em dupla,
Nem a mineira de Nogueira com Pinheiro,
Nem a garota de Berlim de Supla,
Nem a de Gil garota do Barbalho,
Nem as de Herbert meninas do Leblon,
Nem a de Bowie, mina lá da China,
Nem as mulheres de LA de Morrison;

E, de José Fortuna, nem a índia,
Sangue tupi, a flor do Paraguai;
E, de João de Barro, nem Mimi,
A japonesa (sic) de Xangai,
E nem Chiquita lá da Martinica;
Nem, de Chico, as muchachas de Copacabana,
Nem a morena do chocalho lá de Angola;
E de Emicida enfim nem a baiana.

Só você,
Ninguém me inspira mais do que você,
Só você
Eu canto e eu decanto com prazer.

Jamais alguém já fez alguém fazer
Uma canção que nem você me fez;
Nem mesmo Rita e Martha, a Paul MacCartney;
Tampouco Yolanda, a Pablo Milanês;
Nem Conceição, a Dunga e Jair Amorim;
E nem Cristina, a Tim e Carlos Imperial;
Nem Florentina de Jesus, a Tiririca;
Nem Sandra Rosa Madalena, a Magal;

Jamais também um cantautor cantou
Numa canção assim a sua amada,
Nem Dylan totalmente apaixonado
À dama de olhos tristes da Baixada;
É justo então que você dê pra mim de vez,
Só dessa vez, eu juro pelos deuses!
Só uma vez… ou só mais umas dez…
Vezes dez vezes dez… vezes dez… vezes!

Só você,
Ninguém desejo mais do que você,
Só você,
Você, meu grande amor, meu grande tê.

Você é como a mina preciosa
De Péricles e Augusto com John Donne;
Como o xodó, a paz de Dominguinhos;
O bem-querer, o encanto de Djavan;
Como a sereia de Lulu com Nelson Motta;
A fada, a doce amada de Zezé;
Como a sofisticada dama de Duke Ellington
E como a puta de Odair José.

Você é para mim e o meu amor
Profundo, grande e largo como o mar,
Mais que a donzela foi pra Luiz Melodia,
Mais que Luzia foi pra Itamar;
Que Xanduzinha pra Luiz Gonzaga
E Capitu para Luiz Tatit,
E que a namoradeira pra Rincon e Lia
E que a praieira pra Nação Zumbi!    

Só você,
Que é tudo, tudo, tudo, só você,
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Apaixonado Por Você

Suas mensagens no WhatsApp
E também lá no Instagram
Não tem nenhuma que me escape,
Releio todas de manhã.

Na sua mágica presença
Em fico em outra, alterado.
Mas nem por isso se convença
De que eu estou apaixonado
Por você.

Suas imagens lá no Insta
Eu olho quando tô on-line.
Meu fogo num instante insta
Que você logo o amaine.

Na sua falta tudo fica
Menos bonito e animado.
Isso, porém, não significa
Que eu estou apaixonado
Por você.

Quando nós dois nos encontramos,
Eu me demoro em nosso abraço.
Meu coração se diz “eu amo”, S-
em consciência e sem compasso.

Por dentro eu fico numa puta
Felicidade do seu lado,
Mas “nué” certeza absoluta
Que eu estou apaixonado
Por você.

Seu porte longo e meio magro
Na aula de yoga se destaca;
Você de longe eu só que flagro;
Tão concentrada, cê nem saca.

Mas quando eu vi o belo pomo
De suas coxas do meu lado,
Perdi o sono à noite, como
Se eu estivesse apaixonado
Por você.

Detesto olhar pro que cê fez,
Num de seus pés, no lado externo –
A tatuagem para um ex:
“Fulano, meu amor eterno”.

Agora um cara um tanto fraco
É que é seu novo namorado.
Mas ao seu lado ele é opaco –
E nem é tããão apaixonado
Por você.

Eu pra você sou um amigo,
Assim você tem me tratado.
Sou seu “querido”, mas não ligo
Se for querido e for amado.

Sua família é bem maneira,
Mas vou parar com esse agrado.
Agindo assim dessa maneira,
Podem me achar apaixonado
Por você.

Vieram me dizer que dizem
Que você é a minha musa,
Mas eu até fiquei feliz em
Saber que isso se deduza,

Porque não só esta canção
Eu em você fiz inspirado,
Porém não vá achando, não,
Que eu já estou apaixonado
Por você.

Você aspira o seu haxixe,
E eu é que quase enlouqueço
Com o seu rosto, meu fetiche,
Que eu tanto gosto e nunca esqueço.

Já não importa onde ou quando,
Tanto em você tenho pensado!
Mas é melhor não ir pensando
Que eu tô de fato apaixonado
Por você…

*

Todas Elas Juntas Num Só Ser – Final

Por adorá-la mais que Dorival
A Dora, Doralice, Gabriela,
E por querê-la mais do que Cazuza
Pôde querer Querelle, ó minha estrela,
Por horas, dias, mil e uma noites,
Eu mais de mil canções evocaria
Nessa canção e tão-somente nela,
Pra ter você pra sempre e mais um dia;

Canção que é feita de canções já feitas
Pra se cantar alguém, alguém qualquer,
E que são feitas sempre, pois tem sempre,
Pra se cantar, alguém a quem se quer,
Como você, que é uma canção em si,
Como essa aqui, que é uma canção sem fim,
Pois não acabam as canções de que ela é feita,
Nem por você o meu querer tem fim.

Só você
Faria-me fazê-la, só você,
Só você
Me inspira – e eu transpiro no fazer.

E pausa e finda assim num pseudofim,
E pára aqui pra que não se prolongue,
A minha “Sad Eyed-Lady of the Lôwlands”,
A minha “You´re The Top”, minha list-song,
Canção cantada escrita dita dada
Tão-só para você, que para mim
É tal como o cherie amour de Wonder
E assim como a querida de Jobim,

Canção que cessa mas que recomeça,
Que o rol de músicas e musas não acaba,
De “Maringá”, de Joubert de Carvalho,
Até “Mulher do Paraná”, de Sorocaba,
Além do mais sua beleza é uma grandeza
Que nem numa canção como essa cabe,
E faz com que o desejo por você
Que nunca cessa em mim não mais acabe.

Só você,
Você, você, você e só você,
Só você
É todas elas juntas num só ser.

*

Letra de 2016

A Rima Perfeita

Como beijo com desejo,
Como sexo com amplexo,
Nós rimamos como o quê;
Como baccio e abbracio,
Qual lambida e comida,
Eu combino com você;
Qual carícia e malícia,
Poesia e fantasia;
Será que você não vê?

Que nem lalá
E ah… ah… ah… ah… ah… !;
Rimar assim que é bom
Que nem espasmos de orgasmos,
Em sentido e som,
Como em Drummond.

Como fire e desire,
Como love e meia-9,
Qual tesão e relação,
Como seios e anseios,
Como pelos e apelos,
Qual canção e acordeão.

Que nem lalá
E ah… ah… ah… ah… ah… !;
Rimar assim que é bom
Que nem espasmos de orgasmos,
Em sentido e som,
Como em Drummond.

Como frio e arrepio,
Como laço e amasso;
Nós rimamos como o quê;
Qual cometa e gameta,
Qual beleza e natureza,
Falta só você se convencer.

*

Declaração

Umas vezes eu não sei
Se você existe, porque
Como pode haver algo ou alguém
Que nem você?!

Outras vezes eu não sei
Se há outras coisas, porque
Como pode haver algo ou alguém
A mais, além,
Além de você?!

Você é mais real
Do que a própria luz
Então ressalta
Aos meus olhos nus

Você sempre vem
Em primeiro plano
Do que mais tem no mundo
Tudo mais pra mim parece
Ser apenas pano de fundo
Assim é pra mim

Dona, moradora mor
Desse coração que era só
E que um dia foi mas já não é meu,
É todo seu;

Senhora do coração
Da minha cabeça-razão,
Sem você eu só penso em você,
Só em você
Intenso em você.

Quando eu me vejo
Só sem você do lado, eu
Viajo e vejo
Você ao lado meu

E nos vendo juntos
Eu me invejo a mim
Me sinto um rei e sei
Que esse sonho é louco, sim
Louco e não é pouco, não
Mas é bem assim!

*

O Laço Que Une Eu E Você

Você produz em mim um sentimento
Que leva uma pessoa a fazer
Uma loucura a cada momento,
Ou a compor enfim uma canção.

Mas para mim, amor, não é assim, porque
Eu nunca tive dom pra isso, não.
Eu não sou bom de verso nem de rima, nem
Sei como se faz um refrão.

Eu sou um cara mais de ação, entende?
Se eu sou a fim, eu vou, e fim, e pronto.
Meu coração tão-só ao seu se prende,
Mas não só com palavras eu demonstro

O quanto que eu me amarro, o quanto que eu me agarro
Em você, com tal querer
E uma tal fissura, a cada mil loucuras
Que eu faço por você.

E eu faço mil e uma pra fazer
Mais firme o laço que une eu e você.

Você me faz viver a poesia
Do que se diz numa canção de amor
Porém, meu bem, eu nunca saberia
Cantar o meu amor numa canção.

E é mais o que eu faço, e menos o que eu falo,
O que expressa o meu coração.
No mais, não sei cantar, eu aliás nem sei
Como se toca um violão.

Mas faço mil e uma pra fazer
Mais firme o laço que une eu e você.

Composta em 2015

BE TRUE / ME TOO

I said “Crush,”
Saw you blush.
I said “my”,
Saw you sigh.
I said “dear,”
You came near.
I said “I”,
You got shy.
I said “love”
You dreamed of…
I said “you!”
Then you knew.
I said “And”,
Then you planned…
I said “you?”
You said: “Ooh!”
I said “Be”,
You said “Me”.
I said “true…”
You said “too”.

Canções militantes

Quando meus olhos adentro
Em teus olhos, em seu centro,
Por um momento profundo,
O que eu desejo é que dentro
Em pouco eu fique por dentro
Do que desejas, no fundo.

No fundo qualquer que seja
O desejo que lateja
E que tu velas, intato,
Revele-se de repente
Não em palavras somente,
Mas em toque, em tato, em ato.

No ato seria lindo
Ver a flor, entreabrindo,
De teus lábios e teus lábios
Por bem se dando, cedendo,
Se concedendo, fazendo
A delícia de quem sabe-os.

Quem sabe o afago que acende o
Teu fogo cause um incêndio,
E eu me queime na luz
Da chama da flor do sul, Sá,
Do teu desejo que pulsa,
Quando entro em teus olhos nus.

Quando em teus olhos adentro
Os meus olhos, em seu centro,
Como dentro de uma saia
Indo por baixo, por entre,
Tudo que eu quero é que eu entre
Em ti e nunca mais saia.

*

Composta em 2017

Todas Elas Juntas Num Só Ser [versão variante]

Canções: GravadasIntérprete: LenineLetras: Carlos RennóMúsica: Lenine

Não canto mais Bebete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben Jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigresa, nem a vera gata,
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science –
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia, dos Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Herbert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem a faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
De Vina, a garota de Ipanema;
Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato
E da Layla de Clapton eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-ma-belle, do beatle Paul;
Nem Isabel – Bebel – de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmena;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinicius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia:
Nenhuma tem meus vivas! e meus salves!
E nem Angie do stone Mick Jagger
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! – do mano Xis!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha
(L´aura de Daniel, o trovador?);
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião:
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que, com seus dotes e seus dons,
Inspiram parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madelleine, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho,
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
Ou a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça pRosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas,
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida:
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas… mas não mais que três…

Só você…
Mais que tudo é só você;
Só você…
As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Stevie Wonder, ó minha parceira.

Você é para mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra De Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby para Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Escrito nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) Sua parceira, seu bem,

Gravação lançada em 1996 no álbum “Canção Do Amor”, Tetê Espindola

Hino” ao Inominável (com legenda em inglês)

“Sou a favor da ditadura”, disse ele,
“Do pau de arara e da tortura”, concluiu.
“Mas o regime, mais do que ter torturado,
Tinha que ter matado trinta mil”.
E em contradita ao que afirmou, na caradura
Disse: “Não houve ditadura no país”.

E no real o incrível, o inacreditável
Entrou que nem um pesadelo, infeliz,
Ao som raivoso de uma voz inconfiável
Que diz e mente e se desmente e se desdiz.

Disse que num quilombo “os afrodescendentes
Pesavam sete arrobas” – e daí pra mais:
Que “não serviam nem pra procriar”,
Como se fôssemos, nós negros, animais.
E ainda insiste que não é racista
E que racismo não existe no país.

Como é possível, como é aceitável
Que tal se diga e fique impune quem o diz?
Tamanha injúria não inocentável,
Quem a julgou, que júri, que juiz?

Disse que agora “o índio está evoluindo,
Cada vez mais é um ser humano igual a nós.
Mas isolado é como um bicho no zoológico”,
E decretou e declarou de viva voz:
“Nem um centímetro a mais de terra indígena!,
Que nela jaz muita riqueza pro país”.

Se pronuncia assim o impronunciável
Tal qual o nome que tal “hino” nunca diz,
Do inumano ser, o ser inominável,
Do qual emanam mil pronunciamentos vis.

Disse que se tivesse um filho homossexual,
Preferiria que o progênito “morresse”.
Pruma mulher disse que não a estupraria,
Porque “você é feia, não merece”.
E ainda disse que a mulher, “porque engravida”,
“Deve ganhar menos que o homem” no país.

Por tal conduta e atitude deplorável,
Sempre o comparam com alguns quadrúpedes.
Uma maldade, uma injustiça inaceitável!
Tais animais são mais afáveis e gentis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Chamou o tema ambiental de “importante
Só pra vegano que só come vegetal”;
Chamou de “mentirosos” dados científicos
Do aumento do desmatamento florestal.
Disse que “a Amazônia segue intocada,
Praticamente preservada no país”.

E assim negou e renegou o inegável,
As evidências que a Ciência vê e diz,
Da derrubada e da queimada comprovável
Pelas imagens de satélites.

E proclamou : “Policial tem que matar,
Tem que matar, senão não é policial.
Matar com dez ou trinta tiros o bandido,
Pois criminoso é um ser humano anormal.
Matar uns quinze ou vinte e ser condecorado,
Não processado” e condenado no país.

Por essa fala inflexível, inflamável,
Que só a morte, a violência e o mal bendiz,
Por tal discurso de ódio, odiável,
O que resolve são canhões, revólveres.

“A minha especialidade é matar,
Sou capitão do exército”, assim grunhiu.
E induziu o brasileiro a se armar,
Que “todo mundo, pô, tem que comprar fuzil”,
Pois “povo armado não será escravizado”,
Numa cruzada pela morte no país

E num desprezo pela vida inolvidável,
Que nem quando lotavam UTIs
E o número de mortos era inumerável,
Disse “E daí? Não sou coveiro”. “E daí?”

“Os livros são hoje ‘um montão de amontoado’
De muita coisa escrita”, veio a declarar.
Tentou dizer “conclamo” e disse “eu canclomo”;
Não sabe conjugar o verbo “concl…amar”.
Clamou que “no Brasil tem professor demais”,
Tal qual um imbecil pra imbecis.

Vigora agora o que não é ignorável:
Os ignorantes ora imperam no país
(O que era antes, ó pensantes, impensável)…
Quem é essa gente que não sabe o que diz?

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Chamou de “herói” um coronel torturador
E um capitão miliciano e assassino.
Chamou de “escória” bolivianos, haitianos…
De “paraíba” e “pau de arara” o nordestino.
E diz que “ser patrão aqui é uma desgraça”,
E diz que “fome ninguém passa no país”.

Tal qual num filme de terror, inenarrável,
Em que a verdade não importa nem se diz,
Desenrolou-se, incontível, incontável,
Um rol idiota de chacotas e pitis.

Disse que mera “fantasia” era o vírus
E “histeria” a reação à pandemia;
Que brasileiro “pula e nada no esgoto,
Não pega nada”, então também não pegaria
O que chamou de “gripezinha” e receitou (sim!),
Sim, cloroquina, e não vacina, pro país.

E assim sem ter que pôr à prova o improvável,
Um ditador tampouco põe pingo nos is,
E nem responde, falador irresponsável,
Por todo ato ou toda fala pros Brasis.

E repetiu o mote “Deus, pátria e família”
Do integralismo e da Itália do fascismo,
Colando ao lema uma suspeita “liberdade”…
Tal qual tinha parodiado do nazismo
O slogan “Alemanha acima de tudo”,
Pondo ao invés “Brasil” no nome do país.

E qual num sonho horroroso, detestável,
A gente viu sem crer o que não quer nem quis:
Comemorarem o que não é memorável,
Como sinistras, tristes efemérides…

Já declarou: “Quem queira vir para o Brasil
Pra fazer sexo com mulher, fique à vontade.
Nós não podemos promover turismo gay,
Temos famílias”, disse com moralidade.
E já gritou um dia: “Toda minoria
Tem de curvar-se à maioria!” no país.

E assim o incrível, o inacreditável,
Se torna natural, quanto mais se rediz,
E a intolerância, essa sim intolerável,
Nessa figura dá chiliques mis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Por vezes saem, caem, soam como fezes
Da sua boca cada som, cada sentença…
É um nonsense, é um caô, umas fake-news,
É um libelo leviano ou uma ofensa.
Porque mal pensa no que diz, porque mal pensa,
“Não falo mais com a imprensa”, um dia diz.

Mas de fanáticos a horda lamentável,
Que louva a volta à ditadura no país,
A turba cega-surda surta, insuportável,
E grita “mito!”, “eu autorizo!”, e pede “bis!”

E disse “merda, bosta, porra, putaria,
Filho da puta, puta que pariu, caguei!”
E a cada internação tratando do intestino
E a cada termo grosso e um “Talquei?”,
O cheiro podre da sua retórica
Escatológica se espalha no país.

“Sou imorrível, incomível e imbrochável”,
Já se gabou em sua tão caracterís-
Tica linguagem baixo nível, reprovável,
Esse boçal ignaro, rei de mimimis.

Mas nada disse de Moise Kabagambe,
O jovem congolês que foi aqui linchado.
Do caso Evaldo Rosa, preto, musicista,
Com a família no automóvel baleado,
Disse que a tropa “não matou ninguém”, somente
“Foi um incidente” oitenta tiros de fuzis…

“O exército é do povo e não foi responsável”,
Falou o homem da gravata de fuzis,
Que é bem provável ser-lhe a vida descartável,
Sendo de negro ou de imigrante no país.

Bradou que “o presidente já não cumprirá
Mais decisão” do magistrado do Supremo,
Ao qual se dirigiu xingando: “Seu canalha!”
Mas acuado recuou do tom extremo,
E em nota disse: “Nunca tive intenção
(Não!) De agredir quaisquer Poderes” do país.

Falhou o golpe mas safou-se o impeachável,
Machão cagão de atos pusilânimes,
O que talvez se ache algum herói da Marvel
Mas que tá mais pra algum bandido de gibis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

E sugeriu pra poluição ambiental:
“É só fazer cocô, dia sim, dia não”.
E pra quem sugeriu feijão e não fuzil:
“Querem comida? Então, dá tiro de feijão”.
É sem preparo, sem noção, sem compostura.
Sua postura com o posto não condiz.

No entanto “chega! […] vai agora [inominável]”,
Cravou o maior poeta vivo, no país,
E ecoou o coro “fora, [inominável]!”
E o panelaço das janelas nas metrópoles!

E numa live de golpista prometeu:
“Sem voto impresso não haverá eleição!”
E praguejou pra jornalistas: “Cala a boca!
Vocês são uma raça em extinção!”
E no seu tosco português ele não pára:
Dispara sempre um disparate o que maldiz.

Hoje um mal-dito dito dele é deletável
Pelo Insta, Face, YouTube e Twitter no país.
Mas para nós, mais do que um post, é enquadrável
O impostor que com o posto não condiz.

Disse que não aceitará o resultado
Se derrotado na eleição da nossa história,
E: “Eu tenho três alternativas pro futuro:
Ou estar preso, ou ser morto ou a vitória”,
Porque “somente Deus me tira da cadeira
De presidente” (Oh Deus proteja esse país!”).

Tivéssemos um parlamento confiável,
Sem x comparsas seus cupinchas, cúmplices,
E seu impeachment seria inescapável,
Com n inquéritos, pedidos, CPIs.

………………………………………………………………

Não há cortina de fumaça indevassÁvel
Que encubra o crime desses tempos inci-vis
E tampe o sol que vem com o dia inadiÁvel
E brilha agora qual farol na noite gris.
É a esperança que renasce onde HÁ véu,
De um horizonte menos cinza e mais feliz.
É a passagem muito além do instagramÁvel
Do pesadelo à utopia por um triz,
No instante crucial de liberdade instÁvel
Pros democráticos de fato, equânimes,
Com a missão difícil mas realizável
De erguer das cinzas como fênix o país.

E quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

*
*
*

Tradução literal legendada:

“I’m all in favor of dictatorship”, he said,

“Of pau-de-arara and torture”, he concluded.

“But the regime, besides having tortured

Should have killed some thirty thousand.”

And contradicting what he shamelessly had said

He went: “There was no dictatorship in the country.”

In our reality, the incredible and unbelievable

Stepped in like a miserable nightmare

To the angry sound of a mistrustful voice

That tells lies and then unsays and retreats.

He said that, in a settlement, “Afro-descendants

Weighed 200 pounds” — and then said more:

That “they’re not even fit to procreate”,

As if we, black people, were animals.

And he insists that he’s not a racist

And that there’s no racism in the country.

How is it possible, how is it acceptable

That things like these are said with such impunity?

Such injury, so unforgivable

Was tried by what judge, what jury?

He said that now “native Indians are evolving,

Becoming human like the rest of us.

But isolated they’re like beasts in a zoo,”

And decreed and declared in full voice:

“Not another inch of indigenous land!,

Since too many riches lie in there.”

Thus the unpronounceable pronounces himself

The one whose name this “hymn” never spells

The inhuman being, the unnamable

From whence a thousand vile statements are spewed.

He said that, if he had a homosexual son

He’d rather see that offspring “dead.”

To a woman, he said he wouldn’t rape her

Because “you’re ugly, don’t deserve it.”

And also said that women, “since they get pregnant,”

In this country “should earn less than men.”

For such deplorable behavior and attitude

He’s often compared to some quadrupeds

Such unfair and unacceptable injustice!

Those beasts are far more friendly and affable.

But who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

He said the environment “only matters

To vegans, who eat nothing but vegetables;”

He called “deceitful” the scientific data

That warns about deforestation rates.

He said “the Amazon remains untouched,

Practically preserved in the country.”

And thus refuted and denied the undeniable

The evidences that all science ratifies

Of loggings and burnings verifiable

By satellite imagery.

And he proclaimed: “”A cop has to kill,

Has to kill, otherwise he’s not a cop.

Kill the bad guys with ten or thirty shots,

Since criminals are abnormal beings.

Kill fifteen or twenty and then get decorated,

Not sued” and prosecuted in the courts.

This inflexible, inflammable discourse

That death, violence and evil praise

This hateful discourse of hate

Sees solution only in canons and shotguns.

“My specialty is killing

I’m an army captain”, he grunted.

And induced Brazilians to get armed.

“Damn, everyone should buy a rifle”,

For “an armed people won’t be enslaved”,

In a crusade of death across the land.

And, in an unforgettable disregard for the casualties,

That kept piling up in ICUs,

With death tolls becoming countless

He said “So what? I’m not a gravedigger.”

“Books are today ‘a heaping pile’

Of many written things”, he came to declare.

Tried to say “conclamo” and said “canclomo”;

Can’t conjugate the verb “conclamar.”

Claimed that “Brazil has too many teachers”,

Like an imbecile addressing imbeciles.

What thrives now we can no longer ignore

We’re ruled by ignorance and nothing more

(Which was before, o, thinkers, unthinkable)…

Who are those people who don’t know what they say?

But who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

He called “hero” a coronel who tortured

And a militia captain who murdered.

He called Bolivians and Haitians “scum”…

And northeastern folk “”rednecks” and “hicks”

Said that “being a boss here is a drag”

And that “no one starves in the country.”

Just like an indescribable horror flick

Where truth seems not to matter anymore

Thus unfolded, uncontained and unaccountable

A long list of mindless mockeries.

He said the virus was mere “fantasy”

That the reaction to the pandemic was “hysteria”;

That Brazilians “jump into sewers and swim,

Never catching anything”, so they wouldn’t catch

What he called “a small cold”, and prescribed (yes!)

Chloroquine and not vaccine to the country.

And thus, without proving the unprovable

A dictator never crosses the t’s

Nor stands behind, irresponsible tattler,

His acts and speeches through Brazil.

And he repeated the motto “God, country, family”

From Integralismo and fascist Italy

Adding there only a suspicious “liberty”…

Like he did when he borrowed from the Nazis

The slogan “Germany above all”,

Substituting for that country’s name “Brazil”.

And, like a horrible, deplorable dream

We saw, incredulous, what we never wished for:

Commemorations of things not memorable,

As some sinister, sad ephemeris…

He declared: “Whoever wants to come to Brazil

To have sex with women, feel free.

We can’t promote gay tourism

We have families”, he said, morally.

And one day screamed: “Every minority

Has to bow to the majority!” in the country.

And so the incredible, the unbelievable

Is naturalized as it goes around

And intolerance, which is intolerable,

In this fiend finds a fertile ground.

But who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

Sometimes spewed, sounding like feces

Sentences and sounds are expelled from his mouth…

Slanders, fake news, nonsense,

Levities, libels or offences.

Because he barely thinks of what he’s gonna say

“I won’t talk to the press anymore”, decides one day.

But the regrettable fanatical hordes

That praise the return of the dictatorship

The unbearable deaf-blind mob goes insane

Yells “myth!”, “I authorize it!”, asks for more!

And he said “shit, crap, scum, fuckery,

Sonofabitch, motherfucker, I don’t give a shit!”

And, at every medical intestinal intervention,

With every curse, every “is that ok?”

The stinking stench of his rhetoric

Eschatologically spreads across the land.

“I never die, never get fucked, never go limp,”

He’s bragged in his characteristic,

Reproachable low-level lingo,

That ignorant dunce, the king of whines.

Yet he said nothing about Moise Kabagambe,

The youth from Congo that was lynched here

Or Evaldo Rosa, the black musician,

Shot dead in his car with his family,

He said the troops “didn’t kill anyone”, merely

“It was an incident”, eighty shotgun shots…

“The army belongs to the people and is not responsible”,

Said the man with the rifle-patterned tie

For him a life is very probably disposable,

If it’s a Black or immigrant that dies.

He blurted that “the president will no longer

Accept decisions” from a Supreme Court judge,

Whom he scolded and called: “Scoundrel!”

Then, cornered, changed his tone

Saying, in a note: “I never intended

(No!) To attack any Powers” in the country.

Coup averted, the impeachable slipped away

That macho chicken of pusillanimous behavior

Who may think of himself as a Marvel hero

But resembles more a villain of comic books.

But who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

For the environmental pollution, he suggested:

“One should just crap every other day.”

And to those who demanded beans, not guns:

“You guys want food? Then, fire beans.”

He’s unprepared, unaware, has no composure

Lacks the posture that his position demands.

However, “enough! […] leave now [unnamable]”,

Wrote, in the country, the greatest living poet,

And a choir of “get out [unnamable]!” echoed

To the sound of pots being banged in big cities!

In a threatening live feed, he promised:

“Without printed votes there won’t be any elections!”

And pounced on journalists: “Shut up!

You’re a race near extinction!”

In his crude Portuguese, he keeps on going:

Always spewing absurdities and imprecations.

All that’s misspoken is now easily deletable

On Instagram, Facebook, YouTube, Twitter

But for us those are no posts, they’re evidence

That the impostor doesn’t belong in his chair.

He said he won’t accept if he loses

This pivotal election in our history

And: “I have three future alternatives:

Be jailed, be killed or victory”,

Since “only God can remove me

From the presidential chair” (God help this country!”)

If we had a reliable parliament

Without his accomplices, his partners and pals

His impeachment would be unescapable

With many inquiries, petitions, committees.

There’s no smoke screen thick enough

To cover up the crimes of these uncivil times

And cloak the sun brought by the urgent day

Shining like a beacon in the greyest night.

It’s hope reborn where there’s a veil

Of a horizon that’s buoyant and bright

It’s the passing, way beyond Instagrammable,

From nightmare to utopia, in the nick of time,

In the crucial instant of unstable freedom

For those true, equanimous democrats

With the grueling, yet accomplishable mission

Of raising this country, like a phoenix, from the ashes.

And who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

But who will say that it’s no longer imaginable

To raise this country from its ruins once again?

Choro-Jazz Song

It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz
What I have, what you have, what we have, what she has, what he has
It has never gone, is never done, has never passed
It will forever live, forever give, forever last

It is cool, it is hot, it is free, it is more, it is jazz
What a joy, what a jam, what a gem, what a cream, what a class
It is a real gift, a real gig, a real gas
It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz

Hino” ao Inominável – Movimento 5

E sugeriu pra poluição ambiental:
“É só fazer cocô, dia sim, dia não”.
E pra quem sugeriu feijão e não fuzil:
“Querem comida? Então, dá tiro de feijão”.
É sem preparo, sem noção, sem compostura.
Sua postura com o posto não condiz.

No entanto “chega! […] vai agora [inominável]”,
Cravou o maior poeta vivo, no país,
E ecoou o coro “fora, [inominável]!”
E o panelaço das janelas nas metrópoles!

E numa live de golpista prometeu:
“Sem voto impresso não haverá eleição!”
E praguejou pra jornalistas: “Cala a boca!
Vocês são uma raça em extinção!”
E no seu tosco português ele não pára:
Dispara sempre um disparate o que maldiz.

Hoje um mal-dito dito dele é deletável
Pelo Insta, Face, YouTube e Twitter no país.
Mas para nós, mais do que um post, é enquadrável
O impostor que com o posto não condiz.

Disse que não aceitará o resultado
Se derrotado na eleição da nossa história,
E: “Eu tenho três alternativas pro futuro:
Ou estar preso, ou ser morto ou a vitória”,
Porque “somente Deus me tira da cadeira
De presidente” (Oh Deus proteja esse país!”).

Tivéssemos um parlamento confiável,
Sem x comparsas seus cupinchas, cúmplices,
E seu impeachment seria inescapável,
Com n inquéritos, pedidos, CPIs.

………………………………………………………………

Não há cortina de fumaça indevassÁvel
Que encubra o crime desses tempos inci-vis
E tampe o sol que vem com o dia inadiÁvel
E brilha agora qual farol na noite gris.
É a esperança que renasce onde HÁ véu,
De um horizonte menos cinza e mais feliz.
É a passagem muito além do instagramÁvel
Do pesadelo à utopia por um triz,
No instante crucial de liberdade instÁvel
Pros democráticos de fato, equânimes,
Com a missão difícil mas realizável
De erguer das cinzas como fênix o país.

E quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

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*
*

Hino” ao Inominável – Movimento 4

Por vezes saem, caem, soam como fezes
Da sua boca cada som, cada sentença…
É um nonsense, é um caô, umas fake-news,
É um libelo leviano ou uma ofensa.
Porque mal pensa no que diz, porque mal pensa,
“Não falo mais com a imprensa”, um dia diz.

Mas de fanáticos a horda lamentável,
Que louva a volta à ditadura no país,
A turba cega-surda surta, insuportável,
E grita “mito!”, “eu autorizo!”, e pede “bis!”

E disse “merda, bosta, porra, putaria,
Filho da puta, puta que pariu, caguei!”
E a cada internação tratando do intestino
E a cada termo grosso e um “Talquei?”,
O cheiro podre da sua retórica
Escatológica se espalha no país.

“Sou imorrível, incomível e imbrochável”,
Já se gabou em sua tão caracterís-
Tica linguagem baixo nível, reprovável,
Esse boçal ignaro, rei de mimimis.

Mas nada disse de Moise Kabagambe,
O jovem congolês que foi aqui linchado.
Do caso Evaldo Rosa, preto, musicista,
Com a família no automóvel baleado,
Disse que a tropa “não matou ninguém”, somente
“Foi um incidente” oitenta tiros de fuzis…

“O exército é do povo e não foi responsável”,
Falou o homem da gravata de fuzis,
Que é bem provável ser-lhe a vida descartável,
Sendo de negro ou de imigrante no país.

Bradou que “o presidente já não cumprirá
Mais decisão” do magistrado do Supremo,
Ao qual se dirigiu xingando: “Seu canalha!”
Mas acuado recuou do tom extremo,
E em nota disse: “Nunca tive intenção
(Não!) De agredir quaisquer Poderes” do país.

Falhou o golpe mas safou-se o impeachável,
Machão cagão de atos pusilânimes,
O que talvez se ache algum herói da Marvel
Mas que tá mais pra algum bandido de gibis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

*
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Hino” ao Inominável – Movimento 3

Chamou de “herói” um coronel torturador
E um capitão miliciano e assassino.
Chamou de “escória” bolivianos, haitianos…
De “paraíba” e “pau de arara” o nordestino.
E diz que “ser patrão aqui é uma desgraça”,
E diz que “fome ninguém passa no país”.

Tal qual num filme de terror, inenarrável,
Em que a verdade não importa nem se diz,
Desenrolou-se, incontível, incontável,
Um rol idiota de chacotas e pitis.

Disse que mera “fantasia” era o vírus
E “histeria” a reação à pandemia;
Que brasileiro “pula e nada no esgoto,
Não pega nada”, então também não pegaria
O que chamou de “gripezinha” e receitou (sim!),
Sim, cloroquina, e não vacina, pro país.

E assim sem ter que pôr à prova o improvável,
Um ditador tampouco põe pingo nos is,
E nem responde, falador irresponsável,
Por todo ato ou toda fala pros Brasis.

E repetiu o mote “Deus, pátria e família”
Do integralismo e da Itália do fascismo,
Colando ao lema uma suspeita “liberdade”…
Tal qual tinha parodiado do nazismo
O slogan “Alemanha acima de tudo”,
Pondo ao invés “Brasil” no nome do país.

E qual num sonho horroroso, detestável,
A gente viu sem crer o que não quer nem quis:
Comemorarem o que não é memorável,
Como sinistras, tristes efemérides…

Já declarou: “Quem queira vir para o Brasil
Pra fazer sexo com mulher, fique à vontade.
Nós não podemos promover turismo gay,
Temos famílias”, disse com moralidade.
E já gritou um dia: “Toda minoria
Tem de curvar-se à maioria!” no país.

E assim o incrível, o inacreditável,
Se torna natural, quanto mais se rediz,
E a intolerância, essa sim intolerável,
Nessa figura dá chiliques mis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

*
*

Hino” ao Inominável – Movimento 2

Chamou o tema ambiental de “importante
Só pra vegano que só come vegetal”;
Chamou de “mentirosos” dados científicos
Do aumento do desmatamento florestal.
Disse que “a Amazônia segue intocada,
Praticamente preservada no país”.

E assim negou e renegou o inegável,
As evidências que a Ciência vê e diz,
Da derrubada e da queimada comprovável
Pelas imagens de satélites.

E proclamou : “Policial tem que matar,
Tem que matar, senão não é policial.
Matar com dez ou trinta tiros o bandido,
Pois criminoso é um ser humano anormal.
Matar uns quinze ou vinte e ser condecorado,
Não processado” e condenado no país.

Por essa fala inflexível, inflamável,
Que só a morte, a violência e o mal bendiz,
Por tal discurso de ódio, odiável,
O que resolve são canhões, revólveres.

“A minha especialidade é matar,
Sou capitão do exército”, assim grunhiu.
E induziu o brasileiro a se armar,
Que “todo mundo, pô, tem que comprar fuzil”,
Pois “povo armado não será escravizado”,
Numa cruzada pela morte no país

E num desprezo pela vida inolvidável,
Que nem quando lotavam UTIs
E o número de mortos era inumerável,
Disse “E daí? Não sou coveiro”. “E daí?”

“Os livros são hoje ‘um montão de amontoado’
De muita coisa escrita”, veio a declarar.
Tentou dizer “conclamo” e disse “eu canclomo”;
Não sabe conjugar o verbo “concl…amar”.
Clamou que “no Brasil tem professor demais”,
Tal qual um imbecil pra imbecis.

Vigora agora o que não é ignorável:
Os ignorantes ora imperam no país
(O que era antes, ó pensantes, impensável)…
Quem é essa gente que não sabe o que diz?

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

Hino” ao Inominável – Movimento 1

“Sou a favor da ditadura”, disse ele,
“Do pau de arara e da tortura”, concluiu.
“Mas o regime, mais do que ter torturado,
Tinha que ter matado trinta mil”.
E em contradita ao que afirmou, na caradura
Disse: “Não houve ditadura no país”.

E no real o incrível, o inacreditável
Entrou que nem um pesadelo, infeliz,
Ao som raivoso de uma voz inconfiável
Que diz e mente e se desmente e se desdiz.

Disse que num quilombo “os afrodescendentes
Pesavam sete arrobas” – e daí pra mais:
Que “não serviam nem pra procriar”,
Como se fôssemos, nós negros, animais.
E ainda insiste que não é racista
E que racismo não existe no país.

Como é possível, como é aceitável
Que tal se diga e fique impune quem o diz?
Tamanha injúria não inocentável,
Quem a julgou, que júri, que juiz?

Disse que agora “o índio está evoluindo,
Cada vez mais é um ser humano igual a nós.
Mas isolado é como um bicho no zoológico”,
E decretou e declarou de viva voz:
“Nem um centímetro a mais de terra indígena!,
Que nela jaz muita riqueza pro país”.

Se pronuncia assim o impronunciável
Tal qual o nome que tal “hino” nunca diz,
Do inumano ser, o ser inominável,
Do qual emanam mil pronunciamentos vis.

Disse que se tivesse um filho homossexual,
Preferiria que o progênito “morresse”.
Pruma mulher disse que não a estupraria,
Porque “você é feia, não merece”.
E ainda disse que a mulher, “porque engravida”,
“Deve ganhar menos que o homem” no país.

Por tal conduta e atitude deplorável,
Sempre o comparam com alguns quadrúpedes.
Uma maldade, uma injustiça inaceitável!
Tais animais são mais afáveis e gentis.

Mas quem dirá que não é mais imaginável
Erguer de novo das ruínas o país?

*