Todos os posts de Carlos Rennó

O Cerrado Descuidado

O que será do cerrado,
O filtro do Brasil, da América profunda?
Da planta que retém a chuva do ambiente
Se a água já pelas raízes não afunda
Em um lençol do qual aflora na nascente
De água pura e cristalina de um aquífero
Desse bioma de água doce tão prolífero,
O pai do Prata, Tocantins e São Francisco*,
O receptor e distribuidor de vida,
De vida líquida, correndo grave risco
De vida que o agro tóxico liquida,
Como um ciclo enterrado.

O que será do cerrado?
Pois há cerrado em pé pois há quem tem o pé
No chão de um povo dos gerais, tradicional,
De um quilombola, de um indígena que é
Encurralado ou invadido no final
Pelo grileiro, o garimpeiro, o fazendeiro,
Pelo empresário, pelo latifundiário,
O madeireiro, o incendiário, o sementeiro
Da violência aflita do conflito agrário,
Por uma usina, rodovia ou ferrovia
Cortando o verde como numa cirurgia
Sob as ordens do mercado.

O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado

O que vai ser do cerrado
Vai depender duma adoção de paradigma
De modo produtivo sem o mau estigma
Do molde predatório de commodities
De exportação, de estilo colonial e mono,
Que deixa o córrego e o rio por um triz
E que libera mil estoques de carbono,
Proibitivos agrotóxicos que tornam
Cem entes vivos em doentes ou em mortos,
E n transgênicas sementes que transtornam
A planta, a erva, a árvore de troncos tortos,
Arrancada sem cuidado.

O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado

O Cerrado Ameaçado

O que será do cerrado?
O coração, a caixa d’água do Brasil
Tá cada vez mais seca do que já se viu.
A mais diversa das savanas do planeta,
De tantas plantas e animais, mais incompleta.
Nossa floresta mais antiga e anciã,
Ameaçada de não ter mais amanhã.
Façamos algo, rápido, façamos já!
Pelo bioma que aos demais tanto se dá,
Por todo filho, todo neto, por amor!
Por todo santo inseto polinizador!
Por tudo quanto é sagrado!

O que será do cerrado
Na mão de homens tão ingratos quanto insanos?
Gerado há mais de sessenta milhões de anos,
Não há de ser em poucas décadas encerrado,
Nem tratorado nem queimado nem serrado,
Pela riqueza que o cerrado em si encerra,
Pelo pequi, a flor, o ipê, o céu, a serra,
Pela caverna, a cachoeira e o mirante!
Pelo capim-dourado lindo, radiante,
Que nos alegra a melancólica visão
De um mau futuro envolto agora em cerração
Finalmente des-cerrado…

O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado.

O que vai ser do cerrado
Vai depender de muda na legislação,
Ou na derruba não vai ter alteração.
Pois o desmate que é legal, legal não é.
Permite que desmatem muito, não dá pé.
Oh não deixemos que o “agro-tudo” da boiada
Degrade e mude quase tudo em quase nada!
Pela nascente que ainda não morreu
E o descendente que ainda não nasceu,
Por toda ação que regenera e que revive,
Por toda a fauna, toda a flora, inclusive
Por todo grão, todo gado!

O que vai ser do cerrado
Vai depender
De o deixarmos ser
O cerrado.

Na Chapada

Há um chuvisco na Chapada
Em toda a mata um cochicho em cê-agá
Chuá-chuá na queda d´água
Eu me espicho e fico quieta
Nada me falta

O véu de noiva de água virgem
Me elevou, envolveu
A sua ducha me deu vertigem
Arrepio, rodopio, em mim
Seu jorro não tem mais fim

E nesse êxtase me deixo
Não sei quem sou
Estou no meio do arco-íris
E saboreio elixires de amarílis

Na cachoeira-enxurrada
O véu da chuva desceu
No vento nuvem
Do céu desaba
Chapinhante, espumante champanhe
Chapada dos Guimarães

Se

(Ennio Morricone)
(versão de Carlos Rennó)

Se tu visses com meus olhos por um dia
Verias a beleza que é plena de alegria

Que eu vejo lá nos olhos teus
Não sei se é magia ou é real

Se meu coração tu visses por um dia
Virias a ter uma ideia
Daquilo que eu sinto

Quando me abraças forte em ti
E peito a peito nós
Respiramos juntos

Protagonista desse amor
Não sei se é magia ou é real

Se tu fosses à minh’alma por um dia
Verias o que sinto em mim
Que me enamorei

Daquele instante junto a ti
O que eu sinto é
Tão somente amor



(Ennio Morricone)

Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d’allegria

Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se è magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un’idea,
Di ciò che sento io

Quando m’abbracci forte a te
E petto a petto, noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me,
Che m’innamorai

Da quell’istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

Na Chapada

Há um chuvisco na Chapada
Em toda a mata um cochicho em cê-agá
Chuá-chuá na queda d´água
Eu me espicho e fico quieta
Nada me falta

O véu de noiva de água virgem
Me elevou, envolveu
A sua ducha me deu vertigem
Arrepio, rodopio, em mim
Seu jorro não tem mais fim

E nesse êxtase me deixo
Não sei quem sou
Estou no meio do arco-íris
E saboreio elixires de amarílis

Na cachoeira-enxurrada
O véu da chuva desceu
No vento nuvem
Do céu desaba
Chapinhante, espumante champanhe
Chapada dos Guimarães

Escrito nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) Sua parceira, seu bem,

*

Não Mais Poços de Petróleo

Querem licença para perfurar
Mais um bloco de petróleo,
No mar profundo onde vai dar o rio-mar.
Pode dar um baita imbróglio…:
E se no mar vazar e derramar
Por azar um rio de óleo?
Bilhões de vidas por um fio vão rolar.
Vão molhar os nossos olhos.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

Corais e manguezais não se repõem,
Animais não se refazem.
Os povos da floresta não destroem,
Preservar é o que fazem.
Projetos de “progresso” se impõem,
Ecossistemas jazem.
Empresas petrolíferas dispõem,
Equilíbrios se desfazem.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

É sobre amar os filhos e os netos,
É sobre sobreviver
À predação do mundo com seus arquitetos
Que não viverão pra ver
Seus atuais programas obsoletos
Porem vidas a perder,
Tal qual ocorre já com pobres e com pretos
Nesses tempos a correr.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

Ainda há tempo de evitar mais tempos loucos,
Mas é pouco, e no momento
É mesmo urgente bloquear os blocos,
Investir no sol, no vento,
E não num crescimento oco,
Que provoca aquecimento,
Enquanto a Terra vai torrando pouco a pouco,
De evento em evento.

O nobre cientista que projeta
Um clima hostil, indócil,
Os seres vivos, do humano ao micróbio,
Todos clamam, feito sócios:
Oh petrolíferas que queimam o planeta
E lucram com esse negócio,
Basta de um amanhã indigno e ignóbil!
E de combustível fóssil!

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

O Cortejo Afronta

O Cortejo afronta demais
Meu peito pelo bloco palpita
O Cortejo apronta mais
Meu corpo atrás do trio se precipita
(Pita, pita, pita, pita…)

No Cortejo afroestético
Poético
Imagético também
Minha gente pira já lá no Pelô
E já se inspira
(Pira, pira, pira, pira…)

O cortejo é de Exu e de axé
E com Exu não há quem compita
No Cortejo de arte e fé
Um grande artista com Exu apita
(Pita, pita, pita, pita…)

O Cortejo afrodisíaco
Dionisíaco
Pro ilíaco faz bem
Minha gente pira já no Corredor
E já transpira
(Pira, pira, pira, pira…)

O Cortejo afronta demais
Meu peito pelo bloco palpita
O Cortejo apronta mais
Meu corpo atrás do trio se precipita
( Pita, pita, pita, pita… )

Choro-Jazz Song 🎤

Álbum “Dá Pé” – de Danilo Penteado.

It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz 🎼
What I have, what you have, what we have, what she has, what he has 🎹
It has never gone, is never done, has never passed 🎷
It will forever live, forever give, forever last 🎺

It is cool, it is hot, it is free, it is more, it is jazz🎸
What a joy, what a jam, what a gem, what a cream, what a class 😊
It is a real gift, a real gig, a real gas 🥁
It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz 🎸

Ornitologia

Álbum “Dá Pé” – de Danilo Penteado.

Há aves que avoam como naves 🚀
Há aves que povoam, rasgam o ar 🕊
Algumas migram pelo mar 🌊
Umas rebrilham tais e quais metais 🎷
Umas resistem pelos pantanais 🦆
Algumas nem existem mais 😢
E tem mais ➕
Umas tem plumas ornamentais🦚
Umas tem timbres suaves 🎼

Assim o passarinho é das aves🦜
A ave da mais leve asa veloz🕊
A ave da mais bela voz🎤
Ávida de canto e encantação 🎧
Ávida de vôo e renovação🛩
De seda e de sedução ❤
Revoa, voa, soa e ressoa🎼
Ave, ave! 🦅
Avião! ✈

Me Dê Você

Você me tem
Na sua mão.
Sou seu refém
De coração.
Eu sou seu bem
Até os pés
E digo amém
Dez vezes dez.

Você conduz
O meu olhar
Pra sua luz
Sempre a brilhar.
Jamais alguém
Luziu assim,
Pra mais de cem,
Dentro de mim.

Mas, ó
E como em tudo há sempre um outro dado
Ó, flor
E o amador almeja o ser amado
Amor…

Me dê você,
Me dê você,
Me dê você,
Me dê você

Ter tudo é ter
Você nas mãos;
Tocar seu ser,
Seu coração.
Ganhar, roçar
Seu sexo-céu;
Curtir, provar
Seu gozo-mel.

Eu vou lhe dar-
Me aonde for.
No Rio, no mar,
Em Salvador.
Você não tem
Que se prender
Em mim que nem
Eu a você.

Porém
E como tudo tem um outro lado
E, bem,
Quem ama também ama ser amado
Meu bem…

Me dê você,
Me dê você,
Me dê você,
Me dê você

Você me tem
Na sua mão.
Sou seu refém
De coração.
Eu sou seu bem
Até os pés
E digo amém
Dez vezes dez.

Porém…
Também…
Amor…

Me dê você,
Me dê você…

*

Bela Amiga

Bela, você
Vou lhe dizer
Não sabe o que é viver
O maior prazer
De encontrar e ver e por perto ter você

Pra saber
Teria que ser
Um cara, um outro ser
Para perceber
Essa graça pura, a doçura que é você

Livre e leve
Qual ave pronta pra voar
Siga e leve
Consigo essa canção no ar
Que eu lhe sigo
E eu lhe digo…

Doce amiga
Dessa canção aqui
Bela, diga
Aqui pra mim “e se…
“… puséssemos amor nessa amizade?”
“E o deixássemos fluir pela cidade?”

Bela, seus pais
Há tempos atrás
Em noite de inspiração
E iluminação
Foram muito foda na sua concepção

Tanto que
Devo admitir
Que além de admiração
E um apego tão
Lindo já me pego sentindo uma atração

Livre e leve
Qual ave pronta pra voar
Siga e leve
Consigo essa canção no ar
Que eu lhe sigo
E eu lhe digo…

Doce amiga
Dessa canção aqui
Bela, diga
Aqui pra mim “e se…
“Se puséssemos amor nessa amizade?”
“E o deixássemos fluir pela cidade?”

Defaunação

Da onça-pintada ao mico-leão-dourado e ao pica-pau,
Da anta ao mutum, do boto ao cuatá, veado e ao urutau,
Milhões de animais silvestres agora vivem um stress fatal,
Perdendo habitat com a mutação climática mundial
E com a letal ação da agropecuária industrial.

Tucano, macaco-prego, preguiça, águia, lobo-guará,
Guaruba, raposa, tamanduá-bandeira ao deus-dará.
Oh como uma espécie humana é tão desumana, oh deus, tão má
E nem tão inteligente pois atacando o ambiente, tá
Pilhando o planeta só pelo bruto lucro que a carne dá.

Coral, jacaré, queixada, tatu, queimados num fogaréu,
Bovinos e porcos e aves criados do modo mais cruel.*
Milhares de corpos num dos horrores mores perante o céu.*
E todos são sencientes da natureza do seu papel,
E sentem felicidade e tristeza, como você e eu.

Aranha, ariranha, gato-maracajá, murucututu,
Calango, tucunaré, tangará, tiê-sangue, tuiuiú –
Cuidar do seu bem estar sem deixar nem UM sapo jururu
Também é cuidar das plantas e dos biomas de norte a sul,
É bom para o mundo todo, pra todo mundo, pra mim e tu.

Da arara à tartaruga, ao araçari, beija-flor e mais:
Da abelha ao zogue-zogue, ao cuxiú, peixe-boi e tais:
Os animais são humanos também e nós somos animais.
Mas já abatemos a maioria deles, os ancestrais,
Oh mãe, não podemos ameaçá-los nem extingui-los mais.

………………………………………………………………………………..

Brasil vive a emergência de incêndio, seca e devastação,
Para produção de carne de gado e soja para ração,
Levando afinal a flora e a fauna à fome e à extinção.
Por isso é preciso preservação, cuidar e dar proteção
E o pleno direito à vida selvagem, livre de exploração.

Composta em 2023

Oh, Pantanal

Na natureza de beleza deslumbrante,
Vemos o rastro do desastre pelo chão.
E o que já estamos vislumbrando mais adiante
É de tocar e de cortar o coração.

Que aconteceu com tanto verde e tanta água
E o céu azul que a fumaça diluiu?
Quem tocou fogo e provocou um mega estrago à
Vegetação e quem o rio poluiu?

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Nem pássaro, nem peixe, nem onça, nem réptil
Deve morrer queimado ou seco ano a ano.
Oh que a mãe Terra interceda e intercepte o
Golpe fatal da mão do ser humano,

Por tuas cheias e vazantes e história,
Pelas araras, tuiuiús e jacarés,
Visão da criação de Deus, de sua glória,
Do roxo dos ipês a tudo que tu és.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Embaixo um rio baixo, em cima um sol laranja,
No ar um cheiro de fuligem e fumaça.
O que há de ser de nós no incerto do amanhã já
Que no presente a gente está sob ameaça?

Já que pra nós importa a vida da planície,
Que tá secando a cada ciclo que completa,
A vida verde da alagável superfície,
A mais infinda e das mais lindas do planeta.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

A seca chega, a chuva some, e é só tragédia.
Ao sol que cega, o solo racha, a vida míngua.
A seca pálida, esquálida, precede a
Propagação do fogo e suas línguas.

O fogo é alto, e também alto é seu ronco.
Veloz, seu movimento ao vento, e a ação
Torna um palito cada galho e cada tronco,
De cinza branca como neve cobre o chão.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Os rios descem do planalto, onde nascem,
Mas as nascentes o “agrobiz” tá destruindo.
O pantaneiro em vão lamenta a fase má sem
Que a cheia deixe de ir diminuindo.

A natureza grita, o coração aperta!
Quem ouve é gente que conserva o ambiente.
Com esperança de que a condição reverta,
Restaura o solo e recupera a nascente.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Mineração, barragem, mudança climática,
O agrotóxico, a exótica pastagem,
O mar de soja, o rio sujo, o desmate, ca-
Da vez mais esticada a estiagem.

A natureza avisa e a ciência alerta:
Do modo que vão degradando o seu entorno,
O Pantanal, irão torná-lo um deserto,
Irão levá-lo além do ponto sem retorno.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
OH, PANTANAL?

Escrito Nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) O seu parceiro, seu bem,

*

Dês

2022

No álbum “Pra Gente Acordar”, de Gilsons:
“Dês” (com João Gil)

No álbum “BRASIL l.i.k.e. – Versões”, de Vitoria Maldonado e Ron Carter Quartet:
“Common Place” (Versão de “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato)
“Noite e Dia” (Versão de “Night and Day”, de Cole Porter)
“Meus Olhos Só Vêem Você” (Versão de “I Only Have Eyes For You”, de Harry Warren e Al Dubbin)
“Nunca Vai Haver Outro Você” (Versão de “There Will Never Be Another You”, de Harry Warren e Mack Gordon)
“Leve-me” (Versão de “All Of Me”, de Seymor Simons e Gerald Marks)
“Ninguém Irá Tirar de Mim” (Versão de “They Can’t Take That Away From Me”, de George e Ira Gershwin)
“Desejo Amor” (Versão de “I Wish You Love”, de Léo Chauliac e Charles Trenet; Albert A. Beach)
“Raia o Luar” (Versão de “How High The Moon”, dMorgan Lewis e Nancy Hamilton)“Georgia Na Minha Mente” (Versão de “Georgia On My Mind”, dGeorge Gershwin e Hoagy Carmichael)

No álbum “Samba Bossa”, de Denisar Mota:
“Roteiro Deslumbrante ” (com Denisar Mota)

Single “Choro-Jazz Song” (com Chico Brown e Danilo Penteado), com Bluebell

No álbum “Vão”, de José Miguel Wisnik:
“O Jequitibá” (com José Miguel Wisnik), com José Miguel Wisnik
“eu disse sim” (com José Miguel Wisnik), com José Miguel Wisnik

“As cotas” (com Chico César), com Chico CésarCélia XakriabáDjuena TikunaEdivan Fulni-ôFabiana CozzaFlor GilGilsonsIara RennóJosé Miguel WisnikLeci BrandãoLetícia SabatellaMC SoffiaMartnáliaMonkey JhayamMoreno VelosoOweráTereza CristinaVitão.

“Hino ao Inominável” (com Chico Brown e Pedro Luís), com André AbujamraArrigo BarnabéBruno GagliassoCaio PradoChico BrownChico ChicoChico CésarCida MoreiraDexterDora MorelenbaumHodariHéloaJorge Du PeixeJosé Miguel WisnikLeci BrandãoLenineLuana CarvalhoMarina LimaMarina ÍrisMônica SalmasoPaulinho MoskaPedro LuisPreta FerreiraProfessor PasqualePéricles CalvalcanteRicardo AleixoThaline KarajáVitor da TrindadeWagner MouraZélia Duncan

2023

Single “A Sua Vida, Preta, Importa pra Mim” (com Moreno Veloso) de Moreno Veloso e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “O Laço que Une Eu e Você” (com Paulinho Moska), de Paulinho Moska e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Declaração” (com Juliana Rosa e Samuel Rosa), de Juliano Rosa, Samuel Rosa e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “A Rima Perfeita” (com Marcelo Jeneci), de Marcelo Jeneci e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Baião Pra Uma Baiana em São Caetano” (com Moraes Moreira e Davi Moraes), de Moraes Moreira e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Apaixonado Por Você” (com Felipe Cordeiro), de Felipe Cordeiro e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Mundo Em Expansão” (com José Gil e Mariá Pinkusfeld), de João Bosco e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Muita Lindeza” (com Gilsons e Cortejo Afro) de João Gil e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

Single “Deus, Proteja Meu Filho” (com Preta Ferreira) de Bem Gil e Carlos Rennó (Biscoito Fino)

No álbum “Muita Lindeza”, de Carlos Rennó:
“A Sua Vida, Preta, Importa pra Mim” (com Moreno Veloso)
“O Laço que Une Eu e Você” (com Paulinho Moska)
“Declaração” (com Juliana Rosa e Samuel Rosa)
“A Rima Perfeita” (com Marcelo Jeneci)
“Baião Pra Uma Baiana em São Caetano” (com Moraes Moreira e Davi Moraes)
“Apaixonado Por Você” (com Felipe Cordeiro)
“Mundo Em Expansão” (com José Gil e Mariá Pinkusfeld), de João Bosco
“Muita Lindeza” (com Gilsons e Cortejo Afro)
“Deus, Proteja Meu Filho” (com Preta Ferreira), de Bem Gil
“Sá” (com Jorge Drexler)

Deus, Proteja Meu Filho

Seu ideal e sonhos me comovem.
Ele é rebelde, ele é jovem.
Em seu olhar eu vejo tanto brilho!
Ele rima, ele dança,
É cheio de desejo e de esperança;
Oh Deus, proteja meu filho!

Puxou meus olhos e meu tom de pele.
No trabalho eu lembro dele,
Que me sorri, e eu me maravilho.
Ele quer fazer Direito.
Eu o carrego sempre no meu peito.
Oh Deus, proteja meu filho!

Que mesmo lindo no seu uniforme,
Pode haver um risco enorme,
Sem eu poder correr em seu auxílio.
Quem também tem filho preto
Entende minha angústia e meu afeto.
Oh Deus, proteja meu filho!

É duro lhe dizer mas eu lhe digo
Que correr é um perigo.
Esse temor com mães irmãs eu compartilho.
“Nunca faça um gesto brusco”,
Eu falo pro seu bem que eu tanto busco.
Oh Deus, proteja meu filho!

Do mau policial em desatino
Livre e guarde esse menino,
Do dedo impune que nos pune com gatilho.
Pra que nunca seja um alvo
E pra que chegue em casa são e salvo,
Deuses, protejam meu filho!

Enquanto eu luto pelo seu direito
De não ser alguém suspeito
E de ser livre de correntes e empecilhos,
Até que o racismo zere
E que a justiça no país impere,
Deuses, protejam meu filho!
Deuses, protejam meu filho!
Oh, deuses, protejam nossos filhos!

Muita Lindeza

Há beleza na flor, no mar,
No pôr do sol e na lua.
Há belezas sem par na natureza.
Porém nenhuma se compara à sua.

Meu olhar é uma lupa
Com a qual eu te fotografo.
Mas pense na beleza em dose dupla:
É você no Cortejo Afro!

No Cortejo eu te vi e te vejo,
Te abraço, te beijo, te amasso e desejo.
O Cortejo e você é muita lindeza, muita.
Quando você ao Cortejo se junta,
Eu nunca vi tanta lindeza junta.
O Cortejo e você é muita lindeza, muita

Baião Pra Uma Baiana em São Caetano

Baião,
Vai àquela baiana em São
Caetano, São Paulo, onde estão
Minha mente e meu coração,
E chegando por MP3,
Diz que eu ando infeliz outra vez,
Que ela volte, pra me consolar,
Ao meu lar.

Baião,
Diz a ela, que é lá de onde são
O João, A Ivete, o Galvão, (*)
Juazeiro, Bahia, sertão,
Que nem lá, nem no grande ABC,
Um desejo maior não se vê;
Quem a queira assim como eu
Não nasceu.

Tendo todo o passado que tens,
Tendo sempre passado as mens-
Agens belas dos males e bens
De amor,
Passa mais essa aqui, por favor,
Pra baiana fatal, que é a tal
Que me dana e me causa, afinal,
Tanto bem e também tanto mal.

Baião,
Diz a ela que um dia eu fui são,
E a loucura, a doença, a paixão
Hoje atacam o meu coração,
E o remédio é só ela quem tem,
Porque dela é o veneno também;
“Louco” é pouco pra me definir;
C’est fini.

_____________________
Variante:
(*) O João, O Wlatinho, o Galvão,

Escrita em 2012

Mundo em Expansão

Tudo o que há no mundo, o universo,
Té o que tá no fundo, no inverso –
Toda a amplitude do oco do céu
Cheio de objetos num véu –
Tudo, contudo, contido no vão
Do espaço do coração.

Mundo, que vasto mundo de tão grande
Mundo, que afunda, afasta-se e expande,
Como um balão de galáxias, aliás,
Inflando, inflando de gás,
Tanto e no entanto cabendo enfim
Na alma que há em mim.

Como então, de repente,
Coração, alma, mente
São tão-só ocupados por um ser,
Que toma todo o infinito
Que no meu eu eu reflito
E que não é ninguém mais que você…
Você que faz, oh pequena,
A minha vida tão plena,
O meu amor e o meu mundo crescer?!

*