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Se

(Ennio Morricone)
(versão de Carlos Rennó)

Se tu visses com meus olhos por um dia
Verias a beleza que é plena de alegria

Que eu vejo lá nos olhos teus
Não sei se é magia ou é real

Se meu coração tu visses por um dia
Virias a ter uma ideia
Daquilo que eu sinto

Quando me abraças forte em ti
E peito a peito nós
Respiramos juntos

Protagonista desse amor
Não sei se é magia ou é real

Se tu fosses à minh’alma por um dia
Verias o que sinto em mim
Que me enamorei

Daquele instante junto a ti
O que eu sinto é
Tão somente amor



(Ennio Morricone)

Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d’allegria

Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se è magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un’idea,
Di ciò che sento io

Quando m’abbracci forte a te
E petto a petto, noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me,
Che m’innamorai

Da quell’istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

Na Chapada

Há um chuvisco na Chapada
Em toda a mata um cochicho em cê-agá
Chuá-chuá na queda d´água
Eu me espicho e fico quieta
Nada me falta

O véu de noiva de água virgem
Me elevou, envolveu
A sua ducha me deu vertigem
Arrepio, rodopio, em mim
Seu jorro não tem mais fim

E nesse êxtase me deixo
Não sei quem sou
Estou no meio do arco-íris
E saboreio elixires de amarílis

Na cachoeira-enxurrada
O véu da chuva desceu
No vento nuvem
Do céu desaba
Chapinhante, espumante champanhe
Chapada dos Guimarães

Escrito nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
O seu parceiro, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) Sua parceira, seu bem,

*

Não Mais Poços de Petróleo

Querem licença para perfurar
Mais um bloco de petróleo,
No mar profundo onde vai dar o rio-mar.
Pode dar um baita imbróglio…:
E se no mar vazar e derramar
Por azar um rio de óleo?
Bilhões de vidas por um fio vão rolar.
Vão molhar os nossos olhos.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

Corais e manguezais não se repõem,
Animais não se refazem.
Os povos da floresta não destroem,
Preservar é o que fazem.
Projetos de “progresso” se impõem,
Ecossistemas jazem.
Empresas petrolíferas dispõem,
Equilíbrios se desfazem.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

É sobre amar os filhos e os netos,
É sobre sobreviver
À predação do mundo com seus arquitetos
Que não viverão pra ver
Seus atuais programas obsoletos
Porem vidas a perder,
Tal qual ocorre já com pobres e com pretos
Nesses tempos a correr.

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

Ainda há tempo de evitar mais tempos loucos,
Mas é pouco, e no momento
É mesmo urgente bloquear os blocos,
Investir no sol, no vento,
E não num crescimento oco,
Que provoca aquecimento,
Enquanto a Terra vai torrando pouco a pouco,
De evento em evento.

O nobre cientista que projeta
Um clima hostil, indócil,
Os seres vivos, do humano ao micróbio,
Todos clamam, feito sócios:
Oh petrolíferas que queimam o planeta
E lucram com esse negócio,
Basta de um amanhã indigno e ignóbil!
E de combustível fóssil!

Eu digo:
Não mais poços de petróleo!
Poços de petróleo mais não!

O Cortejo Afronta

O Cortejo afronta demais
Meu peito pelo bloco palpita
O Cortejo apronta mais
Meu corpo atrás do trio se precipita
(Pita, pita, pita, pita…)

No Cortejo afroestético
Poético
Imagético também
Minha gente pira já lá no Pelô
E já se inspira
(Pira, pira, pira, pira…)

O cortejo é de Exu e de axé
E com Exu não há quem compita
No Cortejo de arte e fé
Um grande artista com Exu apita
(Pita, pita, pita, pita…)

O Cortejo afrodisíaco
Dionisíaco
Pro ilíaco faz bem
Minha gente pira já no Corredor
E já transpira
(Pira, pira, pira, pira…)

O Cortejo afronta demais
Meu peito pelo bloco palpita
O Cortejo apronta mais
Meu corpo atrás do trio se precipita
( Pita, pita, pita, pita… )

Choro-Jazz Song 🎤

Álbum “Dá Pé” – de Danilo Penteado.

It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz 🎼
What I have, what you have, what we have, what she has, what he has 🎹
It has never gone, is never done, has never passed 🎷
It will forever live, forever give, forever last 🎺

It is cool, it is hot, it is free, it is more, it is jazz🎸
What a joy, what a jam, what a gem, what a cream, what a class 😊
It is a real gift, a real gig, a real gas 🥁
It is one, it is two, it is three, it is four, it is jazz 🎸

Ornitologia

Álbum “Dá Pé” – de Danilo Penteado.

Há aves que avoam como naves 🚀
Há aves que povoam, rasgam o ar 🕊
Algumas migram pelo mar 🌊
Umas rebrilham tais e quais metais 🎷
Umas resistem pelos pantanais 🦆
Algumas nem existem mais 😢
E tem mais ➕
Umas tem plumas ornamentais🦚
Umas tem timbres suaves 🎼

Assim o passarinho é das aves🦜
A ave da mais leve asa veloz🕊
A ave da mais bela voz🎤
Ávida de canto e encantação 🎧
Ávida de vôo e renovação🛩
De seda e de sedução ❤
Revoa, voa, soa e ressoa🎼
Ave, ave! 🦅
Avião! ✈

Me Dê Você

Você me tem
Na sua mão.
Sou seu refém
De coração.
Eu sou seu bem
Até os pés
E digo amém
Dez vezes dez.

Você conduz
O meu olhar
Pra sua luz
Sempre a brilhar.
Jamais alguém
Luziu assim,
Pra mais de cem,
Dentro de mim.

Mas, ó
E como em tudo há sempre um outro dado
Ó, flor
E o amador almeja o ser amado
Amor…

Me dê você,
Me dê você,
Me dê você,
Me dê você

Ter tudo é ter
Você nas mãos;
Tocar seu ser,
Seu coração.
Ganhar, roçar
Seu sexo-céu;
Curtir, provar
Seu gozo-mel.

Eu vou lhe dar-
Me aonde for.
No Rio, no mar,
Em Salvador.
Você não tem
Que se prender
Em mim que nem
Eu a você.

Porém
E como tudo tem um outro lado
E, bem,
Quem ama também ama ser amado
Meu bem…

Me dê você,
Me dê você,
Me dê você,
Me dê você

Você me tem
Na sua mão.
Sou seu refém
De coração.
Eu sou seu bem
Até os pés
E digo amém
Dez vezes dez.

Porém…
Também…
Amor…

Me dê você,
Me dê você…

*

Bela Amiga

Bela, você
Vou lhe dizer
Não sabe o que é viver
O maior prazer
De encontrar e ver e por perto ter você

Pra saber
Teria que ser
Um cara, um outro ser
Para perceber
Essa graça pura, a doçura que é você

Livre e leve
Qual ave pronta pra voar
Siga e leve
Consigo essa canção no ar
Que eu lhe sigo
E eu lhe digo…

Doce amiga
Dessa canção aqui
Bela, diga
Aqui pra mim “e se…
“… puséssemos amor nessa amizade?”
“E o deixássemos fluir pela cidade?”

Bela, seus pais
Há tempos atrás
Em noite de inspiração
E iluminação
Foram muito foda na sua concepção

Tanto que
Devo admitir
Que além de admiração
E um apego tão
Lindo já me pego sentindo uma atração

Livre e leve
Qual ave pronta pra voar
Siga e leve
Consigo essa canção no ar
Que eu lhe sigo
E eu lhe digo…

Doce amiga
Dessa canção aqui
Bela, diga
Aqui pra mim “e se…
“Se puséssemos amor nessa amizade?”
“E o deixássemos fluir pela cidade?”

Defaunação

Da onça-pintada ao mico-leão-dourado e ao pica-pau,
Da anta ao mutum, do boto ao cuatá, veado e ao urutau,
Milhões de animais silvestres agora vivem um stress fatal,
Perdendo habitat com a mutação climática mundial
E com a letal ação da agropecuária industrial.

Tucano, macaco-prego, preguiça, águia, lobo-guará,
Guaruba, raposa, tamanduá-bandeira ao deus-dará.
Oh como uma espécie humana é tão desumana, oh deus, tão má
E nem tão inteligente pois atacando o ambiente, tá
Pilhando o planeta só pelo bruto lucro que a carne dá.

Coral, jacaré, queixada, tatu, queimados num fogaréu,
Bovinos e porcos e aves criados do modo mais cruel.*
Milhares de corpos num dos horrores mores perante o céu.*
E todos são sencientes da natureza do seu papel,
E sentem felicidade e tristeza, como você e eu.

Aranha, ariranha, gato-maracajá, murucututu,
Calango, tucunaré, tangará, tiê-sangue, tuiuiú –
Cuidar do seu bem estar sem deixar nem UM sapo jururu
Também é cuidar das plantas e dos biomas de norte a sul,
É bom para o mundo todo, pra todo mundo, pra mim e tu.

Da arara à tartaruga, ao araçari, beija-flor e mais:
Da abelha ao zogue-zogue, ao cuxiú, peixe-boi e tais:
Os animais são humanos também e nós somos animais.
Mas já abatemos a maioria deles, os ancestrais,
Oh mãe, não podemos ameaçá-los nem extingui-los mais.

………………………………………………………………………………..

Brasil vive a emergência de incêndio, seca e devastação,
Para produção de carne de gado e soja para ração,
Levando afinal a flora e a fauna à fome e à extinção.
Por isso é preciso preservação, cuidar e dar proteção
E o pleno direito à vida selvagem, livre de exploração.

Composta em 2023

Oh, Pantanal

Na natureza de beleza deslumbrante,
Vemos o rastro do desastre pelo chão.
E o que já estamos vislumbrando mais adiante
É de tocar e de cortar o coração.

Que aconteceu com tanto verde e tanta água
E o céu azul que a fumaça diluiu?
Quem tocou fogo e provocou um mega estrago à
Vegetação e quem o rio poluiu?

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Nem pássaro, nem peixe, nem onça, nem réptil
Deve morrer queimado ou seco ano a ano.
Oh que a mãe Terra interceda e intercepte o
Golpe fatal da mão do ser humano,

Por tuas cheias e vazantes e história,
Pelas araras, tuiuiús e jacarés,
Visão da criação de Deus, de sua glória,
Do roxo dos ipês a tudo que tu és.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Embaixo um rio baixo, em cima um sol laranja,
No ar um cheiro de fuligem e fumaça.
O que há de ser de nós no incerto do amanhã já
Que no presente a gente está sob ameaça?

Já que pra nós importa a vida da planície,
Que tá secando a cada ciclo que completa,
A vida verde da alagável superfície,
A mais infinda e das mais lindas do planeta.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

A seca chega, a chuva some, e é só tragédia.
Ao sol que cega, o solo racha, a vida míngua.
A seca pálida, esquálida, precede a
Propagação do fogo e suas línguas.

O fogo é alto, e também alto é seu ronco.
Veloz, seu movimento ao vento, e a ação
Torna um palito cada galho e cada tronco,
De cinza branca como neve cobre o chão.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Os rios descem do planalto, onde nascem,
Mas as nascentes o “agrobiz” tá destruindo.
O pantaneiro em vão lamenta a fase má sem
Que a cheia deixe de ir diminuindo.

A natureza grita, o coração aperta!
Quem ouve é gente que conserva o ambiente.
Com esperança de que a condição reverta,
Restaura o solo e recupera a nascente.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Mineração, barragem, mudança climática,
O agrotóxico, a exótica pastagem,
O mar de soja, o rio sujo, o desmate, ca-
Da vez mais esticada a estiagem.

A natureza avisa e a ciência alerta:
Do modo que vão degradando o seu entorno,
O Pantanal, irão torná-lo um deserto,
Irão levá-lo além do ponto sem retorno.

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
Qual, Pantanal?

Pantanal,
Qual teu destino final,
Nosso destino afinal?
OH, PANTANAL?

Escrito Nas Estrelas

Você pra mim foi o sol
De uma noite sem fim
Que acendeu o que sou,
Pra renascer tudo em mim.
Agora eu sei muito bem
Que eu nasci só pra ser
Sua parceira, seu bem, (*)
E só morrer de prazer.

Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô,
Meu amor, esse amor de cartas claras sobre a mesa
É assim.
Signo do destino, que surpresa ele nos preparou;
Meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas,
Tava, sim.

Você me deu atenção
E tomou conta de mim.
Por isso, minha intenção
É prosseguir sempre assim.
Pois sem você, meu tesão,
Não sei o que eu vou ser;
Agora preste atenção:
Quero casar com você.

_____________________

Variante:
(*) O seu parceiro, seu bem,

*

Deus, Proteja Meu Filho

Seu ideal e sonhos me comovem.
Ele é rebelde, ele é jovem.
Em seu olhar eu vejo tanto brilho!
Ele rima, ele dança,
É cheio de desejo e de esperança;
Oh Deus, proteja meu filho!

Puxou meus olhos e meu tom de pele.
No trabalho eu lembro dele,
Que me sorri, e eu me maravilho.
Ele quer fazer Direito.
Eu o carrego sempre no meu peito.
Oh Deus, proteja meu filho!

Que mesmo lindo no seu uniforme,
Pode haver um risco enorme,
Sem eu poder correr em seu auxílio.
Quem também tem filho preto
Entende minha angústia e meu afeto.
Oh Deus, proteja meu filho!

É duro lhe dizer mas eu lhe digo
Que correr é um perigo.
Esse temor com mães irmãs eu compartilho.
“Nunca faça um gesto brusco”,
Eu falo pro seu bem que eu tanto busco.
Oh Deus, proteja meu filho!

Do mau policial em desatino
Livre e guarde esse menino,
Do dedo impune que nos pune com gatilho.
Pra que nunca seja um alvo
E pra que chegue em casa são e salvo,
Deuses, protejam meu filho!

Enquanto eu luto pelo seu direito
De não ser alguém suspeito
E de ser livre de correntes e empecilhos,
Até que o racismo zere
E que a justiça no país impere,
Deuses, protejam meu filho!
Deuses, protejam meu filho!
Oh, deuses, protejam nossos filhos!

Muita Lindeza

Há beleza na flor, no mar,
No pôr do sol e na lua.
Há belezas sem par na natureza.
Porém nenhuma se compara à sua.

Meu olhar é uma lupa
Com a qual eu te fotografo.
Mas pense na beleza em dose dupla:
É você no Cortejo Afro!

No Cortejo eu te vi e te vejo,
Te abraço, te beijo, te amasso e desejo.
O Cortejo e você é muita lindeza, muita.
Quando você ao Cortejo se junta,
Eu nunca vi tanta lindeza junta.
O Cortejo e você é muita lindeza, muita

Baião Pra Uma Baiana em São Caetano

Baião,
Vai àquela baiana em São
Caetano, São Paulo, onde estão
Minha mente e meu coração,
E chegando por MP3,
Diz que eu ando infeliz outra vez,
Que ela volte, pra me consolar,
Ao meu lar.

Baião,
Diz a ela, que é lá de onde são
O João, A Ivete, o Galvão, (*)
Juazeiro, Bahia, sertão,
Que nem lá, nem no grande ABC,
Um desejo maior não se vê;
Quem a queira assim como eu
Não nasceu.

Tendo todo o passado que tens,
Tendo sempre passado as mens-
Agens belas dos males e bens
De amor,
Passa mais essa aqui, por favor,
Pra baiana fatal, que é a tal
Que me dana e me causa, afinal,
Tanto bem e também tanto mal.

Baião,
Diz a ela que um dia eu fui são,
E a loucura, a doença, a paixão
Hoje atacam o meu coração,
E o remédio é só ela quem tem,
Porque dela é o veneno também;
“Louco” é pouco pra me definir;
C’est fini.

_____________________
Variante:
(*) O João, O Wlatinho, o Galvão,

Escrita em 2012

Mundo em Expansão

Tudo o que há no mundo, o universo,
Té o que tá no fundo, no inverso –
Toda a amplitude do oco do céu
Cheio de objetos num véu –
Tudo, contudo, contido no vão
Do espaço do coração.

Mundo, que vasto mundo de tão grande
Mundo, que afunda, afasta-se e expande,
Como um balão de galáxias, aliás,
Inflando, inflando de gás,
Tanto e no entanto cabendo enfim
Na alma que há em mim.

Como então, de repente,
Coração, alma, mente
São tão-só ocupados por um ser,
Que toma todo o infinito
Que no meu eu eu reflito
E que não é ninguém mais que você…
Você que faz, oh pequena,
A minha vida tão plena,
O meu amor e o meu mundo crescer?!

*

Todas Elas Juntas Num Só Ser – Número 2



Não canto Ive Brussel, Denise Rei,
Dumingaz, Rita Jeep de Ben Jor;   
Não canto a moça do galante Wando,
Nem canto a aeromoça de Belchior;
Nem Sarah nem a baby-blue de Dylan,
Nem Sally nem a doce Jane, de Lou;
Nem Angie nem a Lady Jane de Jagger;
Nem Scarlet Moon de Lee e de Lulu.

De Simon, nem Cecilia e Mrs. Robinson:
Só deixam minha lista mais extensa;
Nem la femme, l´amour de Reginaldo;
Nem la belle de jour de Alceu Valença;
De Assis Valente, nem Maria Boa;
De Lupicínio, nem Maria Rosa;
De Zé Ramalho, nem a mulher-frevo
Nem a nova, bonita e carinhosa.

Só você,
Hoje eu canto só você,
Só você,
Nem uma outra mais tem meu querer.

E danem-se Diana, de Paul Anka;
A falsa loira, de João Bosco e Aldir Blanc;
De Samuel Rosa com Chico Amaral,
A tal garota nacional, do Skank;
E Ruby e Georgia, musas de Ray Charles,
E Ruby, joia de Thelonious Monk,
E Ruby Tuesday, outra de Mick Jagger –
Além das tais mulheres honky-tonk;

Maria e mais Maria solidária,
De Milton Nascimento com Fernando Brant;
Maria, a escandalosa e a Candelária,
De Klécius Caldas com Armando Cavalcanti;
E de Caetano, para Cássia Eller,
A criatura, a gata extraordinária,
Como a menina do anel de lua
E estrela de Vinícius Cantuária.

Só você,
Eu sou quem flama, chama por você;
Só você,
Meu sal, meu mel mesclado com dendê.

Nem Sá Marina, de Gaspar e Adolfo,
Nem Dinorá, de Vitor com Ivan;
Izaura, de Herivelto com Roberti;
Clarice, de Caetano e Capinan;
Da miss de Bosco e Blanc, a Miss Suéter,
À de Roberto e Rita, a Miss Brasil 2000;
Nem Mabellene e a sixteen, de Chuck Berry;
De Little Richard, nem miss Molly nem Lucille.

E nem a mariposa de Adelino
E nem a marcianita de Alderete
E nem a moreninha de Zé Rico
E nem a mascarada de Elton e Zé Kéti
E nem a Colombina de Ed Motta
E nem a Cinderela de Rossini           
E nem a burguesinha de Seu Jorge
E nem a Tiazinha – uh! – de Vinny!

Só você,
Eu hoje elevo e louvo só você,
Só você,
Que eu clamo e que eu declamo como o quê.

Da brasileira de Benito à espanhola
De Guarabyra e Venturini em dupla,
Nem a mineira de Nogueira com Pinheiro,
Nem a garota de Berlim de Supla,
Nem a de Gil garota do Barbalho,
Nem as de Herbert meninas do Leblon,
Nem a de Bowie, mina lá da China,
Nem as mulheres de LA de Morrison;

E, de José Fortuna, nem a índia,
Sangue tupi, a flor do Paraguai;
E, de João de Barro, nem Mimi,
A japonesa (sic) de Xangai,
E nem Chiquita lá da Martinica;
Nem, de Chico, as muchachas de Copacabana,
Nem a morena do chocalho lá de Angola;
E de Emicida enfim nem a baiana.

Só você,
Ninguém me inspira mais do que você,
Só você
Eu canto e eu decanto com prazer.

Jamais alguém já fez alguém fazer
Uma canção que nem você me fez;
Nem mesmo Rita e Martha, a Paul MacCartney;
Tampouco Yolanda, a Pablo Milanês;
Nem Conceição, a Dunga e Jair Amorim;
E nem Cristina, a Tim e Carlos Imperial;
Nem Florentina de Jesus, a Tiririca;
Nem Sandra Rosa Madalena, a Magal;

Jamais também um cantautor cantou
Numa canção assim a sua amada,
Nem Dylan totalmente apaixonado
À dama de olhos tristes da Baixada;
É justo então que você dê pra mim de vez,
Só dessa vez, eu juro pelos deuses!
Só uma vez… ou só mais umas dez…
Vezes dez vezes dez… vezes dez… vezes!

Só você,
Ninguém desejo mais do que você,
Só você,
Você, meu grande amor, meu grande tê.

Você é como a mina preciosa
De Péricles e Augusto com John Donne;
Como o xodó, a paz de Dominguinhos;
O bem-querer, o encanto de Djavan;
Como a sereia de Lulu com Nelson Motta;
A fada, a doce amada de Zezé;
Como a sofisticada dama de Duke Ellington
E como a puta de Odair José.

Você é para mim e o meu amor
Profundo, grande e largo como o mar,
Mais que a donzela foi pra Luiz Melodia,
Mais que Luzia foi pra Itamar;
Que Xanduzinha pra Luiz Gonzaga
E Capitu para Luiz Tatit,
E que a namoradeira pra Rincon e Lia
E que a praieira pra Nação Zumbi!    

Só você,
Que é tudo, tudo, tudo, só você,
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Apaixonado Por Você

Suas mensagens no WhatsApp
E também lá no Instagram
Não tem nenhuma que me escape,
Releio todas de manhã.

Na sua mágica presença
Em fico em outra, alterado.
Mas nem por isso se convença
De que eu estou apaixonado
Por você.

Suas imagens lá no Insta
Eu olho quando tô on-line.
Meu fogo num instante insta
Que você logo o amaine.

Na sua falta tudo fica
Menos bonito e animado.
Isso, porém, não significa
Que eu estou apaixonado
Por você.

Quando nós dois nos encontramos,
Eu me demoro em nosso abraço.
Meu coração se diz “eu amo”, S-
em consciência e sem compasso.

Por dentro eu fico numa puta
Felicidade do seu lado,
Mas “nué” certeza absoluta
Que eu estou apaixonado
Por você.

Seu porte longo e meio magro
Na aula de yoga se destaca;
Você de longe eu só que flagro;
Tão concentrada, cê nem saca.

Mas quando eu vi o belo pomo
De suas coxas do meu lado,
Perdi o sono à noite, como
Se eu estivesse apaixonado
Por você.

Detesto olhar pro que cê fez,
Num de seus pés, no lado externo –
A tatuagem para um ex:
“Fulano, meu amor eterno”.

Agora um cara um tanto fraco
É que é seu novo namorado.
Mas ao seu lado ele é opaco –
E nem é tããão apaixonado
Por você.

Eu pra você sou um amigo,
Assim você tem me tratado.
Sou seu “querido”, mas não ligo
Se for querido e for amado.

Sua família é bem maneira,
Mas vou parar com esse agrado.
Agindo assim dessa maneira,
Podem me achar apaixonado
Por você.

Vieram me dizer que dizem
Que você é a minha musa,
Mas eu até fiquei feliz em
Saber que isso se deduza,

Porque não só esta canção
Eu em você fiz inspirado,
Porém não vá achando, não,
Que eu já estou apaixonado
Por você.

Você aspira o seu haxixe,
E eu é que quase enlouqueço
Com o seu rosto, meu fetiche,
Que eu tanto gosto e nunca esqueço.

Já não importa onde ou quando,
Tanto em você tenho pensado!
Mas é melhor não ir pensando
Que eu tô de fato apaixonado
Por você…

*

Todas Elas Juntas Num Só Ser – Final

Por adorá-la mais que Dorival
A Dora, Doralice, Gabriela,
E por querê-la mais do que Cazuza
Pôde querer Querelle, ó minha estrela,
Por horas, dias, mil e uma noites,
Eu mais de mil canções evocaria
Nessa canção e tão-somente nela,
Pra ter você pra sempre e mais um dia;

Canção que é feita de canções já feitas
Pra se cantar alguém, alguém qualquer,
E que são feitas sempre, pois tem sempre,
Pra se cantar, alguém a quem se quer,
Como você, que é uma canção em si,
Como essa aqui, que é uma canção sem fim,
Pois não acabam as canções de que ela é feita,
Nem por você o meu querer tem fim.

Só você
Faria-me fazê-la, só você,
Só você
Me inspira – e eu transpiro no fazer.

E pausa e finda assim num pseudofim,
E pára aqui pra que não se prolongue,
A minha “Sad Eyed-Lady of the Lôwlands”,
A minha “You´re The Top”, minha list-song,
Canção cantada escrita dita dada
Tão-só para você, que para mim
É tal como o cherie amour de Wonder
E assim como a querida de Jobim,

Canção que cessa mas que recomeça,
Que o rol de músicas e musas não acaba,
De “Maringá”, de Joubert de Carvalho,
Até “Mulher do Paraná”, de Sorocaba,
Além do mais sua beleza é uma grandeza
Que nem numa canção como essa cabe,
E faz com que o desejo por você
Que nunca cessa em mim não mais acabe.

Só você,
Você, você, você e só você,
Só você
É todas elas juntas num só ser.

*

Letra de 2016

A Rima Perfeita

Como beijo com desejo,
Como sexo com amplexo,
Nós rimamos como o quê;
Como baccio e abbracio,
Qual lambida e comida,
Eu combino com você;
Qual carícia e malícia,
Poesia e fantasia;
Será que você não vê?

Que nem lalá
E ah… ah… ah… ah… ah… !;
Rimar assim que é bom
Que nem espasmos de orgasmos,
Em sentido e som,
Como em Drummond.

Como fire e desire,
Como love e meia-9,
Qual tesão e relação,
Como seios e anseios,
Como pelos e apelos,
Qual canção e acordeão.

Que nem lalá
E ah… ah… ah… ah… ah… !;
Rimar assim que é bom
Que nem espasmos de orgasmos,
Em sentido e som,
Como em Drummond.

Como frio e arrepio,
Como laço e amasso;
Nós rimamos como o quê;
Qual cometa e gameta,
Qual beleza e natureza,
Falta só você se convencer.

*