Para onde vamos? Ah, onde vamos parar?
Nessa encruzilhada, que estrada vamos pegar?
Que perigo de mau tempo, temporal,
De temperatura em alta e de desastre existe pra todos nós afinal?
Que deslizamento de monte, que inundação
Nossos olhos tristes ainda inundarão?
Que geleira tem que ainda derreter,
Pra quebrar a pedra de gelo que tem no peito quem tem um podre e alto poder? (*)
Quanto tempo mais alguns vão fingir que não veem
O que eles veem porém fingir lhes convém?
Quantos homens, aos milhares, aos milhões,
Vão morrer de fome e de sede, vítimas de ações de outros homens de outras nações?
Que será do mundo que vemos, que mundo nós
Deixaremos às gerações que virão após?
Que futuro desenhamos, que manhã?
Nosso tino ou desatino hoje define nosso destino aqui amanhã.
(*) Variante
Que desmate tem que ainda ocorrer,
Pra quebrar a pedra que tem no peito de quem depreda do alto e podre poder? (*)
Ela não deu retorno ao meu torpedo,
Nem ao email meio emocional.
Eu penso em meu destino e sinto medo,
Sozinho em minha cama de casal.
Ai, ai, o nó que dá meu peito mói.
Que mágoa má, que fim de noite mau.
Dói… dói…
Eu vi casais de namorados lá no parque,
Sarrando e sorrindo, aos beijos e amassos.
Ouvi gemidos de amantes a trepar, que
Cruzaram as paredes e os espaços.
No breu do quarto a solidão agora rói
Meu coração partido em dois pedaços.
Dói… dói…
O que eu projeto é algo que ela almeja.
Eu quero achar minh´alma gêmea, e ela, idem.
Eu a desejo mais do que ela me deseja.
Como é que às vezes os desejos não coincidem…
Sem colo nem calor, calado como um boi,
Tesão e rejeição em mim colidem.
Dói… dói…
Eu sempre estou com ela no meu pensamento.
Ao mesmo tempo nunca estive tão sozinho.
Mais do que nunca hoje aqui nesse momento
Carece de carícia o meu coraçãozinho.
Não tendo a quem me dê e a quem me doe,
Não há verão porque só eu é que andorinho.
Dói… dói…
Mulher, vem ver-me, vai, não me magoe,
Ou sai da minha mente já ruim;
E a solidão, qual verme que corrói,
Que morra ou dê enfim um fim em mim;
Me mate de repente como a um motoboy,
Não lenta e longamente assim, que assim
Dói… dói…
1 – Eu Vou Escrever Um Livro
Luiz Tatit (voz e violão)
2- Doce Loucura
Marcelo Jeneci (voz e violão)
3- Caterina
Cacá Machado (voz e violão)
Gilberto Monte (guitarra)
4- Luzia Luzia
Jota Veloso (voz) e Guito Argolo (voz e violão)
5- Verônica
Marcelo Jeneci (voz e violão)
6- Todas Elas Juntas Num Só Ser -Número 3
Felipe Cordeiro (voz, guitarra e programação)
7- Eu Pra Você, Você Pra Mim
Geronimo Santana (voz e violão) e Edfran (percussão)
8- Com Você, Sem Você
Edu Krieger (voz, violão, guitarra, baixo e programação)
9- Dói… Dói…
Zeca Baleiro (voz e violão)
10- Star- Filled Night
Marcelo Tápia (voz) e
Daniel Tápia (violão)
11- Solidão Cósmica
Cecília Stanzione (voz), Mário Céve (flauta e arranjo)
e Adriano Souza (piano acústico e elétrico)
12- Para Onde Vamos?
Beto Villares (voz e violão) e Dustan Gallas (violão, piano e teclados)
13- Signs of Life on Mars
Antonio Pinto (voz e instrumentos);
Ensemble São Paulo (quarteto de cordas)
Tadeu Jungle e Fred Rahau Mauro (videoclipe)
14- Quede Água, Quede?
Chico César (voz e violão)
15- Vó
Vicente Barreto (voz e violão)
16- Idade Média Moderna
Pedro Luís
17- The Tragedy of América
Hique Gomez (voz e teclado)
“Miscelânea” se constitui num álbum exclusivamente digital, reunindo dezessete canções até então inéditas cujas letras foram publicadas no livro “Canções” (editora Perspectiva), de 2018. O livro traz também os QR Codes das gravações, na maioria feitas especialmente para a obra e apresentando parcerias as mais diversas já feitas pelo autor.
“Canções”, de Carlos Rennó, pela editora Perspectiva, lançamento de 2018, constitui-se numa reunião de grande parte das letras do autor apresentadas em subdivisões temáticas que vão das canções socioambientais e políticas às lírico-amorosas, incluindo parte das suas versões de clássicos norteamericanos em transcrições bilíngues. O livro traz apreciações críticas da obra assinadas por José Miguel Wisnik, Marcelo Tápia e Antonio Cicero (quarta-capa). Como novidade, inclui um álbum digital com dezessete canções que podem ser ouvidas fotografando-se com o celular os QR Codes correspondentes, que se encontram impressos numa das partes do livro.
Querem encher nossa floresta de hidrelétrica.
Que coisa besta, minha mãe, que coisa tétrica!
A hidrelétrica despreza o que é poético,
E arrasa a natureza em ritmo frenético.
Degrada bichos e lugares arqueológicos,
Depreda nichos e altares ecológicos
E rios-mares de largura quilométrica.
Por isso nunca mais queremos hidrelétrica!
Quem ama mesmo a floresta amazônica,
Não quer ver nunca a natureza desarmônica.
A usina mata o amanhã; em tom patético,
Já toda a mata grita, num sinal profético.
A gente simples, ribeirinha, vai ser vítima
Da sua ação tão ilegal quanto ilegítima.
E como as putas hidrelétricas afligem-na!
E como vai viver o bravo povo indígena?
Se o peixe vai morrer com cada rio magnífico,
Para prover mineração e frigorífico.
Quem gosta mesmo da floresta amazônica
Quer energia, sim, mas não tão anacrônica.
Naturalmente há outras fontes energéticas
Que são mais limpas, mais modernas e mais éticas.
Pois a barragem traz poluição climática.
Pois é imposta, pois é antidemocrática.
E causa o mal que nada faz enfim que finde-se:
Prostituição e violência em alto índice.
Por fim envolve corrupção, envolve escândalo.
Quem a constrói destrói a flora como um vândalo.
E como o meu direito à luz pode ser válido,
Se ele degreda um povo digno que se vale do
Grande bem, do grande dom, o das florestas (e
Se elas levam minha vista humana ao êxtase)?
Então barremos a barragem tecnocrática,
Que barra a vida livre, pródiga e errática,
Que a usina alaga, cobre e apaga como um túmulo,
Que a usina é praga, a usina é chaga, a usina é o cúmulo!
Quem ama mesmo o bioma amazônico
Não quer sujar a Terra e o ar com gás carbônico.
A usina fere com um arsenal mortífero
O sapo, a fera, a cobra, o pássaro, o mamífero.
A usina afeta o lago, o lar paradisíaco
Com um projeto louco, megalomaníaco.
A água chora sem parar de dó por isso no
Xingu, Madeira e Teles Pires em uníssono!
Ó mãe senhora, nos livrai da sina tétrica
De mais tragédia, mãe, de mais uma hidrelétrica!
Quem ama mesmo o bioma amazônico
Não quer ver nunca o ambiente desarmônico.
“Poesia, essa permanente hesitação entre som e sentido.”
(Paul Valéry)
Suaí
A ninfo a info a net o site
O doc o blog o face o fone
A foto a moto o auto a van
O flex o fax o sax o cello
A tele o bêlo a benga a racha
A buça a fuça o naso o názi
O skin o rasta o emo o mano
A mina a píri a síri a xota
A sinhá a sá a sci-fi
O abecê ocê o mê
O remix a mix a máxi
O metrô o táxi a Volks
A macrô o japa o vegan
O taichi o china o teuto
O piti o script o pop
O jabá a rádio a químio
A rapeize o beize a blitz
A vagaba o cafa a confa
O batera a guita o pife
O forró o bebo a bifa
Suaí
Suaí
Sumemo
O homo o bi o tri o hexa
O ecs a herô o háxi a présa
A briza a coca a cerva o churras
O Mac o Mac a web a vibe
O hype a hi o grã-fo o zé
O mé a mulha a múlti a/o micro
O e-mail o game o daime o/a demo
O clipe a lipo a pólio o apê
A produça o profissa
A concepa a sapata
O trafica o traíra
O traveco a madruga
O brasuca o portuga
A padoca o sanduba
O basquete o futiba
O Maraca o Morumba
A sugesta a tempesta
A cesárea a responsa
A perifa o refri
O comuna o cinema
Suaí
Suaí
Sumemo
O tusta a sista o bró a mã
O fã o psico o songa o leso
A lusa o Barça a Juve a/o Inter
A intro a infra o finde o frila
O cine a expo o zoo a dica
O dino a nóia a neura o níver
A vó a vamp a lampa o langue
O log o logo o flagra o Fla-
-Flu Grenal Bavi Sansão
Futevôlei hortifrúti
Copa Sé Pelô Belzonte
Patropi Floripa Sampa
Legas paca duca mara
Oxe vixe putz nó
Tô de brinca mô na funça
Só na sôci sô à vonts
Bora té belê de fina
Porfa péra tá de prima?
Quede sífu bafo sussa
Sacumé né pô mó su
Tiro minha cartola, reverente,
Pro galhardo bahiano assaz valente.
Babo pelos batutas, pelo dom
De dongaroto e do menino bom.
Gamo pela magnífica divina
E notável pequena linda flor.
Devoto de Gonzaga e do divino,
Eu rendo graças ao nosso Sinhô.
Bebo na fonte de cascata e cascatinha,
De ribeiro e riachão,
Num ban-kéti no matão.
Colho do fruto benedito de oliveiras,
De pereira, de moreiras,
De carvalho e jamelão.
Devoro jararaca e ratinho,
Bebo araca e mordo a carmen
De peixoto e de martins.
Degluto batatinha e gordurinha,
Como muita clementina
E chupo muito amorim.
Tomo cachaça e fumo charutinho,
Baixa em mim um caboclinho,
Danço ao jack-som do pandeiro,
Além do bandolim, do cavaquinho,
De viola e vassourinha
E por fim de um seresteiro.
Então qual um joão-de-barro, um ás
De um bando de tangarás
Ou que nem um rouxinol,
Canto que nem sabiá:
Lalá, lalá, lalá, lalá, lalá, lalá!
A aurora humbertei-cheira a noel-rosa.
Orl-ando por um la-marçal barroso,
Por vales e por lagos encantados,
Por mários nunca dantas navegados.
Num vale d’ouro (dourival) caí-mmi,
Lau-rindo ao wil-som e ao luar tão cândido
De lobos e de lupes a ulular
Seu cântico mansueto pelo ar.
In-ciro-me de orestes em diante
Na linhagem de beleza,
De poder e realeza
De generais, sargentos, almirantes,
De custódios, comandantes,
Reis, rainhas, príncipes e princesas.
E vamos nelson todos nesse bando
De namorados da lua,
Tomando banho de lua.
A estrela dalva lá no ab-ismael
Do blecaute da amplidão
Nos en-candeia no chão.
Entre os anjos do inferno e os diabos do céu,
Vivo e morro dos prazeres
E dolores da paixão.
Re-cito Lamartine pra de-déo;
Enfim sou um Catulo da canção!
Vá, meu canto, voe;
Encante, meu vocal;
Vá por algum meio
Até quem me intui
Uma nova trova:
Minha Lua-Sol,
Dama a quem eu amo sem domar:
Não pode haver
Mulher melhor.
Vá, meu verso, ecoe,
Inverso, virtual;
Vá por um email
A quem a luz distribui;
Quem tudo renova:
Gema clara Sol,
Alma à qual almejo me algemar;
Poder saber
O seu sabor.
Aí eu vou cobrir seu corpo,
Que é lindo como o quê,
De tantos beijos quantas flores há em cada ipê
Que lá em Sampa dá.
Depois enfim de abrir seu corpo,
De remirá-lo hei;
E ainda rindo, admirá-lo-ei,
À luz da lâmpada.
Vá, canção, ressoe,
No áudio, no dial
De quem num meneio,
Formosa, me possui
E faz que o Sol chova,
Gira-gera-sol:
Dona que eu sem dano hei de adonar;
Seu dono ser,
Ter seu amor.
Céu azul, azul, azul;
Cor-de-rosa pôr-do-sol;
Véu da aurora boreal;
Mar de estrelas lá no céu;
Luz de fogos na amplidão;
Lua-prata qual CD;
Preto eclipse do esplendor;
Arco-íris multicor :
Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
De seus olhos, seu olhar,
Suas pernas, seu andar,
Sua cara, coração,
Sua boca e um não-sei-quê,
De sua pele, sua cor –
Do seu corpo, meu amor…
Verdes pampas lá do Sul;
Costa Branca igual lençol;
Na vazante, o Pantanal;
Barcelona, Parque Guell;
Monte Fuji no Japão;
Garopaba em SC;
Amazônia, selva em flor;
Mar azul de Salvador :
Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
Nem da graça nem da cor
Do seu corpo, meu amor…
“Poesia” (Selo SESC, 2018) Este álbum é dedicado á obra do letrista Carlos Rennó, dele apresentando um repertório de dezesseis canções – nove delas inéditas – com diversos parceiros. O trabalho celebra quarenta anos da primeira gravação de uma composição do autor. Seu conceito se vincula ao lançamento simultâneo de um livro (“Canções”, pela editora Perspectiva), daí seu repertório apresentar canções com letras poeticamente mais literárias, algumas de caráter experimental.
1 – PINTURA
Autores: João Bosco e Carlos Rennó
Voz e Violão: João Bosco
2 – NOVA TROVA
Autores: Zeca Baleiro e Carlos Rennó
Voz e Violão: Zeca Baleiro
3 – CANÇÃO PRA TI
Autores: Ana Carolina, Morenos Veloso e Carlos Rennó
Voz e Violão: Moreno Veloso
4- TODAS ELAS JUNTAS NUM SÓ SER
Autores: Lenine e Carlos Rennó
Voz: Ellen Oléria, Felipe Cordeiro, Junio Barreto, Leo Cavalcanti, Pedro Luis e Wilson Simoninha
5 – NUS
Autores: Arnaldo Antunes e Carlos Rennó
Voz: Arnaldo Antunes
Violão e Guitarra: Chico Salem
6 – SUAÍ
Autores: Livio Tragtenberg e Carlos Rennó
Voz: Lívia Nestrovski
Guitarra:
Cacá Machado
Percussão: Alessandra Leão
7 – OUTROS SONS
Autores: Arrigo Barnabé e Carlos Rennó
Voz: Tetê Espindôla, Arrigo Barnabé e Carlos Rennó
Piano: Arrigo Barnabé
8- eu disse sim
Autores: José Miguel Wisnik e Carlos Rennó
Voz e Piano: José Miguel Wisnik
9- SETA DE FOGO
(A CANÇÃO DE TERESA)
Autores: Chico César e Carlos Rennó
Voz e Violão: Chico César
10 – O MOMENTO
Autores: Leo Cavalcanti e Carlos Rennó
Voz e Violão:
Leo Cavalcanti
11- MINHA PRETA
Autores: Geronimo Santana e Carlos Rennó
Voz e Violão: Geronimo Santana
12- SÓ
Autores: Paulinho Moska e Carlos Rennó
Voz e Violão: Paulinho Moska
Percussão; Marcos Suzano
13- EXALTAÇÃO DOS INVENTORES
Autores: Luiz Tatit e Carlos Rennó
Voz e Violão: Luiz Tatit
14- TÁ?
Autores: Pedro Luís e Carlos Rennó
Voz e Cavaquinho: Pedro Luís
15- HIDRELÉTRICAS NUNCA MAIS
Autorais: Felipe Cordeiro e Carlos Rennó
16- ÁTIMO DE PÓ
Autores: Gilberto Gil e Carlos Rennó
Voz: Gilberto Gil
Você não sai da minha cabeça
Como canção que toca à beça
Toca em excesso, é um puta sucesso
Um megahit
Toca em excesso, é um puta sucesso
Um megahit
Você me deixa louco, doente
Pra ter você também pela frente
E não só na mente, é que o corpo sente
A paixonite
E não só na mente, é que o corpo sente
A paixonite
Minha temperatura aumenta
O tempo ao meu redor esquenta
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Um megahit
Você é minha idéia fixa
Que prega em mim, me crucifixa
É tanto desejo que se eu não te vejo
Viro dinamite
É tanto desejo que se eu não te vejo
Viro dinamite
E pra acabar, não há o que eu coma
Vou acabar entrando em coma
Eu já ‘tô à míngua, só a sua língua
Me dá apetite
Eu já ‘tô à míngua, só a sua língua
Me dá apetite
Minha temperatura aumenta
O tempo ao meu redor esquenta
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Em você eu vi a possibilidade
Do meu sonho mais risonho se tornar realidade
Em você eu vi a beleza, a verdade
A própria promessa da felicidade
Uma coisa bonita, alegria infinita no coração
Uma coisa bonita, alegria infinita no coração
Tudo que eu via parecia até miragem
Eu pensei, será, será, será que é viagem?
Parecia uma visão ou quem sabe aparição
Um milagre, uma lágrima alegre
Nos olhos da solidão
(Eu vi)
Em você eu vi
Uma graça, uma força, um poder, eu vi
Uma tal beleza
Pela qual alguém podia até morrer e eu ri
Eu vi o que é viver, eu vi
Quando bem junto de você, eu vi
O amor explodir
Que nem estrela a eclodir
Eu vi e você viu, eu vi
O amor explodir
Explodir
Explodir
Explodir
Eu vi o que é viver, eu vi
Quando bem junto de você, eu vi
O amor explodir
Que nem estrela a eclodir
Eu vi e você viu, eu vi
O amor explodir
Explodir
Explodir
Explodir
Um esquema forte
Como um forte,
Como um campo de concentração,
Bunker ou abrigo,
Como domiciliar prisão,
Livre do perigo,
Da rua, da praça, do calçadão,
Livre da cidade,
Dos cidadãos,
Livre enfim da liberdade!