Cheia de graça mas… de graça cômica,
De apelos visuais é econômica.
E assim nem sempre apraz
Qualquer rapaz.
Sua figura nem de longe helênica
De perto nada tem de fotogênica.
Seu riso causa só
Riso ou dó…
Porém de alma tal,
Não há alguém igual,
Tão nobre, tão sutil;
Um coração sorriu
E só lhe pede que
Não mude um fio de
Cabelo para si.
Falta dos tais fatais dotes estéticos,
Não faz comerciais para cosméticos.
Nem mesmo se produz.
Nunca fez nus.
Por menos uma atriz faria plástica
Na boca, no nariz – e mais ginástica:
Muita musculação…
Mas ela não.
Porém de alma tal,
Não há alguém igual,
Tão nobre, tão sutil;
Um coração sorriu
E só lhe pede que
Não mude um fio de
Cabelo para si,
Pois ele assim a quer,
Sem disfarçar sequer,
Tal como ela é:
Por cantar eu existo
Eu canto por isto
Não desisto de cantar
Ao cantar não resisto
Me rendo a isto
É mais forte que pensar
Em cantar eu insisto
Pois nada igual isto
Pra poder me encantar
Pra cantar eu existo
Como o sol existe
Pra brilhar e brilhar
E o rio existe pra
Fluir, fluir
A nuvem, pra flutuar
A lua, pra refletir
A flor, florir
E o mar, o mar…
Por cantar eu existo
Pois nada igual isto
Pro meu mal afugentar
Ao cantar eu não disto
De mim, em vez disto
Eu me encontro ao cantar
Pra cantar eu existo
Como o sol existe
Pra brilhar e brilhar
E o rio existe pra
Fluir, fluir
A nuvem, pra flutuar
A lua, pra refletir
A flor, florir
E o mar, o mar…
Quando o sol redondo brilha
Como nessa redondilha
Essa luz que maravilha
É o sol a cantar
Quando a gente tá cantando
Não importa onde ou quando
Essa voz irradiando
É a gente a brilhar
O rio existe pra
Fluir, fluir
A nuvem, pra flutuar
A lua, pra re-luzir
A flor, florir
E o mar, pra não terminar…
No dia em que te vi,
Eu tive uma sensação indescritível.
Eu vi mas nem assim eu cri
No que vi.
Foi mesmo incrível,
Fora do comum.
Foi como se Oxossi achasse Oxum
E já se apaixonasse.
Oh se Oxossi achasse Oxum
E já se apaixonasse…
Agora te rever
E ter a mesma sensação indescritível
De ver e ainda assim não crer,
Pode crer,
É mais incrível,
Fora do comum.
É como se Oxossi achasse Oxum
E já se apaixonasse.
Os cidadãos, no Japão, fazem, Lá na China um bilhão fazem, Façamos, vamos amar. Os espanhóis, os lapões fazem, Lituanos e letões fazem, Façamos, vamos amar. Os alemães, em Berlim, fazem, E também lá em Bonn; Em Bombaim, fazem: Os hindus acham bom. Nisseis, nikkeis e sanseis fazem; Lá em San Francisco muitos gays fazem; Façamos, vamos amar.
Os rouxinóis, nos saraus, fazem, Picantes picapaus fazem, (*) Façamos, vamos amar. Uirapurus, no Pará, fazem, Tico-ticos no fubá fazem, (**) Façamos, vamos amar. Chinfrins galinhas a fim fazem, E jamais dizem não; Corujas – sim – fazem, Sábias como elas são. Muitos perus, todos nus, fazem, Gaviões, pavões e urubus fazem, (***) Façamos, vamos amar.
Dourados no Solimões fazem; Camarões em Camarões fazem; Façamos, vamos amar. Piranhas, só por fazer, fazem, Namorados, por prazer, fazem, Façamos, vamos amar. Peixes elétricos bem fazem, Entre beijos e choques; Cações também fazem, Sem falar nos hadoques… Salmões no sal, em geral, fazem, Bacalhaus no mar em Portugal, fazem, Façamos, vamos amar.
Libélulas, em bambus, fazem, Centopéias sem tabus fazem, Façamos, vamos amar. Os louva-deuses, com fé, fazem, Dizem que bichos-de-pé fazem, Façamos, vamos amar. As taturanas também fazem Com ardor incomum; Grilos, meu bem, fazem, E sem grilo nenhum… Com seus ferrões, os zangões fazem, Pulgas em calcinhas e calções fazem, (****) Façamos, vamos amar.
Tamanduás e tatus fazem; Corajosos cangurus fazem; Façamos, vamos amar. Coelhos só, e tão-só, fazem; Macaquinhos num cipó fazem; Façamos, vamos amar. Gatinhas com seus gatões fazem, Dando gritos de “ais”; Os garanhões fazem – Esses fazem demais… Leões ao léu, sob o céu, fazem; Ursos lambuzando-se no mel fazem; Façamos, vamos amar.
________________________________ Variantes: (*) Os rouxinóis, nos saraus, fazem, Picantes picapaus fazem, (**) Os sabiás, onde for, fazem, Beija-flores numa flor fazem, (***) Penguins no cio, lá no frio, fazem, Mil casais de pombos por um fio fazem, (****) Pulgas ensinadas e pulgões fazem,
And that’s why Chinks do it, Japs do it, Up in Lapland, little Lapps do it, Let’s do it, let’s fall in love. In Spain, the best upper sets do it, Lithuanians and Letts do it, Let’s do it, let’s fall in love. The Dutch in Old Amsterdam do it, Not to mention the Finns; Folks in Siam do it, Think of Siamese twins. Some Argentines, without means, do it, People say, in Boston, even beans do it, Let’s do it, let’s fall in love.
The nightingales, in the dark, do it, Larks, k-razy for a lark, do it, Let’s do it, let’s fall in love. Canaries, caged in the house, do it, When they’re out of season, grouse do it, Let’s do it, let’s fall in love. The most sedated barnyard fowls do it, When a chanticleer cries; High-browed old owls do it, They’re supposed to be wise. Penguins in flocks, on the rocks, do it, Even little cuckoos, in their clocks, do it, Let’s do it, let’s fall in love.
Romantic sponges, they say, do it, Oysters, down in Oyster Bay, do it, Let’s do it, let’s fall in love. Cold Cape Cod clams, ‘gainst their wish, do it, Even lazy jellyfish do it, Let’s do it, let’s fall in love. Electric eels, I might add, do it, Though it shocks ‘em, I know; Why ask if shad do it? Waiter, bring me shad roe. * In shallow shoals, English soles do it, Goldfish, in the privacy of bowls, do it, Let’s do it, let’s fall in love.
The dragonflies, in the reeds, do it, Sentimental centipedes do it, Let’s do it, let’s fall in love. Mosquitoes, heaven forbid, do it, So does ev’ry katydid, do it, Let’s do it, let’s fall in love. The most refined lady bugs do it, When a gentleman calls; Moths in your rugs do it, What’s the use of moth balls? Locusts in trees do it, bees do it, Even overeducated fleas do it, Let’s do it, let’s fall in love.
The chimpanzees, in the zoos, do it, Some courageous kangaroos do it, Let’s do it, let’s fall in love. I’m sure giraffes, on the sly, do it, Heavy hippopotami do it, Let’s do it, let’s fall in love. Old sloths who hang down from twigs do it, Though the effort is great; Sweet guinea pig do it, Buy a couple and wait. The world admits bears in pits do it, Even pekineses in the Ritz do it, Let’s do it, let’s fall in love.
_____________________________ Variantes: * Young whelks and winkles, in pubs, do it, Little sponges, in their tubs, do it, Let´s do it, let´s fall in love. Cold salmon, quite ´gainst their wish, do it, Even lazy jellyfish do it, Let´s do it, let´s fall in love. The most select schools of cod do it, Though it shocks ´em, I fear, Sturgeon, thank God, do it, Have some caviar, dear.
Para uma enquete da “Folha de S.Paulo” (“Ilustrada”), publicada sob o título “Alegria do Jeca”, em 16/3/2009
“Tristeza do Jeca” (Angelino de Oliveira), com Tonico e Tinoco. A mais comovente e poética de todas; a síntese mais funda e completa do sentimento caipira em canção.
“Romaria” (Renato Teixeira), com Elis Regina. A extraordinária canção emblemática da modernização do gênero, do grande compositor nascido no Vale do Paraíba.
“Luar do Sertão” (Catulo da Paixão Cearense), com Inezita Barroso. Um grande standard.
“Chico Mineiro” (Tonico e Francisco Ribeiro), com Tonico e Tinoco. Modelo de canção que conta uma história – no caso, trágica e surpreendente: a do assassinato do amigo que se revela “legítimo irmão”, no final.
“O Menino da Porteira” (Luizinho e Teddy Vieira), com Sérgio Reis. Outra histórica canção com história; outro standard.
“É o Amor” (Zezé di Camargo), com Zezé di Camargo e Luciano. Uma das mais belas, populares e apaixonadas canções de amor no gênero.
“Chitãozinho e Chororó” (Serrinha e Athos Campos), com Chitãozinho e Xororó. Mais um exemplo de letra-e-música profundamente reveladora do feeling poético-sentimental caipira-sertanejo.
“Moda da Mula Preta” (Raul Torres), com Raul Torres e Florêncio. A engraçada composição que fazia Guimarães Rosa chorar de saudade do Brasil, na China.
“Sonora Garoa” (Passoca), com Passoca. Outro modelo de renovação (e urbanização) do gênero e uma canção ainda não suficientemente reconhecida.
“Pingo D´Água” (Raul Torres e João Pacífico), com Raul Torres e Florêncio. A relação entre plantação, chuva e fé religiosa, numa peça antológica de uma dupla fundamental de compositores.
PS – Menção honrosa para “O Drama de Angélica” (Alvarenga e M.G. Barreto), com Alvarenga e Ranchinho. A inventividade formal de uma longa letra de efeito cômico-crítico toda em proparoxítonas, muito antes de “Construção”.
Árvores do Sul
Dão fruta estranha;
Folha ou raiz,
Em sangue se banha;
Corpo de negro
Balançando, lento;
Fruta pendendo
De um galho ao vento.
Cena pastoril
Do Sul celebrado;
A boca torta
E o olho inchado;
Cheiro de magnólia
Chega e passa;
De repente o odor
De carne em brasa.
Eis uma fruta
Pra que o vento sugue,
Pra que um corvo puxe,
Pra que a chuva enrugue,
Pra que o Sol resseque,
Pra que o chão degluta,
Eis uma estranha
E amarga fruta.
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Southern trees
Bear strange fruit;
Blood on the leaves
And blood at the root;
Black bodies swinging
In the southern breeze,
Strange fruit hanging
From the poplar trees.
Pastoral scene Of the gallant South; The bulging eyes And the twisted mouth; Scent of magnolia, Sweet and fresh; Then the sudden smell Of burning flesh.
Here is a fruit For the crows to pluck, For the rain to gather, For the wind to suck, For the sun to rot, For the tree to drop; Here is a strange And bitter crop.
It was written in the stars, What was written in the stars shall be. It was written in the skies That the heart and not the eyes shall see.
And so, Whether it bring joy, Whether it bring woe, It shall be done; Now suddenly I know You are the one.
Here, as in a daydream, By my side you stand; Here, with my tomorrows In your hands.
It was written high above That I have to have your love Or I’ll never be free; And cloudy though the day be, Crazy though I may be, What the stars foretold shall be.
Quando este mundo é uma triste zorra,
E uma chuva jorra,
Lá do além
Do céu uma saída vem.
Quando no céu há só nuvem negra,
Um arco-íris chega
Pra ligar
A janela do teu lar
A um lugar depois do Sol,
Um degrau além da chuva…
Tem, além do arco-íris,
Um lugar,
Do qual num acalanto
Eu já ouvi falar.
Lá, além do arco-íris,
No azul, lá,
O teu sonho mais louco
Se realizará.
A uma estrela eu pedirei,
E lá em cima acordarei
Um dia;
Problema vira picolé
Por sobre a antena, a chaminé
E a nuvem fria.
Mais além do arco-íris,
No alto-céu,
Voam pássaros raros –
Por que não posso eu?
Se pássaros avoam no alto-céu,
Então por que não posso eu?
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When all the world is a hopeless jumble, And the raindrops tumble All around, Heaven opens a magic lane.
When all the clouds darken up the skyway, There´s a rainbow highway To be found, Leading from your window pane To a place behind the sun, Just a step beyond the rain…
Somewhere over the rainbow, Way up high, There´s a land that I´ve heard of Once in a lullaby.
Somewhere over the rainbow, Skies are blue, And the dreams that you dare to dream Really do come true.
Some day I´ll wish upon a star, And wake up where the clouds are far Behind me; Where troubles melt like lemon drops, Away above the chimney tops, That´s where you´ll find me.
Somewhere over the rainbow, Bluebirds fly, Birds fly over the rainbow – Why then, oh why can´t I?
If happy little bluebirds fly Beyond the rainbow, why, oh why can´t I?
Música de Harold Arlen e letra de E.Y. Harburg, 1939
Preto dá duro no Mississippi,
Duro pro branco poder brincar,
Puxando barco, não descansando,
Até o Juízo Final chegar.
Baixe o olhar,
Não diga não,
Não deixe puto
O seu patrão.
Curve o corpo,
É seu dever,
E puxe a corda
Até morrer.
Quero deixá longe o Mississippi,
Quero deixá meu sinhô pra lá,
E vê o rio que é velho e sábio,
Rio Jordão que inda vô cruzar.
Sábio rio,
O rio sábio,
Que sabe tudo
Mas fica mudo,
Só vai rolando,
Vai só rolando, ao léu.
Num planta nada,
Nem algodão,
Quem planta não é
Lembrado, não.
O sábio rio
Vai só rolando, ao léu.
Nós aqui
No suador,
Corpo já morto
De esforço e dor –
Puxe o barco!
Pegue o peso!
Beba um pouco mais
E você vai preso…
Já tô cheio,
Sofrer me frustra,
Viver me cansa,
Morrer me assusta;
Mas, sábio, o rio
Vai só rolando, ao léu.
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Colored folks work on de Mississippi, Colored folks work while de white folks play, Pullin´ dem boats from de dawn to sunset, Gittin´ no rest till de Judgement Day.
Don’ look up An´ don´ look down – You don´ dast make De white boss frown. Bend your knees An´ bow your head, An´ pull dat rope Until yo´ dead.
Let me go ´way from de Mississippi, Let me go ´way from de white man boss; Show me dat stream called de river Jordan, Dat´s de ol´ stream dat I long to cross.
Ol´ Man River, Dat Ol´ Man River, He mus´ know sumpin´ But don´ say nuthin´, He jes´ keeps rollin´, He keeps on rollin´ along.
He don´ plant taters, He don´ plant cotton, An´ dem dat plants´em Is soon forgotten, But Ol´ Man River, He jes´ keeps rollin´ along.
You an´ me, We sweat an´ strain, Body all achin´ An´ racked wid pain – Tote dat barge! Lif´ dat bale! Git a little drunk, An´ you land in jail…
Ah gits weary An´ sick of tryin´; Ah´m tired of livin´ An´ skeered of dyin’, But Ol´Man River, He jes´ keeps rollin´ along.
Música de Jerome Kern e letra de Oscar Hammerstein II, 1927
You don´t know that I felt good, When we up and parted. You don´t know I knocked on wood, Gladly broken-hearted.
Worrying is throught, I sleep all night, Appetite and health restored. You don’t know how much I´m bored!
The sleepless nights, The daily fights, The quick toboggan when you reach the heights, I miss the kisses and I miss the bites – I wish I were in love again.
The broken dates, The endless waits, The lovely loving and the hateful hates, The conversation with the flying plates – I wish I were in love again.
No more pain, No more strain, Now I´m sane, but I would rather be ga-ga!
The pulled out fur of cat and cur, The fine mismating of a him and her, I´ve learned my lesson, but I wish I were In love again.
The furtive sigh, The blackened eye, The words: “I´ll love you ´til the day I die”, The self-deception that believes the lie – I wish I were in love again.
When love congeals, It soon reveals The faint aroma of performing seals, The double-crossing of a pair of heels – I wish I were in love again.
No more care, No despair, I´m all there now, But I´d rather be punch-drunk!
Believe me, sir, I much prefer The classic battle of a him and her, I don´t like quiet, and I wish I were In love again.
Música de Richard Rodgers e letra de Lorenz Hart, 1937
Após nove ou dez conhaques,
Acordei qual uma flor,
Sem Engov nem ataques;
Nem senti tremor.
Homem sempre me aparece;
Geralmente bem me dou.
Mas um meia-boca desse
Me desconcertou.
Tinindo estou;
Curtindo estou;
Criança, chorando e sorrindo estou;
Inquieta, tonta e encantada estou.
Sem dormir,
Não tem dormir,
O amor vem e diz: não convém dormir… –
Inquieta, tonta e encantada estou.
Me perdi, dominada,
E daí? Errei, sim.
Ele é uma piada,
A piada sobre mim.
Ele é o fim,
E até o fim
Vou tê-lo pra vê-lo, com fé, no fim,
Inquieto, tonto e encantado também.
Vi demais,
Vivi demais,
Mas hoje eu já adolesci demais –
Inquieta, tonta e encantada estou.
Niná-lo eu vou,
No embalo, eu vou,
Um dia na pele grudá-lo eu vou –
Inquieta, tonta e encantada estou.
Ao falar, ele sente
Travação, timidez;
Mas horizontalmente
Falando, ele é dez.
Perplexa, enfim,
Com nexo, enfim,
Com – graças a Deus – muito sexo, enfim,
Inquieta, tonta e encantada estou.
Ele é um tolo, mas um tolo
O seu charme às vezes tem;
Em seus braços eu me enrolo,
Que nem um neném.
Caso é aquela coisa louca;
Nem dormindo eu estou,
Desde que esse meia-boca
Me desconcertou.
Que bom, assim,
Mignon, assim,
E com meu estilo, em meu tom, assim,
Inquieta, tonta e encantada estou.
Quem sou eu?
Alguém sou eu
Ardendo ao pensar que o seu bem sou eu –
Inquieta, tonta e encantada estou.
“Não, senhor, obrigada” –
No início eu falei.
Hoje a gente é chegada
Mais do que Erasmo e o Rei.
Pronta, então,
Desponto, então,
Pantera, madura, no ponto, então –
Inquieta, tonta e encantada estou.
Sensata, enfim,
Constato, enfim,
Sua baixa estatura de fato, enfim –
Inquieta, tonta e encantada não mais.
Doeu demais;
Rendeu demais;
Você ganhou muito e perdeu demais ––
Inquieta, tonta e encantada não mais.
Tive um surto dispéptico,
Mas viver já não dói.
Tenho o peito antisséptico,
Dês que você se foi.
Romance – finis;
Sem chance – finis;
Calor a invadir meu colant – finis;
Inquieta, tonta e encantada não mais.
*
Bewitched, Bothered and Bewildered
After one whole quart of brandy, Like a daisy I awake. With no Bromo-Seltzer handy, I don´t even shake. Men are not a new sensation; I´ve done pretty well, I think. But this half-pint imitation Put me on the blink.
I’m wild again, Beguiled again, A simpering, whimpering child again – Bewitched, bothered and bewildered am I. Couldn´t sleep And wouldn´t sleep When love came and told me I shouldn´t sleep – Bewitched, bothered and bewildered am I. Lost my heart, but what of it? My mistake, I agree. He´s a laugh, but I love it, Because the laugh´s on me. A pill he is, But still he is All mine and I´ll keep him until he is Bewitched, bothered and bewildered like me.
I´ve seen a lot – I mean a lot – But now I´m like sweet seventeen a lot – Bewitched, bothered and bewildered am I. I´ll sing to him, Each spring, to him, And long for the day when I´ll cling to him – Bewitched, bothered and bewildered am I. When he talks, he is seeking Words to get off his chest. Horizontally speaking, He´s at his very best. Vexed again, Perplexed again, Thank God, I can be oversexed again – Bewitched, bothered and bewildered am I.
He´s a fool, and don´t I know it, But a fool can have his charms; I´m in love, and don´t I show it, Like a babe in arms. Love´s the same old sad sensation; Lately I´ve not slept a wink, Since this half-pint imitation Put me on the blink.
Sweet again, Petite again, And on my proverbial seat again – Bewitched, bothered and bewildered am I. What am I? Half shot am I. To think that he loves me so hot am I – Bewitched, bothered and bewildered am I. Though at first we said “No, sir”, Now we´re two little dears. You might say we are closer Than Roebuck is to Sears. I´m dumb again, And numb again, A rich, ready, ripe little plum again – Bewitched, bothered and bewildered am I.
Wise at last, My eyes at last Are cutting you down to your size at last – Bewitched, bothered and bewildered no more. Burned a lot, But learned a lot, And now you are broke, so you earned a lot – Bewitched, bothered and bewildered no more. Couldn´t eat, was dyspeptic; Life was so hard to bear; Now my heart´s antiseptic, Since you moved out of there. Romance – finis. Your chance – finis. Those ants that invaded my pants – finis. Bewitched, bothered and bewildered no more.
Música de Richard Rodgers e letra de Lorenz Hart, 1941
Um Bobo e um Babaca, num passeio à beira-mar,
Se topam e papeiam no seu jeito singular.
Os dois são respeitáveis, cada qual um cidadão,
E a gente logo nota que eles têm os pés no chão.
– Olá! – Como está?
– Diga aí! – Que que há?
– Tô bem! – Legal!
– Haha! – Menos mal!
– Bem, bem… – E então?
– Lindo dia! – Como não?
– E o pessoal? – Que que há?
– Que bom! – Como está?
O tempo ´tá bonito mas me dói olhar o céu:
Saí de guarda-chuva e obviamente não choveu.
– Ai, ai! – É a vida!
– E a patroa? – E a lida?
– Já ´tá tarde! – Meu Deus!
– ´Tão tá! – Fica assim… – Adeus!
Dez anos se passaram pr´esses homens essenciais,
Até que se toparam por acaso uma vez mais.
Que os dois evoluíram não há dúvida pra gente,
E assim os dois têm muito o que contar, naturalmente.
– Olá! – Como está?
– Diga aí! – Que que há?
– Tô bem! – Legal!
– Haha! – Menos mal!
– Bem, bem… – E então?
– Lindo dia! – Como não?
– E o pessoal? – Que que há?
– Que bom! – Como está?
Já vi a sua cara, mas seu nome é mesmo qual?
Ah, como está, garoto? ´Cê não muda, tá igual!
– Ai, ai! – É a vida!
– E a patroa? – E a lida?
– Já ´tá tarde! – Meu Deus!
– ´Tão tá! – Fica assim… – Adeus!
Vinte anos mais se passam; de repente no jardim
Da casa de São Pedro reencontram-se por fim.
Asinhas têm nas costas, e nas mãos têm uma harpinha,
Que os dois vão dedilhando, entoando a ladainha:
– Olá! – Como está?
– Diga aí! – Que que há?
– Tô bem! – Legal!
– Haha! – Menos mal!
– Bem, bem… – E então?
– Lindo dia! – Como não?
– E o pessoal? – Que que há?
– Que bom! – Como está?
Você ficou um pouco mais cheinho, me parece;
Ei, vem me visitar e tomar uma um dia desse.
– Ai, ai! – É a vida!
– E a patroa? – E a lida?
– Já ´tá tarde! – Meu Deus!
– ´Tão tá! – Fica assim… – Adeus!
A Babbitt met a Bromide on the avenue one day. They held a conversation in their own peculiar way. They both were solid citizens – they both had been around. And as they spoke you clearly saw their feet were on the ground:
– Hello! – How are you? – Howza folks? – What´s new? – I´m great! – That´s good! – Ha! Ha! – Knock wood! – Well! Well! – What say? – Howya been? – Nice day! – How´s tricks? – What´s new? – What´s fine! – How are you?
Nice weather we are having but it gives me such a pain: I’ve taken my umbrella so of course it doesn’t rain.
Ten years went quickly by for both these sub-sti-an-tial men, And then it happened that one day they chanced to meet again. That they had both developed in ten years there was no doubt, And so of course they had an awful lot to talk about.
– Hello! – How are you? – Howza folks? – What´s new? – I´m great! – That´s good! – Ha! Ha! – Knock wood! – Well! Well! – What say? – Howya been? – Nice day! – How´s tricks? – What´s new? – What´s fine! – How are you?
I’m sure I know your face, but I just can’t recall your name; Well, how´ve you been, old boy, you’re looking just about the same.
Before they met again some twenty years they had to wait, This time it happened up above inside St. Peter’s gate. A harp each one was carrying and both were wearing wings, And this is what they sang as they were strumming on the strings:
– Hello! – How are you? – Howza folks? – What´s new? – I´m great! – That´s good! – Ha! Ha! – Knock wood! – Well! Well! – What say? – Howya been? – Nice day! – How´s tricks? – What´s new? – What´s fine! – How are you?
You’ve grown a little stouter since I saw you last, I think. Come up and see me sometime and we’ll have a little drink.