1 – Eu Vou Escrever Um Livro
Luiz Tatit (voz e violão)
2- Doce Loucura
Marcelo Jeneci (voz e violão)
3- Caterina
Cacá Machado (voz e violão)
Gilberto Monte (guitarra)
4- Luzia Luzia
Jota Veloso (voz) e Guito Argolo (voz e violão)
5- Verônica
Marcelo Jeneci (voz e violão)
6- Todas Elas Juntas Num Só Ser -Número 3
Felipe Cordeiro (voz, guitarra e programação)
7- Eu Pra Você, Você Pra Mim
Geronimo Santana (voz e violão) e Edfran (percussão)
8- Com Você, Sem Você
Edu Krieger (voz, violão, guitarra, baixo e programação)
9- Dói… Dói…
Zeca Baleiro (voz e violão)
10- Star- Filled Night
Marcelo Tápia (voz) e
Daniel Tápia (violão)
11- Solidão Cósmica
Cecília Stanzione (voz), Mário Céve (flauta e arranjo)
e Adriano Souza (piano acústico e elétrico)
12- Para Onde Vamos?
Beto Villares (voz e violão) e Dustan Gallas (violão, piano e teclados)
13- Signs of Life on Mars
Antonio Pinto (voz e instrumentos);
Ensemble São Paulo (quarteto de cordas)
Tadeu Jungle e Fred Rahau Mauro (videoclipe)
14- Quede Água, Quede?
Chico César (voz e violão)
15- Vó
Vicente Barreto (voz e violão)
16- Idade Média Moderna
Pedro Luís
17- The Tragedy of América
Hique Gomez (voz e teclado)
“Miscelânea” se constitui num álbum exclusivamente digital, reunindo dezessete canções até então inéditas cujas letras foram publicadas no livro “Canções” (editora Perspectiva), de 2018. O livro traz também os QR Codes das gravações, na maioria feitas especialmente para a obra e apresentando parcerias as mais diversas já feitas pelo autor.
“Canções”, de Carlos Rennó, pela editora Perspectiva, lançamento de 2018, constitui-se numa reunião de grande parte das letras do autor apresentadas em subdivisões temáticas que vão das canções socioambientais e políticas às lírico-amorosas, incluindo parte das suas versões de clássicos norteamericanos em transcrições bilíngues. O livro traz apreciações críticas da obra assinadas por José Miguel Wisnik, Marcelo Tápia e Antonio Cicero (quarta-capa). Como novidade, inclui um álbum digital com dezessete canções que podem ser ouvidas fotografando-se com o celular os QR Codes correspondentes, que se encontram impressos numa das partes do livro.
Querem encher nossa floresta de hidrelétrica.
Que coisa besta, minha mãe, que coisa tétrica!
A hidrelétrica despreza o que é poético,
E arrasa a natureza em ritmo frenético.
Degrada bichos e lugares arqueológicos,
Depreda nichos e altares ecológicos
E rios-mares de largura quilométrica.
Por isso nunca mais queremos hidrelétrica!
Quem ama mesmo a floresta amazônica,
Não quer ver nunca a natureza desarmônica.
A usina mata o amanhã; em tom patético,
Já toda a mata grita, num sinal profético.
A gente simples, ribeirinha, vai ser vítima
Da sua ação tão ilegal quanto ilegítima.
E como as putas hidrelétricas afligem-na!
E como vai viver o bravo povo indígena?
Se o peixe vai morrer com cada rio magnífico,
Para prover mineração e frigorífico.
Quem gosta mesmo da floresta amazônica
Quer energia, sim, mas não tão anacrônica.
Naturalmente há outras fontes energéticas
Que são mais limpas, mais modernas e mais éticas.
Pois a barragem traz poluição climática.
Pois é imposta, pois é antidemocrática.
E causa o mal que nada faz enfim que finde-se:
Prostituição e violência em alto índice.
Por fim envolve corrupção, envolve escândalo.
Quem a constrói destrói a flora como um vândalo.
E como o meu direito à luz pode ser válido,
Se ele degreda um povo digno que se vale do
Grande bem, do grande dom, o das florestas (e
Se elas levam minha vista humana ao êxtase)?
Então barremos a barragem tecnocrática,
Que barra a vida livre, pródiga e errática,
Que a usina alaga, cobre e apaga como um túmulo,
Que a usina é praga, a usina é chaga, a usina é o cúmulo!
Quem ama mesmo o bioma amazônico
Não quer sujar a Terra e o ar com gás carbônico.
A usina fere com um arsenal mortífero
O sapo, a fera, a cobra, o pássaro, o mamífero.
A usina afeta o lago, o lar paradisíaco
Com um projeto louco, megalomaníaco.
A água chora sem parar de dó por isso no
Xingu, Madeira e Teles Pires em uníssono!
Ó mãe senhora, nos livrai da sina tétrica
De mais tragédia, mãe, de mais uma hidrelétrica!
Quem ama mesmo o bioma amazônico
Não quer ver nunca o ambiente desarmônico.
“Poesia, essa permanente hesitação entre som e sentido.”
(Paul Valéry)
Suaí
A ninfo a info a net o site
O doc o blog o face o fone
A foto a moto o auto a van
O flex o fax o sax o cello
A tele o bêlo a benga a racha
A buça a fuça o naso o názi
O skin o rasta o emo o mano
A mina a píri a síri a xota
A sinhá a sá a sci-fi
O abecê ocê o mê
O remix a mix a máxi
O metrô o táxi a Volks
A macrô o japa o vegan
O taichi o china o teuto
O piti o script o pop
O jabá a rádio a químio
A rapeize o beize a blitz
A vagaba o cafa a confa
O batera a guita o pife
O forró o bebo a bifa
Suaí
Suaí
Sumemo
O homo o bi o tri o hexa
O ecs a herô o háxi a présa
A briza a coca a cerva o churras
O Mac o Mac a web a vibe
O hype a hi o grã-fo o zé
O mé a mulha a múlti a/o micro
O e-mail o game o daime o/a demo
O clipe a lipo a pólio o apê
A produça o profissa
A concepa a sapata
O trafica o traíra
O traveco a madruga
O brasuca o portuga
A padoca o sanduba
O basquete o futiba
O Maraca o Morumba
A sugesta a tempesta
A cesárea a responsa
A perifa o refri
O comuna o cinema
Suaí
Suaí
Sumemo
O tusta a sista o bró a mã
O fã o psico o songa o leso
A lusa o Barça a Juve a/o Inter
A intro a infra o finde o frila
O cine a expo o zoo a dica
O dino a nóia a neura o níver
A vó a vamp a lampa o langue
O log o logo o flagra o Fla-
-Flu Grenal Bavi Sansão
Futevôlei hortifrúti
Copa Sé Pelô Belzonte
Patropi Floripa Sampa
Legas paca duca mara
Oxe vixe putz nó
Tô de brinca mô na funça
Só na sôci sô à vonts
Bora té belê de fina
Porfa péra tá de prima?
Quede sífu bafo sussa
Sacumé né pô mó su
Tiro minha cartola, reverente,
Pro galhardo bahiano assaz valente.
Babo pelos batutas, pelo dom
De dongaroto e do menino bom.
Gamo pela magnífica divina
E notável pequena linda flor.
Devoto de Gonzaga e do divino,
Eu rendo graças ao nosso Sinhô.
Bebo na fonte de cascata e cascatinha,
De ribeiro e riachão,
Num ban-kéti no matão.
Colho do fruto benedito de oliveiras,
De pereira, de moreiras,
De carvalho e jamelão.
Devoro jararaca e ratinho,
Bebo araca e mordo a carmen
De peixoto e de martins.
Degluto batatinha e gordurinha,
Como muita clementina
E chupo muito amorim.
Tomo cachaça e fumo charutinho,
Baixa em mim um caboclinho,
Danço ao jack-som do pandeiro,
Além do bandolim, do cavaquinho,
De viola e vassourinha
E por fim de um seresteiro.
Então qual um joão-de-barro, um ás
De um bando de tangarás
Ou que nem um rouxinol,
Canto que nem sabiá:
Lalá, lalá, lalá, lalá, lalá, lalá!
A aurora humbertei-cheira a noel-rosa.
Orl-ando por um la-marçal barroso,
Por vales e por lagos encantados,
Por mários nunca dantas navegados.
Num vale d’ouro (dourival) caí-mmi,
Lau-rindo ao wil-som e ao luar tão cândido
De lobos e de lupes a ulular
Seu cântico mansueto pelo ar.
In-ciro-me de orestes em diante
Na linhagem de beleza,
De poder e realeza
De generais, sargentos, almirantes,
De custódios, comandantes,
Reis, rainhas, príncipes e princesas.
E vamos nelson todos nesse bando
De namorados da lua,
Tomando banho de lua.
A estrela dalva lá no ab-ismael
Do blecaute da amplidão
Nos en-candeia no chão.
Entre os anjos do inferno e os diabos do céu,
Vivo e morro dos prazeres
E dolores da paixão.
Re-cito Lamartine pra de-déo;
Enfim sou um Catulo da canção!
Vá, meu canto, voe;
Encante, meu vocal;
Vá por algum meio
Até quem me intui
Uma nova trova:
Minha Lua-Sol,
Dama a quem eu amo sem domar:
Não pode haver
Mulher melhor.
Vá, meu verso, ecoe,
Inverso, virtual;
Vá por um email
A quem a luz distribui;
Quem tudo renova:
Gema clara Sol,
Alma à qual almejo me algemar;
Poder saber
O seu sabor.
Aí eu vou cobrir seu corpo,
Que é lindo como o quê,
De tantos beijos quantas flores há em cada ipê
Que lá em Sampa dá.
Depois enfim de abrir seu corpo,
De remirá-lo hei;
E ainda rindo, admirá-lo-ei,
À luz da lâmpada.
Vá, canção, ressoe,
No áudio, no dial
De quem num meneio,
Formosa, me possui
E faz que o Sol chova,
Gira-gera-sol:
Dona que eu sem dano hei de adonar;
Seu dono ser,
Ter seu amor.
Céu azul, azul, azul;
Cor-de-rosa pôr-do-sol;
Véu da aurora boreal;
Mar de estrelas lá no céu;
Luz de fogos na amplidão;
Lua-prata qual CD;
Preto eclipse do esplendor;
Arco-íris multicor :
Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
De seus olhos, seu olhar,
Suas pernas, seu andar,
Sua cara, coração,
Sua boca e um não-sei-quê,
De sua pele, sua cor –
Do seu corpo, meu amor…
Verdes pampas lá do Sul;
Costa Branca igual lençol;
Na vazante, o Pantanal;
Barcelona, Parque Guell;
Monte Fuji no Japão;
Garopaba em SC;
Amazônia, selva em flor;
Mar azul de Salvador :
Tudo, tudo isso não
Chega perto de você,
Nem da graça nem da cor
Do seu corpo, meu amor…
“Poesia” (Selo SESC, 2018) Este álbum é dedicado á obra do letrista Carlos Rennó, dele apresentando um repertório de dezesseis canções – nove delas inéditas – com diversos parceiros. O trabalho celebra quarenta anos da primeira gravação de uma composição do autor. Seu conceito se vincula ao lançamento simultâneo de um livro (“Canções”, pela editora Perspectiva), daí seu repertório apresentar canções com letras poeticamente mais literárias, algumas de caráter experimental.
1 – PINTURA
Autores: João Bosco e Carlos Rennó
Voz e Violão: João Bosco
2 – NOVA TROVA
Autores: Zeca Baleiro e Carlos Rennó
Voz e Violão: Zeca Baleiro
3 – CANÇÃO PRA TI
Autores: Ana Carolina, Morenos Veloso e Carlos Rennó
Voz e Violão: Moreno Veloso
4- TODAS ELAS JUNTAS NUM SÓ SER
Autores: Lenine e Carlos Rennó
Voz: Ellen Oléria, Felipe Cordeiro, Junio Barreto, Leo Cavalcanti, Pedro Luis e Wilson Simoninha
5 – NUS
Autores: Arnaldo Antunes e Carlos Rennó
Voz: Arnaldo Antunes
Violão e Guitarra: Chico Salem
6 – SUAÍ
Autores: Livio Tragtenberg e Carlos Rennó
Voz: Lívia Nestrovski
Guitarra:
Cacá Machado
Percussão: Alessandra Leão
7 – OUTROS SONS
Autores: Arrigo Barnabé e Carlos Rennó
Voz: Tetê Espindôla, Arrigo Barnabé e Carlos Rennó
Piano: Arrigo Barnabé
8- eu disse sim
Autores: José Miguel Wisnik e Carlos Rennó
Voz e Piano: José Miguel Wisnik
9- SETA DE FOGO
(A CANÇÃO DE TERESA)
Autores: Chico César e Carlos Rennó
Voz e Violão: Chico César
10 – O MOMENTO
Autores: Leo Cavalcanti e Carlos Rennó
Voz e Violão:
Leo Cavalcanti
11- MINHA PRETA
Autores: Geronimo Santana e Carlos Rennó
Voz e Violão: Geronimo Santana
12- SÓ
Autores: Paulinho Moska e Carlos Rennó
Voz e Violão: Paulinho Moska
Percussão; Marcos Suzano
13- EXALTAÇÃO DOS INVENTORES
Autores: Luiz Tatit e Carlos Rennó
Voz e Violão: Luiz Tatit
14- TÁ?
Autores: Pedro Luís e Carlos Rennó
Voz e Cavaquinho: Pedro Luís
15- HIDRELÉTRICAS NUNCA MAIS
Autorais: Felipe Cordeiro e Carlos Rennó
16- ÁTIMO DE PÓ
Autores: Gilberto Gil e Carlos Rennó
Voz: Gilberto Gil
Você não sai da minha cabeça
Como canção que toca à beça
Toca em excesso, é um puta sucesso
Um megahit
Toca em excesso, é um puta sucesso
Um megahit
Você me deixa louco, doente
Pra ter você também pela frente
E não só na mente, é que o corpo sente
A paixonite
E não só na mente, é que o corpo sente
A paixonite
Minha temperatura aumenta
O tempo ao meu redor esquenta
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Um megahit
Você é minha idéia fixa
Que prega em mim, me crucifixa
É tanto desejo que se eu não te vejo
Viro dinamite
É tanto desejo que se eu não te vejo
Viro dinamite
E pra acabar, não há o que eu coma
Vou acabar entrando em coma
Eu já ‘tô à míngua, só a sua língua
Me dá apetite
Eu já ‘tô à míngua, só a sua língua
Me dá apetite
Minha temperatura aumenta
O tempo ao meu redor esquenta
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Sobe degraus, trocentos graus
A um sol sem limite
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Um megahit, um megahit
Um megahit
Em você eu vi a possibilidade
Do meu sonho mais risonho se tornar realidade
Em você eu vi a beleza, a verdade
A própria promessa da felicidade
Uma coisa bonita, alegria infinita no coração
Uma coisa bonita, alegria infinita no coração
Tudo que eu via parecia até miragem
Eu pensei, será, será, será que é viagem?
Parecia uma visão ou quem sabe aparição
Um milagre, uma lágrima alegre
Nos olhos da solidão
(Eu vi)
Em você eu vi
Uma graça, uma força, um poder, eu vi
Uma tal beleza
Pela qual alguém podia até morrer e eu ri
Eu vi o que é viver, eu vi
Quando bem junto de você, eu vi
O amor explodir
Que nem estrela a eclodir
Eu vi e você viu, eu vi
O amor explodir
Explodir
Explodir
Explodir
Eu vi o que é viver, eu vi
Quando bem junto de você, eu vi
O amor explodir
Que nem estrela a eclodir
Eu vi e você viu, eu vi
O amor explodir
Explodir
Explodir
Explodir
Um esquema forte
Como um forte,
Como um campo de concentração,
Bunker ou abrigo,
Como domiciliar prisão,
Livre do perigo,
Da rua, da praça, do calçadão,
Livre da cidade,
Dos cidadãos,
Livre enfim da liberdade!
Nesse momento de gritante retrocesso
De um temerário e incompetente mau congresso
Em que poderes ainda mais podres que antes
Põem em liquidação direitos importantes
Eu quero diante desses homens tão obscenos
Poder gritar de coração e peito plenos
Não quero mais nenhum direito a menos
Nesse país em que se vende por ganância
Direito à vida, à juventude, e à infância
Direito à terra, ao aborto e à floresta
À liberdade, ao protesto, ao que nos resta
Eu grito: Fora! Esses homens tão pequenos
De interesses grandes como seus terrenos
Não quero mais nenhum direito a menos
Nessa nação onde se mata e trata mal
Mulher e pobre, preto e jovem, índio e tal
Onde nem lésbica, nem gay, nem bi, nem trans
São plenamente cidadãos e cidadãs
Não quero mais cantar meus versos mais amenos
A menos que antes seus direitos sejam plenos
Não quero mais nenhum direito a menos
Nesse Brasil da injustiça social
E de uma tal desigualdade sem igual
Queria ver os grandes lucros divididos
E os dividendos afinal distribuídos
Os bilionários concordando com tais planos
Se revelando seres realmente humanos
Não quero mais nenhum direito a menos
Nesse momento de tão pouca luz à vista
E tanto ataque ao que é direito e é conquista
Eu canto tanto desistência, o desencanto
Mas canto a luta, a rexistência, tanto quanto
E quanto àqueles que ainda pensam que detém-nos
Eu canto e grito a pulmões e peito plenos
Não quero mais nenhum direito a menos
Domênica, Magnólia, Jesualda,
Magnética Adelita do Bidu;
A anônima Adelita lá do México;
Iná de Lupe; de Lalá, Juju;
Lola de Ricky Martin; Lola de Ray Davies;
De Buddy Holly, a bela Peggy Sue;
Suzie e Malena de Roberto, e aquela
De Pagodinho com o nobre Dudu;
Sebastiana de Rosil e Jackson;
De Gil, Luluza, Sandra, Rita Lee;
Elise de Ludwig van Beethoven;
De Julio Iglesias, Manoela e Nathalie;
Dona de Sá e Guarabyra; Donna
De Ritchie Vallens; Candida de Dawn;
Dindi de Tom e Anna de Lenine;
Aline de Christophe; Julia de John.
Só você,
Nenhuma dessas hoje eu canto, só você,
Só você
No meu playlist agora eu vou querer.
Silvia piranha, de Marcelo Nova;
Natasha, de Ouro Preto e Alvin Lee;
Zoraide e Marylou, de Roger Rocha;
Camila, do Nenhum de Nós – e eu nem aí…
“Beth-Morreu”, mais uma do Camisa;
Bete Balanço, do barão Cazuza;
E Beth Frígida, da Blitz de Evandro:
Nenhuma dessas hoje é minha musa.
Nem Mila de Netinho, nem Dalila
De Alan Tavares e o baiano Brown;
Mulher rendeira de Lampião e Zé do Norte;
Mulher elétrica de Mano Brown;
Pobre menina de Gileno e Lílian,
“´Nina” veneno de Vilhena e Ritchie;
De John Coltrane, nem Mary nem Naíma;
De Miles Davis, nem Fran nem Nefertiti.
Só você
É minha musa única, você,
Só você,
Você e mais nenhuma pode ser.
Nem a mulata, musa de Ataulfo;
Nem a caboca, musa de Barroso;
Nem a crioula, musa de Benjor;
Nem a branquinha, musa de Veloso;
Nem a dourada, musa de Nelsinho;
Nem a lourinha, musa de Braguinha;
Nem a morena, musa de Lalá;
E outra morena, mas de Gonzaguinha;
E nem a galopeira de Ocampo
E nem a violeteira de Montiel
E nem a lavadeira de Monsueto
E nem a estudante de Gardel
E nem a secretária de Amado
E nem a jardineira de Humberto
E nem a pomba-rola de Orestes
E nem a amapola de Roberto
Só você,
Que nem você há uma só: você,
Só você,
E sem você não tem mais nada a ver.
E eu digo adeus a Carol, de Sedaka,
E à Carolina Carol Bela, bem do Jorge Ben,
E à Carolina, bela do Seu Jorge,
E à de Buarque, eu digo adeus também;
Adeus à deusa Yara, mamãe d´água,
De Walter Franco, e adeus, adiós, adieu
À deusa do amor, do Olodum,
E à deusa do ébano, do Ilê Aiê;
Do cabaré, à dama de Noel,
E, do cassino, à dama de Caetano;
De Alcir Vermelho, à dama das camélias,
E à de vermelho, de Waldik Soriano;
À Maria Bethânia, de Capiba,
À Maria Bonita, de Augustín;
À Maria La Ô, a de Lecuona,
E à Maria Ninguém, de Carlos Lyra; assim…
Só você,
Dama e deusa aqui é só você;
Só você,
E com você eu quero e vou viver.
De Fábio, Estela; Stella de Caymmi,
Stella de Victor Young; de Victor Jara, Amanda;
Fada de Victor Chaves; de Vitor Martins,
Vitoriosa; Rosa e Rita de Hollanda;
Mariana do Sergião; Mariane do Marrone;
Suzanne e Marriane de Leonard Cohen;
Suzana de Bob Nelson; Suzy Q do Créédence:
Todas me põem louco, e como põem…
A “tarja preta” dos Cordeiros com Arnaldo;
Preta pretinha, de Galvão com o Moraes;
Nega neguinha, só de Bororó;
Neguinha, de Davi Moraes, e mais:
Nega maluca, de Fernando Lobo;
Doida demais, de Lindomar Castilho;
Totalmente demais, de Paes, Tavinho;
Todas eu verso mas só uma eu estribilho:
Só você,
No meu refrão rebrilha só você;
Pra você,
Minha canção de amor MPB.
Você pra mim é mais que as vagabundas,
Que as minas e que as mães dos Racionais;
É mais do que as mulheres de Martinho
Da Vila e de Toninho das Geraes;
É mais até do que pro Rappin´ Hood
São as rainhas e as mulheres pretas;
Do que o menino-Deus e o do Rio
E o leãozinho pro leão Caetas.
Você é para mim e o meu amor
Brilhante e duradouro qual diamante,
Mais que a romântica senhora tentação
Pra Silas de Oliveira, minha amante;
Mais que a Bonita para Tom Jobim
E a bonitona para Geraldo Pereira;
Mais que a moça bonita pra Pedro Luís
E que as moças do samba de Roque Ferreira.
Só você
É mais que todas outras, só você,
Só você
É mais que todas elas num só ser.
Não canto mais Bebete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben Jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigresa, nem a vera gata,
Nem a camaleoa, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science –
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, a flor de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia, de Camelo, dos Hermanos.
Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero por querer.
Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Herbert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem a faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
De Vina, a garota de Ipanema;
Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato
E da Layla de Clapton eu abdico.
Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-ma-belle, do beatle Paul;
Nem Isabel – Bebel – de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmena;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinicius
E nem a tropicana de Vicente e Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão
Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia:
Nenhuma tem meus vivas! nem meus salves!
Nem Polly do nirvana Kurt Cobain
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! – do mano Xis!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha
(L´aura de Daniel, o trovador?);
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião:
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.
Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que, com seus dotes e seus dons,
Inspiram parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madelleine, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho,
Ou como Madalena, de Ivan Lins,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça pRosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas,
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida:
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas… mas não mais que três…
Só você…
Tô brincando com você;
Só você…
As coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Stevie Wonder, ó minha parceira.
Você é para mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra De Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby para Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.
Só você,
Mais que tudo e todas, só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.
Aqui ´stamos na avenida, Pelas ruas, pela vida, Marchando com o cortejo Que flui horizontalmente, Manifestando o desejo De uma cidade includente E uma nação cidadã tra- Duzido numa canção, Numa sentença, num mantra, Num grito ou numa oração…
… Por todo jovem negro que é caçado Pela polícia na periferia; Por todo pobre criminalizado Só por ser pobre, por pobrefobia; Por todo povo índio que é expulso Da sua terra por um ruralista; Pela mulher que é vítima do impulso Covarde e violento de um machista;
Por todo irmão do Senegal, de Angola E lá do Congo aqui refugiado; Pelo menor de idade sem escola, A se formar no crime condenado; Por todo professor da rede pública Mal-pago e maltratado pelo Estado; Pelo mendigo roto em cada súplica; Por todo casal gay discriminado.
E proclamamos que não Se exclua ninguém senão A exclusão.
Aqui ´stamos nós de volta, Sob o signo da revolta, Por uma vida mais digna E por um mundo mais justo, Com quem já não se resigna E se opõe sem nenhum susto A uma classe dominante Hostil à população, Numa ação dignificante Que nasce da indignação…
… Por todo homem algemado ao poste, Tal qual seu ancestral posto no tronco; E o jovem que protesta até que o prostre O tiro besta de um PM bronco; Por todo morador de rua, sem saída, Tratado como lixo sob a ponte; Por toda a vida que foi destruída Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte;
Por toda vítima de cada enchente, De cada seca dura e duradoura; Por todo escravo ou seu equivalente; Pela criança que labuta na lavoura; Por todo pai ou mãe de santo atacada Por quem exclui quem crê num outro deus; Por toda mãe guerreira, abandonada, Que cria sem o pai os filhos seus.
E proclamamos que não se exclua ninguém Senão a Exclusão.
Eis aqui a face escrota De um modelo que se esgota. Policiais não defendem; Políticos não contentam; Uns nos agridem ou prendem; Outros não nos representam. E aquele que não é títere, E é rebelde coração, Vai no Face, no zapp e Twitter e Combina um ato ou ação…
… Por todo defensor da natureza E todo ambientalista ameaçado; E cada vítima de bullying indefesa; E cada transexual crucificado; E cada puta, cada travesti; E cada louco, e cada craqueiro; E cada imigrante do Haiti; E cada quilombola e beiradeiro;
Pelo trabalhador sem moradia, Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho; Pelos que passam séculos ao dia Em conduções que cansam pra caralho; Pela empregada que batalha, e como, Tal como no Sudeste o nordestino; E a órfã sem pais hetero nem homo, E a morta num aborto clandestino.
Impelidos pelos ventos Dos acontecimentos, Louvamos os mais diversos Movimentos libertários Numa cascata de versos Sociais e solidários Duma canção de protesto Qual “Canção de Redenção”, Uma canção-manifesto, Canção “Manifestação”…
… Por todo ser humano ou animal Tratado com desumanimaldade; Por todo ser da mata ou vegetal Que já foi abatido ou inda há-de; Por toda pobre mãe de um inocente Executado em noite de chacina; Por todo preso preso injustamente, Ou onde preso e preso se assassina;
Pelo ativista de direitos perseguido E o policial fodido igual quem ele algema; Pelo neguinho da favela inibido De frequentar a praia de Ipanema; E pelo pobre que na dor padece De amor, de solidão ou de doença; E as presas da opressão de toda espécie, E todo aquele em quem ninguém mais pensa…
E proclamamos que não se exclua ninguém Nem nada senão a Exclusão.
Dando à vida e à alma grande Um sentido que as expande, Cantamos em consonância Com os que sofrem ofensa, Violência, intolerância, Racismo, indiferença; As Cláudias e Marielles, Rafaeis e Amarildos Da imensa legião De excluídos do Brasil, do S- Ul ao norte da nação.
E proclamamos que não se exclua Ninguém senão a Exclusão.